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Mulheres:Um alvo de pressão social?

Mulheres:Um alvo de pressão social?
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15-12-2015 - 12:08
Arrasta-se há séculos e, se por um lado, marca a diferença de género, por outro constitui uma forma de dependência e de conflito interior.
 
São muitas as mulheres que se interrogam “porquê?” e a resposta tarda em chegar.
 
Uma publicação recente no You Tube apresenta as 48 “coisas” que acabam por crescer com o sexo feminino e não com os homens. Essas “linhas de orientação estritamente femininas têm resistido ao progresso e, nem as mudanças de mentalidades têm conseguido inverter.
 
A mulher deste tempo conhece diferenças na forma, mas poucas alterações em termos de conteúdo, o que nos faz pensar, sobretudo numa altura do ano em que temos mais tempo para colocar “os pensamentos nos devidos lugares”.
 
Qual será a razão de base para que, neste tempo, uma mulher tenha de ser mãe e de se casar? E de não poder ascender na carreira ao lado ou acima dos homens?
 
E no que se refere à imagem, qual é o motivo que justifica que a mulher tenha de estar sempre impecável quando o homem não tem qualquer imposição? Isto para não falar na depilação, nas idas ao cabeleireiro, manicure, massagens, buço e sobrancelhas, ter de fazer dieta, manter a linha e um corpo sempre jovem…
 
Ao mesmo tempo, não se pode descurar as lides domésticas, mas também não se pode deixar de lado a oportunidade profissional que este tempo lhes deu, pois “se a mulher desiste da carreira, nunca mais lá volta e tem a responsabilidade perante as outras que igualmente perdem esse direito!”
 
Mas “não se pode esquecer de que, ser mãe é fundamental, casar é essencial, pois no meio profissional isso conta e, muito”!
 
O cabelo tem de estar sempre cuidado, pois é a primeira imagem da mulher, logo a seguir à maquilhagem, à bijuteria, aos tons utilizados no vestuário, à cor dos sapatos a combinar com a mala ou carteira.
 
Mas as regras não se ficam por aí! Ter atenção quando se veste calças, como se senta, não abrir demasiado as pernas numa cadeira, manter a coluna direita, saber colocar o tom de voz numa conversa, ter as unhas adequadas à ocasião, tal como os óculos de sol e as lentes de contacto!
 
Jamais esquecer que o perfume deve estar na dose certa e com a fragrância adequada, tal como o tom da maquilhagem, em especial o baton.
 
Mesmo depois de tudo isto, é preciso estar alegre e feliz, sob pena de ser mais criticada, pois não deixa de o ser, já que o mundo feminino não perdoa! A mulher estará “mais protegida” se o decote não provocar demasiado os homens presentes na sala ou se a medida da saia não sobressair! Logo, vale a pena tratar também destes aspetos antes de sair de casa. 
 
É ainda essencial hidratar o corpo, o rosto, pois são sinais de que está bem e que será melhor aceite socialmente. As olheiras têm de ser disfarçadas, já que ninguém se deve aperceber de que dormiu mal a noite! Há cremes para tudo e mais alguma coisa, mas a felicidade continua sem marcar presença. Porquê?
 
Porque a pressão social sobre a mulher é brutal e geradora de muitos conflitos interiores. A mulher sofre porque não consegue corresponder a tantas exigências, porque na maioria das vezes, a beleza tem de ser construída artificialmente e resta muito pouco tempo para si mesma, para gostar de quem é, e para valorizar outras dimensões da vida. 
 
A mulher apercebe-se rapidamente que, se não cuidar da aparência pode comprometer a carreira, o casamento e até as amizades, logo sente-se obrigada a corresponder a essas exigências pelo medo da rejeição e pela falta de oportunidades. Sente que tudo depende de si e dessa força para transformar as suas caraterísticas biológicas.
 
Depois, apesar da boa aparência, é criticada por não saber falar e por não conseguir estar à altura das ocasiões. O problema é que a mulher dedica tão pouco tempo aos livros e ao conhecimento no meio desta preocupação com a imagem, que muito fica pelo caminho, até a sua capacidade de reação ao sistema de que depende.
 
A par desta realidade, existe um outro problema que se prende com a crescente exigência, pois mal se conquista um patamar, está outro à espera e a cobrança de outro que ainda não se alcançou, como que dizendo “chegaste aqui, mas ainda te falta tanto…” E essa imposição vem de dentro de casa; da mãe, da tia, da avó, da madrinha… todas querem que a mulher seja o máximo e, por isso exigem, exigem até que ela não aguente mais, desista de tudo e comece a viver! 
 
É nesse momento que muitas mulheres comem “pelos cotovelos”, atiram as roupas ao ar, as maquilhagens à vida e mudam de rumo! Mas já sofreram e são pouco falados os seus exemplos de renúncia a um conjunto de exigências que aumentam a cada nova descoberta de beleza. Todas têm de estar na linha da frente, têm de ganhar dinheiro para suportar essa despesa e, se necessário, não desfrutar de nada, pois a vida feminina é uma aparência quase completa.
 
Se “responsabilizamos” as outras mulheres pela competição, não podemos deixar de encontrar os principais “culpados” do sistema. As empresas de publicidade que exibem modelos de beleza e que “condenam” quem não cumpre um determinado padrão. Os laboratórios de produtos de emagrecimento não escapam também à sua função de iludir e de persuadir à criação de um corpo esbelto e perfeito, dando a ideia de que, não existe nada para além dessa condição.
 
A acrescentar, não podemos deixar de referir os centros de estética que se esforçam por transmitir as suas condições de beleza como um requisito à vida social.
 
A mulher de hoje é produto de uma medicina qualquer que, mesmo modificada, não consegue ser feliz e uma jovem eterna! Mas passa uma vida de esforços e de conselhos para com as suas filhas, pois se sentiu na pele a pressão social, esta mulher não vai deixar de a transmitir a alguém. Será por isso que ainda temos estas ideias que em nada conduzem à saúde?
 
Tornou-se tradição alimentar uma poderosa indústria que se compromete a melhorar a imagem da mulher. Mas e o que fazer à natureza feminina que, neste enquadramento, deixou de ser aceite, valorizada e respeitada?
 
É unânime a posição de que naturalmente a mulher acumula mais gordura que o homem, então desde que nasce tem de lutar contra esta força da natureza e ser esbelta? Tem de passar a vida a fazer dieta, a tomar comprimidos para emagrecer, a pesar-se quase de forma compulsiva e a dedicar grande parte da sua felicidade ao objetivo de perder peso?
 
Este é um exemplo da pressão a que muitas mulheres estão sujeitas no nosso mundo. O mesmo estende-se ao casamento e a ter de ser a esposa do Sr. X, a ter o seu apelido e descendentes, sob pena de lhe serem vedadas oportunidades profissionais e mesmo sociais.
 
Importa sublinhar que, apesar da pressão, são cada vez mais as mulheres que romperam com esta dependência, seja dos maridos, seja das empresas de publicidade, seja das revistas e quaisquer orientações de moda. 
 
Adotaram o seu estilo, vestem-se de acordo com a sua forma de ser e de estar no mundo, escolhem se querem ou não cuidar das unhas, quando cuidam do cabelo, se fazem ou não dieta e daí por diante.
 
O produto final destas mulheres? Umas casaram porque quiseram, outras abdicaram pelo mesmo motivo. Há mulheres que decidiram engravidar sem ter um companheiro, tal como escolheram a sua profissão à margem da vontade dos pais.
 
Decidiram deitar fora os vestidos brancos e os laços azuis, vestiram uns jeans e, não perderam um lugar na sociedade por isso!
 
Cuidam de si a seu belo prazer e desligaram-se de orientações impostas pela família e pela sociedade. São felizes à sua maneira, vestem pijama quando e porque querem e jamais se escondem em casa quando não aguentam a pressão social, tudo porque esta lhe passa ao lado!
 
Estas mulheres ficaram com mais tempo para ler, para praticar desporto, para amar e serem amadas, para desfrutar da vida com qualidade e saborearem cada refeição com qualidade e saúde. Não se preocupam em comer um pastel de nata de vez em quando, muito menos em sair de casa sem baton!
 
Muitas são reconhecidas profissionalmente e até ganham mais que os homens, o que traduz algo muito importante: afinal, a imagem não é tudo na vida, nem um requisito essencial para casar, ter sucesso e ser feliz!
 
 
 
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