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A crise “trouxe mais pessoas”

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19-04-2014 - 15:43
Com maior ou menor facilidade em decifrar o sentido desta afirmação, a realidade mostra-nos que, esta crise económica que tem conhecido dimensões globais, tem um aspecto positivo: tem permitido que o ser humano se reencontre.
 
A escassez de dinheiro na maioria das famílias, tem dado lugar a uma maior valorização de aspectos como a solidariedade, o diálogo, união e divisão dos problemas, o que nos permite afirmar que, “dentro das atrocidades se vislumbra um reencontro com a humildade da condição humana”.
 
Com maior ou menor ligação aos valores morais que se prolongam pela nossa História, a verdade é que, sem este corte no crescimento, provavelmente estaríamos mais distantes uns dos outros; muito mais pobres enquanto pessoas e ainda mais vazios de sentimentos.
 
Já dizem os sábios na matéria que, em todos os tempos da evolução humana, houve recuos, pois caso contrário já não existiriam pessoas, somente máquinas e, esta lição deve ser desenvolvida e encarada com naturalidade validando os pontos positivos, pois afinal, com mais ou menos dificuldades, o tempo vai passando, as pessoas vão dando mais oportunidades a si mesmas de se revelarem e de mostrarem que, a maior riqueza é mesmo o que somos e não o que temos. Caso contrário, a maioria da população não teria qualquer hipótese de fazer parte deste mundo; a viver em condições pouco dignas e muito abaixo do que seria desejado.
 
Por muito que nos custe assumir e, é difícil compreender como é que se cai de uma classe para outra em meses ou poucos anos, mas talvez nada seja por acaso, pois basta que se analisem os sintomas resultantes do excesso de consumo, para se compreender que algo precisava mesmo de ser mudado. 
 
Doenças atrás de doenças, um vazio emocional sem limites, pessoas isoladas, idosos ao abandono, filhos revoltados pela ausência dos pais e daí por diante. Não há dinheiro no mundo que pague o conceito de família, o tempo para estar em conjunto, a troca de afectos, as descobertas que se fazem em grupo e, só por isso, vale a pena ter menos recursos para ter de reunir os que existem entrem membros de uma mesma comunidade.
 
Claro que, dentro do que existe de negativo, se deve fazer este tipo de leitura, pois esta e outras crises vão passar e não podemos perder de vista o nosso direito à vida e à felicidade, pelo que, o lamento ajuda a aliviar o coração e a alma, mas não deve ser o traço dominante dos nossos dias, pois faz-nos perder as forças e acreditar que é sempre possível alterar algo e que, cada tempo traz consigo um conflito para que possamos evoluir e desenvolver competências.
 
Quer isto dizer que, não podemos desistir, mas sim analisar o que nos aconteceu e reunir meios para superar o melhor possível e, na família, é mais fácil encontrar essa força; com humildade e tal e qual como somos e sentimos as situações.
 
É cada vez mais comum, apesar das inúmeras dificuldades em reatar relações esquecidas no meio do progresso (e do dinheiro que, apesar de ilusório, abundava em empréstimos),  apreciar famílias que se reúnem nem que seja por uma refeição, crianças que têm de ficar em casa com familiares porque não há dinheiro para as creches que acabam por contactar com os avós e demais familiares, a divisão de alimentos, a troca de roupas quando tudo parecia lixo e, a capacidade de trocar e de oferecer a quem mais necessita, aquilo que nos sobra.
 
Claro que, repostos os laços, faz sentido que se dê o mínimo de oportunidades ao ser humano, a começar pelo emprego que deveria ser para todos, bem como os direitos sociais e tudo o que se considera essencial para a satisfação das necessidades básicas, porque muita, muita gente, não consegue esse mínimo nem com, nem sem crise, porque simplesmente entrou em insolvência familiar e não encontrou ainda um sentido para a sua vida.
 
São estes casos que deveriam despertar as classes políticas antes de agarrar numa faca e cortar cegamente os direitos; antes de colocar um número sobre qualquer decisão num país, antes de oferecer carros topo de gama a quem nem tem direito para o combustível… mas nem todos percebem que a família ajuda mas que também está em decadência com tantos direitos retirados.
 
Se não fosse a união entre as pessoas e o trabalho de muitas instituições, muitas pessoas para além da escassez de alimentos, não teria um carinho; um sentido de vida sequer.
 
O intuito deste texto é mostrar que, no meio das muitas dificuldades, se cultivam e desenvolvem novas formas de viver em comunidade. O processo é lento, mas são cada vez mais as pessoas que recordam a família; as suas raízes e a identidade que, é o que dá mais sentido a qualquer modelo de vida.
 
Basta percorrer as redes sociais para aceitar que, a família e os afectos são cada vez mais a grande razão de vida para a maioria das pessoas, logo, sem esse calor, o que seria feito de tanta gente?
 
Já agora, com mais ou menos recursos, uma Boa Páscoa em família!
 
 
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