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Lidar com a frustração

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17-08-2013 - 22:44
É sabido que a frustração começa a ser mais vincada no ser humano a partir dos 18 meses de vida, motivo pelo qual começam as birras nos bebés e uma explicação para que os pais tentem compreender o quão difícil é crescer e como devem lidar com a situação.
 
A partir desta fase, a sensação de incapacidade para resolver as tarefas que sente necessidade de superar faz com que o bebé se irrite com facilidade e que grite, chore e se sinta desagradado consigo mesmo, razão pela qual os pais e educadores podem desempenhar um papel importante no apoio à resolução e não na superação em si, pois é fundamental que a criança descubra como se faz e não que realizam as tarefas por ela. 
 
É com esta base que se processa o desenvolvimento. Quando os pais avançam na resolução das actividades que o filho deveria aprender, estão a mostrar-lhe que não é capaz e que irá depender de alguém para conseguir fazer algumas tarefas, o que se vai reflectir ao longo do seu desenvolvimento e ser avaliado em inúmeros comportamentos. 
 
Não é por acaso que podemos ter adultos imaturos, inseguros, propensos a depressões e ao isolamento e a situações de dependência, e sujeitos estáveis, confiantes e com potencialidades que lhes permitam fazer face aos novos desafios e enfrentar a vida. 
 
Se na tenra idade não se sabe lidar com a frustração, pretende-se que, nos primeiros anos de vida essa seja uma conquista individual e progressiva, sob pena de se verificarem os comportamentos mais estranhos e desenquadrados como aqueles a que assistimos na nossa sociedade, porque não nascemos apetrechados de competências para lidar com aquilo que nos corre menos bem, mas temos capacidade de desenvolver essas competências através da educação para o ensino; para o aprender a fazer. 
 
Já Paulo Freire referia a importância de dar a cana para ensinar a pescar e não o peixe e essa é a realidade que importa reforçar desde cedo para que tenhamos cidadãos activos, trabalhadores, corajosos e felizes. 
 
É muito comum que, mesmo os adultos lidem muito mal com as adversidades da vida, tudo porque em pequenos não compreenderam que, nem sempre as coisas nos são favoráveis e que devemos lutar de forma realista por conquistar aquilo que dá sentido ás nossas vidas, mas que o processo não é fácil, que pode implicar a ajuda de outros, mas que se aprende a lidar com todas essas facetas, pois viver é mesmo isso; um longo processo de erros, de correcções, de conquistas e derrotas que se transformam em novas formas de estar e de pensar. 
 
Não é por acaso que mudamos de opinião, de forma de executar, que procuramos o conhecimento e que a dúvida é um factor permanente nas nossas vidas. 
 
Desde cedo, devemos mostrar ás crianças que há desafios complexos e elementares, que nem tudo é óbvio e que, a melhor forma de aprender e de superar obstáculos é a praticar. 
 
Quando a criança não incute esta dimensão ao nível do conhecimento, é natural que, etapa após etapa, arraste uma sensação negativa face a si mesma, face aos pais que não a prepararam e em relação aos outros, pois acreditam que têm a “obrigação” de os ajudar, ou seja de compensar o que os pais não fizeram ou de fazer de conta que é mesmo incapaz e que será permanentemente dependente. 
 
Este problema é muito mais frequente do que se possa imaginar e, não é por acaso que temos actos de grande violência entre familiares e nas demais relações e pessoas com idade avançada com comportamentos de adolescentes ou mesmo crianças. 
 
Pretende-se que, ao longo do crescimento, como o próprio nome indica, ocorra desenvolvimento e que o mesmo acarrete a autonomia, o amor-próprio, a auto-confiança e a disponibilidade para aprender a lidar com o inesperado e com situações distintas daquelas a que estamos habituados. 
 
Tal acontece com as oportunidades que o sujeito vive; com a possibilidade de se confrontar com os seus limites e de saber ultrapassar os aspectos mais negativos com recurso aos seus valores e conhecimento. 
 
Também é essencial que o sujeito compreenda que não é capaz de dar resposta a todos os desafios que lhe são colocados e que, por isso se fala em aptidões e que deve aprender a seleccionar aquilo que melhor se adequa ás suas qualidades e potencialidades, pois isso é aceitar a diferença e o respeito pelos outros e, acima de tudo, por si mesmo. 
 
Ajudar a crescer não traduz de forma alguma um nível de exigência exacerbado, muito menos uma fraca capacidade para superar conflitos. Como é centro no meio-termo que reside o sucesso, é fundamental ensinar a aceitar que também não se é capaz quando é caso disso, pois a ilusão de que se pode quando não se consegue, nem sempre é a mais positiva, afinal nem todos são craques numa modalidade e é preciso ter isso em linha de conta antes de partir para a crítica dos filhos ou de idealizar o impossível para as qualidades daquela criança. 
 
Não existe algum problema quando a criança se apercebe que não é capaz de fazer uma determinada actividade desde que saiba o motivo e que encontre uma alternativa, pois nem todos vão ser jogadores profissionais, gestores de topo ou qualquer outra profissão, mas todas merecem respeito e dignidade que só se conquista com a responsabilidade individual, a auto-estima e o bem-estar interior. 
 
No entanto, é fundamental que a criança tente e que se confronte com os seus potenciais para que se habitue a criar alternativas quando não consegue concretizar o que pretendia, pois essa será a sua base de formação para a vida e a proposta de que necessita para saber lidar com a frustração, que mais cedo ou mais tarde vai acontecer. 
 
Por muito que os pais tentem dar tudo para que a criança aparentemente se sinta feliz, um dia ela vai perceber que é diferente das demais por que efectivamente não existem duas pessoas iguais, logo, mais vale educar para a conquista individual com os olhos postos nos exemplos dos outros, mas com a capacidade de olhar para si mesma, para se auto-valorizar e descobrir aquilo que faz com mais empenho, gosto e desembaraço. 
 
Esta teoria não afasta a necessidade de sermos exigentes com os nossos filhos, muito menos que, até que se saiba as suas verdadeiras qualidades, todas são possíveis e devem ser testadas, daí a importância do contacto com a diversidade. 
 
Tal como não podemos exigir aquilo para o qual a criança não está preparada, temos o dever de lhe criar condições para que possa aprender e compreender o que é capaz de concretizar.
 
 
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