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Os pais portugueses exageram na segurança dos filhos?

Os pais portugueses exageram na segurança dos filhos?
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08-10-2015 - 11:52
A resposta tradicional é que os pais se preocupam com os filhos e que querem o melhor para os mais novos, mas nem sempre a proteção é vista como positiva pelos especialistas, uma vez que se tende ao exagero.
 
A questão é levantada após a publicação dos resultados de um estudo internacional sobre mobilidade infantil que coloca Portugal no fim da lista, empatado com a Itália e seguido apenas da África do Sul.
 
O trabalho de investigação aferiu que, os pais portugueses não deixam os filhos se movimentarem sozinhos “por medo que lhes aconteça alguma coisa.”
 
A situação é preocupante na medida em que faz disparar o sedentarismo, enquanto que incentiva o medo. Os pais optam por levar os filhos à escola numa faixa etária em que é fundamental que os mais novos aprendam a fazê-lo individualmente. 
 
O mesmo se passa com as brincadeiras na rua que sempre fizeram parte da nossa cultura e o contacto com outras crianças fora do espaço escolar que é essencial para o desenvolvimento.
 
Se por um lado, a proteção e a segurança devem estar sublinhadas na educação de qualquer criança, por outro, condicionar a liberdade de movimentos das crianças pode ter consequências a curto e a longo prazo, tanto no aproveitamento escolar como na saúde.
 
São muitos os especialistas que têm dado conta deste problema na nossa sociedade. O psicólogo Quintino Aires já tem afirmado diversas vezes no seu espaço televisivo na TVI, a importância de ensinar as crianças a caminhar sozinhas na rua, de as libertar para apanharem o autocarro quando este é o meio de transporte disponível nas deslocações para a escola. 
 
O mesmo especialista realça inúmeras vezes a importância de autonomizar as crianças na idade própria para que sejam, “adultos saudáveis, inteligentes e trabalhadores” e, Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa, também já tinha alertado para o facto de estarmos a criar “crianças totós, de uma imaturidade inacreditável” ao fomentar o sedentarismo, a falta de autonomia e uma linguagem terrorista promotora do “não”. 
 
O problema é sério e envolve toda a comunidade que deve refletir acerca do assunto.
 
Um estudo internacional que compara a mobilidade infantil em 16 países — Austrália, Brasil, Dinamarca, Inglaterra, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Noruega, Portugal, África do Sul, Sri Lanka e Suécia, mostra que Portugal está na cauda da lista, lado a lado com a Itália e antes da África do Sul. 
 
Com estes resultados, “temos os pais mais severos do mundo”, pois no cenário português, não se justifica de forma alguma este excesso de zelo que só está a prejudicar o desenvolvimento das crianças.
 
Os especialistas realçam que, “temos um clima agradável praticamente todo o ano, dispomos de um nível de segurança que é dos melhores da Europa, temos uma natureza e uma cultura interessantíssimas e estamos a desperdiçar essa possibilidade.”
 
As crianças já não contactam com a natureza, já não saem à rua, desapareceram e, muitas vezes, o tempo que lhes restava para poder fazer isto tudo está restringido com atividades fora das horas letivas, reforça Carlos Neto recordando que, “mais vale ter galos na cabeça, que ter problemas mentais no futuro pela falta de aprendizagem da própria vida.”
 
O estudo internacional, Independent Mobility: An International Comparison (Mobilidade Independent, foi desenvolvido pelo Policy Studies Istitute e integra pesquisa conduzida nos próprios países — no caso português, o trabalho teve o nome de “Independência de Mobilidade das Crianças” e é datado de 2012.
 
A comparação internacional contou com a participação de 18,303 crianças entre os sete e os 15 anos, bem como um subconjunto formado pelos respetivos pais, e abrange um período de investigação de dois anos (de 2010 a meados de 2012). A análise permitiu concluir que a mobilidade dos mais novos varia muito nos 16 países estudados.
 
As conclusões deste trabalho permitem afirmar que, os níveis reduzidos de mobilidade das crianças representam uma realidade comum, com restrições significativas em crianças de todas as idades (dos sete aos 15 anos). Apesar disso, as limitações são maiores entre crianças com menos de 11 anos. 
 
Os pais têm receio de deixar as crianças movimentarem-se sozinhas e apresentam os perigos relacionados com o trânsito como a principal preocupação.
 
O país que apresenta melhores resultados é a Finlândia, seguida da Alemanha, Noruega, Suécia, Japão e Dinamarca. Juntos, estes países representam o top 5 tendo em conta a comparação internacional.
 
Pelo contrário, os países com os níveis de mobilidade mais baixos são França, Israel, Sri Lanka, Brasil, Irlanda, Austrália, Portugal e Itália (empatados) e África do Sul.
 
Perante estes resultados, percebe-se que existe no caso português “um exagero face ás movimentações das crianças que, de um momento para o outro, passaram a concentrar-se nos videojogos e a estar em casa, deixando completamente de lado o contacto com o exterior e com toda a diversidade que lhes oferece.”
 
Para Quintino Aires que, muitas vezes tem abordado o problema no seu espaço televisivo, “dá jeito aos pais pegarem no carro e levarem os filhos para a escola. Depois segue-se o conjunto de atividades após as horas letivas e não resta tempo para estar em contacto com outras crianças, com o espaço exterior, com as sensações da natureza e daí por diante. As crianças só brincam na escola e praticam modalidades orientadas, não têm espaço para estimular a criatividade e a autonomia de brincarem e de descobrirem o mundo livremente.”
 
O psicólogo reforça, “Digo muitas vezes aos pais em consulta que devem ensinar os filhos a irem sozinhos para a escola na idade adequada. Os pais ensinam a atravessar a rua, a ter cuidado com o trânsito e a descodificar a sinalização (passadeiras, semáforos, etc.) para se assegurarem que está no momento certo essa autonomia dos filhos.
 
Podem fazê-lo aos poucos e vigiar a criança de longe para corrigir o que não está bem. É fundamental dar esta confiança ás crianças. Faz bem ir a pé para a escola ou de transportes públicos quando é o caso. As crianças fazem-no muito bem e de forma muito responsável quando os pais acreditam neles e lhes dão esse espaço. Além disso, desenvolve o sentido de responsabilidade: essencial para o desenvolvimento humano.”
 
 
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