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Maus-tratos e abandono de animais: uma questão a punir

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04-08-2013 - 23:43
Este é um tema que nem sempre merece a atenção dos cidadãos que, na sua vida agitada, nem se apercebem do quanto um animal sofre por abandono, stress, maus-tratos ou por estar isolado do mundo, ou mesmo afastado dos próprios donos.
 
Esta semana, decidimos dar atenção a este tema, uma vez que são comuns os pedidos de informação no nosso jornal. 
 
São muitos os e-mails que nos chegam, muitas vezes ilustrados com imagens dando conta da crueldade humana; da forma como se tratam os animais no nosso país. 
 
Claro que temos excelentes exemplos e, esses também devem merecer destaque, mas os casos negativos, são aqueles que nos exigem uma actuação urgente, razão pela qual vale a pena reflectir e saber mais acerca do nosso papel enquanto cidadãos e não enquanto meros espectadores. 
 
Em algumas das descrições que recebemos, são relatados casos de donos que deixam cães fechados em quintais, em dias de chuva e de calor intenso, no meio de dejectos, com uma trela e um ançaime para que não reclamem o sofrimento e, para que os vizinhos não ouçam esses pedidos de ajuda tão sentidos. 
 
Esse procedimento, para além de cruel, é uma forma de agressão severa, pois o animal não se pode alimentar com o ançaime, muito menos ingerir os líquidos de que tanto necessita, sobretudo nos dias quentes como se sente nesta altura do ano. 
 
Mas podemos também enumerar casos de donos que vão de ferias e que se esquecem daquele animal que lhes deu atenção, carinho e compreensão ao longo de todo o ano, que não lhes pediu para que lhe escolhessem um nome, a casa para onde iriam morar, muito menos que se afeiçoassem aos seus cuidadores… São esses animais que, no Verão ficam entregues à sua sorte num terreno baldio, num canil ou fechados em casa até que a exaustão lhes tire a vida… 
 
O caso é dramático para animais de grande e médio porte, sendo que, por norma, os mais pequenos se “safam” por ser mais fácil pedir a alguém que cuide deles. 
 
Depois temos outra questão: tudo o que é pequeno é engraçado. Cresce e perde o sentido para muitas famílias que, provavelmente não gostaram que, um dia os seus pais lhes fizessem o mesmo ou que se preparem para fazer, pois quem maltrata os animais, não pode de forma alguma tratar bem as pessoas, é tudo uma questão de formação de base; é tudo uma questão de formação pessoal mais ou menos conseguida. 
 
Bem sabemos que existem depois os casos de fundamentalismo que acabam por exagerar nos cuidados com os animais de tal forma que acabam por construir maus-tratos. 
 
É comum ver imagens nas redes sociais de animais vestidos como se de pessoas se tratassem, muitas vezes a ter de adoptar hábitos humanos para que sejam aceites. Esta também não é uma forma de querer bem, nem de cuidar, pois existe uma linha que separa o animal do homem que, ao não ser respeitada, também provoca sofrimento. 
 
Mediante as muitas queixas que recebemos, são comuns os pedidos de informação relativamente a que organismos existem para fazer chegar essa queixa e, para melhor esclarecer, o Algarve Primeiro recorreu a um dos seus parceiros, a PRAVI, Projecto de Apoio a Vítimas Indefesas, núcleo de Faro e obteve uma resposta clara que nos coloca todos como responsáveis para evitar os maus-tratos a animais. 
 
Por considerarmos de elevado interesse público, apresentamos as orientações desta associação sem fins lucrativos que leva a cabo um trabalho notável na região algarvia, acreditando que estes dados possam prevenir situações como as descritas e outras que possam estar bem debaixo do nosso terraço… 
 
Assim, podemos recorrer à ajuda das forças de segurança através do seu sítio na internet, onde existe um formulário próprio para este tipo de casos. 
 
Devemos fazer uma descrição o mais detalhada possível dos maus-tratos e fazer chegar a quem de direito, seja na PSP ou na GNR, mediante a área geográfica. 
 
Também os serviços de protecção civil, agregados aos bombeiros podem dar algumas orientações importantes, tal como as autarquias através do serviço de fiscalização. 
 
Neste caso, a autarquia envia os seus técnicos com vista a avaliar um conjunto de pormenores, como sendo maus cheiros, condições de habitabilidade e daí por diante. 
 
Este procedimento faz com que os donos dos animais sejam informados de que algo não está nas devidas condições e dá-se início a um processo. 
 
Também existem associações de apoio aos animais em muitas zonas do país que podem dar uma ajuda, bem os locais onde existe um canil. 
 
Importa reter que, ser cúmplice de maus-tratos é o mesmo que os praticar e que, uma vida animal não pode ser confundida com a de um objecto escravizado e a nosso belo prazer. 
 
Os animais cumprem com a sua parte do acordo, e merecem que os donos igualmente cumpram as suas responsabilidades. 
 
Não nos podemos esquecer que, um cão precisa de passear e que se destrói tudo em casa e quando é agressivo, é porque não estamos a cumprir a nossa obrigação de os libertar, de os cansar, de os levar a passear e a brincar. 
 
Este é um exemplo que pode ser colocado ao ser humano: estar fechado entre quatro paredes, dias, meses, anos até que a vida se perca sem prazer, sem alegria… 
 
Para facilitar a reflexão, apresentamos um texto de Sophia de Melo Breyner Anderson que pode dizer muito: 
 
“O TOP” 
 
Eu vivia naquela quinta. Quinta com muros, com um tanque geométrico para o qual caía a água de uma larga torneira. 
 
Eu saia da quinta lendo. Lendo o que podia. 
Ao meu lado, sentava-se o grande cão que, durante todo o ano, estava só entre aqueles muros. 
 
Era o “TOP”. Castanho de olhos mansos e bons. 
 
“TOP” de vez em quando batia-me no braço, no livro, como se me dissesse: 
- Estou aqui. Lembra-te de que existo. 
 
E a minha mão escorregava-lhe pela cabeça sedosa e triste, pedindo-lhe que me desculpasse estar desatenta à sua solidão tão humana. 
 
Porque “TOP”, assim, ensinou-me a liberdade imensa que é o olhar preso de um cão. 
 
Ensinou-me a liberdade de tudo o que contém amor…  
 
 
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