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“É o medo que nos destrói”

“É o medo que nos destrói”
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02-04-2016 - 15:34
O medo é um dos maiores condicionalismos do ser humano.
 
Não nascemos com medo, mas desenvolvemos essa limitação a partir da convivência com os demais humanos e com base nas crenças, nos exemplos e naquilo que nos é transmitido ao longo do percurso, já que a própria sociedade aposta pouco no esclarecimento dos seus indivíduos e, naturalmente que, o desconhecimento dá lugar ao medo.
 
Por muito que se tente viver longe desse condicionalismo, na realidade o medo está presente em tudo o que vivemos e experienciamos, restando a cada ser humano, a maior ou menor capacidade de lidar com esse sentimento, já que num plano negativo, este pode impedir a felicidade e o próprio direito à vida.
 
“Há pessoas cujos medos são de tal ordem que não se pode dizer que vivem, mas que sobrevivem”, afirmam muitos especialistas.
 
As teorias para explicar o medo são muitas, tal como são numerosos os conselhos para aprender a lidar com esse sentimento. Na prática, nada se afasta completamente da existência do medo, seja como procura de uma alternativa, como compreensão para facilitar a tarefa de lutar contra esses limites, seja como base para enfrentar esse constrangimento psicológico e delinear um percurso mais criativo e livre. O medo é a base do problema, razão pela qual deve ser mais aprofundado.
 
Naturalmente o medo “faz-nos falta” para evitarmos determinados riscos. Se soubermos a importância de assumirmos determinados comportamentos, mais facilmente encaramos o medo (também) como uma atitude preventiva. Neste contexto, a educação deve assumir um papel esclarecedor e não assustador como se tem conhecido no tempo: “não vás para o escuro que está lá um monstro!” Ao invés dessa postura, os pais devem mostrar o que está no escuro para evitar o medo.
 
O mesmo acontece com os perigos em nosso redor. Ao invés de assustar as crianças, os pais devem explicar e implementar limites para que, os mais novos saibam a razão pela qual, por exemplo, não podem andar na rua sozinhas até uma determinada idade e grau de imaturidade. Não se trata de aparecer alguém assustador, mas de ser importante a presença de um adulto em determinadas circunstâncias.
 
As sociedades mais desenvolvidas apostam nesta base educativa para formar pessoas mais conscientes de si mesmas, dos outros e dos limites que devem fazer parte da vida em sociedade, pelo que, o medo passa para segundo plano, dando-se ênfase aos motivos pelos quais os indivíduos devem aprender determinadas normas e valores.
 
Ter medo de tomar banho durante a digestão, não é mais do que compreender que o organismo está a concentrar as suas energias numa determinada função e que o banho pode interromper o processo. Reconhecer que o excesso de sal faz mal à saúde, dá lugar a um maior cuidado para com esse ingrediente que, em demasia, condiciona o natural funcionamento do organismo. O mesmo se passa com o consumo de doces. Não deve haver medo de comer um doce de vez em quando, mas sim, uma orientação para que o sujeito saiba como incluir esses alimentos na sua dieta diária. 
 
No fundo, o que se pretende é que as pessoas saibam agir em consciência e não assustadas com as consequências dos seus atos, já que isso só vai gerar comportamentos ainda mais desajustados.
 
Estes exemplos de medo, não mais são do que alertas que, compreendidos, melhoram a qualidade de vida e deixam de ser uma limitação para assumirem um estilo, uma forma de estar no mundo.
 
Para que se aprofunde um pouco a dimensão do medo, é fundamental ter em conta que, “apesar de dar jeito aos pais que os mais novos limitem comportamentos em função do medo”, mais cedo ou mais tarde, os jovens vão arriscar e desafiar esses limites.
 
Assim, é mais viável fazer passar uma mensagem clarificadora que afaste a necessidade de “provar” se há ou não motivo para temer por exemplo o excesso de velocidade na estrada…
 
O medo é, sem dúvida, o principal fator de impedimento do ser humano, já que interfere em todo o organismo. O medo é capaz de provocar uma reação em cadeia no nosso corpo. Consegue impedir o raciocínio, destrói a imaginação, acaba por completo com a auto confiança, trava o poder de criação, gera indecisão, conflito, mau-estar interior e que se projeta nas relações com os outros. Em suma, o medo atrai todas as possíveis formas de fracasso.
 
Segundo Napoleão Hill, no Livro ”Quem pensa enriquece” existem seis tipos de medo, que acabam por se entrosar e que merecem especial destaque, uma vez que, não tratados, vão dar lugar a um infinito de problemas.
 
No “Top” dos medos está a pobreza. Naturalmente que não se nasce com este medo. Tratando-se de um estado de espírito, é adquirido através dos paradigmas pessoais. 
 
O indivíduo desenvolve o medo de perder dinheiro, pelo que, tudo o que consegue ganhar, guarda até não mais poder e, na maioria dos casos, vive miseravelmente em torno desse pavor que o torna pobre, por ser escravo do medo da pobreza! Estas pessoas não gastam para poupar e esquecem-se de que a vida tem “prazo de validade” e que terão de cá deixar os seus pertences!
 
Segue-se um medo não menos complicado: temer a crítica dos outros.
 
Esse também é um problema grandioso, sobretudo porque começa muito cedo a fazer parte das nossas vidas. Este tipo de medo surge na infância e “persegue-nos ao longo da vida”. É muito comum, mesmo sem que nos apercebamos, fazer críticas destrutivas ás crianças que crescem com uma ideia errada de si mesmas. Se pensarmos no impacto de chamarmos nomes depreciativos a uma criança, certamente que reformulamos o modelo educativo.
 
Alguém que cresce a acreditar que não é capaz, terá muitas dificuldades em provar a si mesmo que supera esse limite. Depois, para quê “colocar rótulos” nos outros? Para quê chamar “burro” a um filho? Só para que ele carregue esse sentimento negativo ao longo do percurso? O medo da crítica faz-nos perder a identidade, limitar a iniciativa e dar lugar a complexos de inferioridade. O medo da crítica destrói a personalidade e condiciona o talento individual, pois não permite arriscar e conduz à submissão.
 
O medo da doença ocupa a terceira posição.
 
O medo da doença é prejudicial, sobretudo porque antecipa a dor e o sofrimento, mesmo sem que estes existam. Uma pessoa fica doente só de pensar que poderá ficar doente! Esta atitude pessimista reflete o medo da doença e naturalmente predispõe o sujeito a estar doente. Apesar de ninguém desejar um cenário de doença, devemos saber que, ao nos concentrarmos no tratamento, mais facilmente libertamos esse medo de adoecer. “Se ficar constipado, tomo um medicamento!”
 
Este tipo de medo cria factos imaginários e conduz a problemas graves, sobretudo porque a pessoa só pensa que vai ficar doente por isto ou por aquilo. Pensa na morte dos familiares e nas suas causas e entra num processo muito complicado de pânico de todo o tipo de complicações de saúde sem que as mesmas existam. 
 
O medo de perder a pessoa amada é também um dos problemas do ser humano.
 
Este é um tipo de medo que tem como principal “combustível” o ciúme. A pessoa que sofre deste medo, assume um conjunto de comportamentos desde logo, prejudiciais para si mesma, para o outro e para o relacionamento. Este tipo de medo conduz à dependência, à cobrança, á possessividade, à imaginação que é capaz de produzir os cenários mais ridículos e daí por diante. A pessoa só vive para agradar o outro, projeta-se em tudo o que o envolve e desliga-se de si mesma. Concentra-se de tal forma no “seu alvo” que se torna num escravo desse  suposto amor e dá tudo por isso. Chega a comprar presentes e elogios para assegurar que a relação continua. 
 
Como resultado, vai desenvolver um complexo de inferioridade, uma profunda falta de autoconfiança e, um conjunto de sentimentos negativos que começam a ser por si mesmo e que, mais tarde, se projetam nesse alvo de amor idealizado. Esta história termina sempre com tristeza e frustração.
 
Segue-se o medo da velhice que, desde logo nos faz pensar no ridículo que é querer viver mais e não ter sinais do tempo!
 
A velhice assombra muitas pessoas, pois une mais dois medos: o medo da doença e o medo da pobreza, a pessoa começa a acreditar que, ao ficar mais velho, será mais frágil e predisposto á doença. A quebra natural das forças reduz a capacidade de trabalho e, sem ele, a falta de sustento e entra-se num processo que, mal vivido, destrói o encanto da idade. A acrescentar, teme-se o medo de alterar a fisionomia com o passar do tempo e, a vida tonar-se mesmo muito dolorosa. Há que saber encontrar a justificação para todas estas situações, sob pena de a vida se tornar num tormento. Com o envelhecimento tudo se altera, pelo que a poupança pode ajudar no sustento, mas de forma alguma, pagar as alterações estéticas que vincam o passar dos anos… Ter consciência do que é envelhecer também é desenvolver a inteligência e a capacidade de entender a vida tal como ela é.
 
Na mesma sequência e, por razões óbvias, surge o medo da morte.
 
Tudo o que nasce morre, é a lei da vida, mas esta realidade não é bem encarada por todos e suscita e vai despertar sempre dúvidas.
 
Para onde vamos depois da morte?
 
Será que vou para o inferno? As pessoas que têm medo da morte, tendem a pensar mais nela do que na vida, ficam ansiosas, algumas até entram em pânico só de pensar, e um fator que muitas vezes contribui para esse pavor é a religião, cada uma explica a morte de uma forma, deixando a pessoa sem saber no que acreditar.
 
A base para reagir ao medo é mesmo assumir uma atitude contrária. Sem ter de pensar muito nisso, é importante enaltecer dentro de nós valores capazes de controlar o medo. Todos sabem que “o negativo atrai negativo”, tal como “o positivo atrai positivo.” Assim, em vez de cultivar o medo da pobreza, devemos lutar pela propriedade e tentar encontrar motivação para conquistar algo melhor. Essa energia afasta-nos naturalmente do medo.
 
A mesma “receita” estende-se à forma como lidamos com a crítica dos outros. Faz parte da vida em sociedade, é natural que as pessoas falem umas das outras, só não é relevante que nos preocupemos com isso! Conseguimos força através da autoestima e autoconfinaça e da desvalorização do que os outros pensam a nosso respeito. “Nem todos gostam de mim e do que eu faço, paciência!” Depois, importa registar que, nem todas as pessoas à nossa volta são “boas companhias” ou boas “conselheiras”. Há pessoas cuja frustração interior se traduz na destruição do outro, na diminuição da sua felicidade e consequente influência destrutiva. Saber avaliar essa realidade também protege muito a nossa autoconfiança e forma de estar no mundo.
 
No que se refere ao amor, não se deve descurar que a influência social também “dita” o sucesso e o fracasso de uma relação se não invertermos alguns pormenores. A relação deve traduzir-se em bem-estar pessoal e não “naquilo que os outros esperam da nossa vida.” Quantas pessoas vivem um martírio dentro de casa só para manter a aparência de uma relação socialmente aceite? Isto é merecedor de algum respeito? Claro que não! Não temos de nos subjugar aos outros para ter uma companhia, para não “ficarmos sós”, pois ninguém está mais isolado que uma pessoa infeliz. “Quem gosta de mim pelo que eu sou, tem o meu valor, quem não me dignifica e valoriza, não merece essa retribuição!”
 
Desta forma somos livres, felizes e aproveitamos o melhor que a vida tem para nos proporcionar. É bom não fazer planos em demasia, “sob pena de atrapalharmos os planos que a própria vida tem para nós”, por isso, vivamos as rugas, os cabelos brancos, a perda das forças com naturalidade, pois cada ser é único e especial e ninguém pode transmitir a experiência!
 
Já agora, tenha coragem de ser feliz! Sorria para a vida e descubra uma nova forma de encarar a realidade!
 
 
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