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O que deve saber sobre a imaturidade

O que deve saber sobre a imaturidade
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18-11-2015 - 17:51
O problema da imaturidade tem vindo a ser tão descurado nas nossas sociedades que se passou a aceitar com naturalidade que uma criança de seis anos ainda urine na cama ou que chuche no dedo, tal como um adulto se preocupe excessivamente com o corpo e que mantenha comportamentos infantis.
 
Efetivamente existe uma idade própria para que se façam determinadas conquistas, mas a instabilidade em que vivem muitas famílias, a insegurança e o medo que orienta os pais, vai dando lugar a um modelo de educação pouco baseado na exigência e um reflexo da sua própria imaturidade enquanto progenitores.
 
A comunidade científica tem vindo a manifestar sérias preocupações em torno deste problema, uma vez que, “um ser imaturo é capaz de cometer os mais estranhos atos em termos sociais e comprometer o desenvolvimento da sua vida e da dos outros.”
 
Um breve apontamento da psicoterapeuta Heloísa de Resende Pires Miranda, pode ajudar-nos a compreender melhor o que é a imaturidade e como se pode ultrapassar essa incapacidade pessoal de fazer face aos desafios em cada etapa de vida.
 
Ao mesmo tempo, esta especialista apresenta alguns pontos a evitar quando de educação se trata, bem como a superar um problema que, em seu entender, vai ganhando expressão nas nossas sociedades.
 
Para esta técnica do INACOP - Instituto de Aconselhamento e Psicoterapia, são muitas as vezes em que “os pais me perguntam se é normal uma criança chuchar no dedo e urinar na cama aos seis anos de idade. Na realidade, é tão ‘anormal’ tal acontecer quanto constatarmos que temos adultos que não sendo crianças, se comportam como elas.”
 
Quer isto dizer que, é comum que “o desenvolvimento físico não se faça acompanhar pela maturidade afetiva, o que requer um grau de exigência grandioso dos pais e educadores de forma a permitir que a criança vá ganhando estruturas mentais que lhe permitam fazer face aos desafios e conflitos diários.”
 
A psicoterapeuta do INACOP,  realça que, “para a comunidade científica, é tão ‘anormal’ uma criança crescida urinar na cama ou chuchar no dedo quanto um adulto apresentar comportamentos desajustados à sua idade. 
 
É comum alguns indivíduos arrastarem comportamentos infantis ou mesmo não colocarem um ‘ponto final’ na etapa anterior, ainda que a adolescência seja o tempo indicado para algumas descobertas e a preparação para a vida adulta.”
 
Não é de aceitar que um adulto se preocupe excessivamente com o corpo, com a sua imagem e com detalhes que já deveriam ter sido ultrapassados nas etapas anteriores, o mesmo acontece com as escolhas que, o mais possível, devem ser orientadas para a sua idade, mas nem sempre é assim, afirma Heloísa.
 
Do ponto de vista psicológico, “diz-se que um indivíduo é imaturo quando há um desnível entre a sua idade cronológica (idade real, em termos quantitativos quanto ao número de anos de vida) e o seu comportamento.”
 
Existem casos em que “ocorre um desenvolvimento positivo em termos físicos, mas ao mesmo tempo, os sujeitos apresentam uma espécie de retardo afetivo. Noutras palavras, há um atraso no desenvolvimento psicológico do indivíduo, que o impede de ‘crescer’ e agir como alguém da sua idade.”
 
Em linhas gerais, são conhecidos alguns fatores que conduzem a essa imaturidade e que derivam da infância:
 
Quando a criança é ou foi superprotegida, por qualquer uma das circunstâncias tais como:
-filho único, rapaz. criança muito doente, criança que nasceu após dificuldades as mais diversas (aborto, morte de um irmão ou do pai, saúde precária da mãe, problemas conjugais etc.).
 
Quando a criança é educada num ambiente de instabilidade. Se os adultos que convivem com a criança se mostram contraditórios nas exigências e concessões, gera-se um ambiente de insegurança e confusão que vai intervir no desenvolvimento sadio do mais novo causando-lhe instabilidade e imaturidade.
 
Quando a criança não tem liberdade de ação. Uma disciplina muito rígida pode inviabilizar certas iniciativas da criança, tomando-a dependente e frágil.
 
Quaisquer ocorrências que provoquem danos à evolução natural de uma criança.
 
Os especialistas apontam alguns exemplos de imaturidade infantil a que os pais devem estar atentos:
 
-Enurese após os cinco anos de idade, rompantes temperamentais (birras, agressividade descontrolada), atitudes regressivas diante de certas dificuldades (quando volta a falar como um bebé, ou então a chorar continuadamente, sem ao menos tentar resolver os seus problemas mais banais), mentira, franca oposição a qualquer tipo de autoridade, hábitos diversos (roer unhas, chupar no dedo após os dois ou três anos), dificuldades em dormir sozinha, oscilações de humor, além de outros exemplos no género.
 
Para dizermos que há imaturidade psicológica, não é preciso que ocorram todos esses comportamentos. A presença de um (ou mais) pode ser suficiente para caracterizá-la, sublinha a mesma especialista.
 
Tudo isto se manifesta na vida adulta da seguinte forma:
 
. A pessoa mostra dificuldade em fazer opções (para escolher uma profissão, por exemplo).
 
. A pessoa age mais por impulsos, sem autocontrole ou crítica (o que corresponde a uma falta de disciplina interior).
 
. A pessoa não costuma persistir numa tarefa por muito tempo (isso se deve ao facto de ser imatura tal como a criança medrosa, tem pouca resistência às frustrações e, por isso mesmo, acaba por fugir das situações difíceis, ao invés de enfrentá-las). Ou então, mostra-se irresponsável com os compromissos assumidos.
 
. A pessoa não consegue encarar a vida com realismo.
 
. Geralmente, uma pessoa imatura comete muitos erros também ao criar os seus filhos.
 
Em resumo, a técnica do  INACOP - Instituto de Aconselhamento e Psicoterapia, admite que, o indivíduo imaturo (seja ele criança, adolescente ou adulto) é uma pessoa que consome uma energia muito grande, mas com resultados pouco significativos, ou pouco satisfatórios.
 
Como ajudar uma pessoa imatura?
 
De duas maneiras:
 
1. Uma ajuda de caráter preventivo, o que se obtém através de:
 
Mudanças, sobretudo no ambiente familiar. Esta condição exige que os pais se apercebam do problema e que reajam em prol do futuro do filho. Na maioria dos casos, esta atitude implica mudanças profundas, sobretudo no relacionamento do casal e que se projetam na educação do filho.
 
2. Psicoterapia ou tratamento psicológico para os casos em que a imaturidade psicológica é um fator preponderante na vida do indivíduo.
 
Heloísa de Resende Pires Miranda resume: “do ponto de vista tradicional, apresentam-se os fatores hereditários, psicossociais, económicos, que colaboram positiva ou negativamente para o desenvolvimento psicológico, quase sempre contribuindo para a preservação do estado de imaturidade.
 
Esta imaturidade expressa-se através da preservação dos conflitos, graças aos quais muda de comportamento sem se libertar da injunção causal, que são a frustração, o desconforto moral, a presença da infância. E mesmo quando alcança a idade adulta, o sujeito apresenta reações infantis, na maior parte dos casos destituídas de sensibilidade, no tormento de metas sem significado.”
 
Para o sujeito imaturo “o sentido da vida permanece adstrito ao círculo estreito da aquisição de coisas e à sujeição de outras pessoas aos seus caprichos. Torna-se ditador impiedoso, implacável, juiz cruel. Proporciona-lhe prazer mórbido a dependência das massas e dos indivíduos particularmente, fruindo, de maneira masoquista, do prazer na dor própria ou alheia, desenvolvendo a degenerescência afetiva até ao naufrágio fatal.”
 
Apesar de existir uma relação genética que pode predispor um indivíduo à imaturidade, 
“não podemos ignorar a preponderância do modelo organizador biológico (MOB) responsável pela harmonização dos implementos de que o Espírito se irá utilizar para o seu processo evolutivo no corpo transitório.”
 
Para esta especialista, “um traço comum aos imaturos é a pressa e a inconsequência no que fazem. O seu desejo de realizar projetos é febril e irritante para os outros; não conhecem alternativas, opções, soluções em que não obtenham vantagem. Quando são inteligentes, conseguem agravar esse estado de imaturidade, usando de estratégias perigosas para alcançar os seus objetivos. Têm, boas ideias, mas por norma, acaba por não as conseguir aplicar, muito menos em benefício próprio. É por essa razão que se sentem solitários, gozados e criticados pelos outros, pois não conseguem olhar para os seus atos e escolhas com realismo e de forma adequada. Por norma são pouco sensatos e sem objetividade nos seus planos e concretizações, motivo pelo qual sofrem inúmeras frustrações.”
 
Nunca é demais recordar que, “os imaturos são potencialmente capazes de praticar todo o tipo de ação anti-social. A eles se devem os problemas de trânsito de quem não cumpre regras, as relações familiares tensas e difíceis, os problemas entre colegas de trabalho, entre outros.”
 
O sujeito imaturo causa danos e prejuízos com uma estranha leveza da alma, sempre à espera que ninguém ouse reclamar, impondo os seus modos em total desrespeito às regras e às pessoas.”
 
 
 
 
 
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