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Júdice Fialho

Júdice Fialho
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17-11-2013 - 23:11
Chegou a altura de enaltecer o maior industrial conserveiro do Algarve, Júdice Fialho, um nome cujo percurso foi publicado por José Carlos Vilhena Mesquita no seu blog:"Promontório da Memória"

 

Chegou a altura de enaltecer o maior industrial conserveiro do Algarve, Júdice Fialho, um nome cujo percurso foi publicado por José Carlos Vilhena Mesquita no seu blog:"Promontório da Memória

Proprietário e industrial de conservas, João António Júdice Fialho nasceu em Portimão a 17 de Abril de1859 e faleceu em Lisboa, na Casa de Saúde de Benfica, a 17 de Março de 1934, com 74 anos de idade. 
 
Iniciou a sua actividade industrial na cidade de Faro onde fundou uma fábrica de álcool que por razões conjunturais teve efémera duração. 
 
Foi na fase posterior que investiu no ramo da indústria da pesca do atum e da sardinha, sector tradicional mas de confiável retorno financeiro. 
 
Júdice Fialho apercebeu-se da oportunidade do sector conserveiro, que nos finais do séc. XIX estava ainda a dar os primeiros passos, fundando algumas fábricas em Portimão e Lagos. 
 
Anos mais tarde, fundou novas e sofisticadas unidades fabris na cidade de Faro, nas vilas de Olhão e Espinho, tendo por fim avançado para a ilha da Madeira, onde se tornou o principal industrial do sector, tal como acontecia no Algarve. 
 
Júdice Fialho dava assim as primeiras mostras de um enorme inteligência e capacidade para o negócio, estando sempre na linha da frente da melhor maquinaria e de contratar pessoal qualificado que valorizava e tratava com distinção. 
 
Júdice Fialho contratou milhares de operários para as suas unidades fabris e nunca permitiu que lhes faltasse o sustento e a capacidade de os tratar pelo próprio nome. 
 
De realçar que, as marcas que lançou no mercado, sobretudo das suas conservas de sardinha eram as mais conhecidas na Europa, principalmente em Inglaterra, onde praticamente dominava esse sector de mercado. As latas de sardinha e de atum das fábricas algarvias da Casa Fialho foram imprescindíveis para a alimentação dos exércitos beligerantes durante a I Guerra Mundial. 
 
Percebe-se assim que, Júdice Fialho foi um dos maiores industriais de conservas da Europa, cujo sucesso se deve ao seu espírito criativo e empreendedor, capaz de ver à distância os interesses do mercado e a evolução do consumo em diferentes regiões do mundo. 
 
Segundo José Carlos Vilhena Mesquita, este industrial conseguiu reunir um pecúlio financeiro verdadeiramente invulgar, tornando-se num dos maiores capitalistas portugueses do seu tempo. 
 
Tendo por base o mesmo apontamento deste historiador, Júdice Fialho, teve uma vida de intenso trabalho, com muitos dissabores, traições e desilusões, que lhe endureceram o carácter. Retirou da sua experiência como empresário uma capacidade negocial invulgar e uma diplomacia nas relações exteriores muito peculiar, mas soube retirar grandes lições com os políticos nacionais e estrangeiros. 
 
Nos últimos anos de vida virou-se para a agricultura, tendo adquirido no Algarve vastas propriedades, situadas no Areal Gordo e Pereiro, as courelas das Caliças, as fazendas de Marachique e das Areias, do Vau da Rocha (em Portimão), Atalaia e Benefícios, assim como a famosa Quinta do Alto, onde construíra a sua residência. 
 
Mas também adquiriu as conhecidas Hortas de Olhão e dos Fumeiros, a quinta do Bom João e a vastíssima fazenda do Montenegro, sem esquecer ainda as valiosas e extensas propriedades dos salgados e reguengos de Portimão, em Boina e Arge, tendo por fim adquirido o antigo Morgado de Quarteira, que mais tarde o banqueiro Cupertino de Miranda compraria aos seus herdeiros para aí fundar o resort turístico hoje conhecido como Vilamoura. 
 
O rosto da propriedade que deu lugar ao conhecido Colégio do Alto que ainda hoje reúne algumas das suas maquinarias na arrecadação, é também um reflexo da introdução no Algarve das culturas intensivas do pimenteiro e do marmeleiro, cujas produções aproveitou para criar as primeiras agro-indústrias no género, além de ter também experimentado a exportação em lata da pasta de pimento e do doce de marmelo. 
 
Também investiu na pesca do bacalhau, enviando vários navios da sua frota pesqueira do Algarve para os bancos na Terra Nova de onde voltavam carregados de peixe que era depois aqui submetido à secagem, embalagem e exportação para os mercados consumidores em todo o mundo. 
 
Face aos seus negócios e aos avultados meios de fortuna, Júdice Fialho passava largas temporadas no estrangeiro usufruindo da avançada cultura dos países do centro europeu, adquirindo conhecimentos nos mais diversos meios, quer científicos quer artísticos. 
 
A sua educação e esmerado bom gosto, levou-o a coleccionar imensas obras de arte, principalmente quadros, tapeçarias, esculturas e ricas porcelanas, com as quais decorou e enriqueceu o seu palácio de Faro. 
 
No seu apontamento, José Carlos Vilhena Mesquita realça também a forma como Júdice Fialho tratava os seus colaboradores, desde o engenheiro até ao mais humilde trabalhador rural, que a todos conhecia pelo primeiro nome. 
 
A nenhum, sobretudo aos mais humildes, permitia que faltasse o sustento, diligenciando sempre trabalho para os activos e apoio financeiro para os velhos e doentes. 
 
Impõe-se também salientar que as fábricas conserveiras da empresa Júdice Fialho foram as primeiras no país a possuírem creches para os filhos das operárias e salas de aleitamento para que as mães pudessem cuidar dos seus bebés durante as horas de trabalho. 
 
As mães recebiam também ensinamentos e medicamentos para melhor cuidarem de si e dos seus filhos. 
 
Em 17 de Abril de 1916, a Câmara Municipal de Portimão prestou-lhe uma homenagem pública, descerrando o seu retrato no salão nobre daquela edilidade, como prova de gratidão pelo desenvolvimento económico prestado à sua terra-natal, o que demonstra a sua grandeza e capacidade de empreendedorismo. 
 
Dois dias antes de falecer foi submetido a uma intervenção cirúrgica que correu satisfatoriamente, sucumbindo no pós-operatório por causa de um ataque cardíaco, enfarte agudo do miocárdio. 
 
Júdice Fialho foi casado e pai de duas filhas. 
 
(Actualização:18.04.13)

 

 
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