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Pessoas que não sabem o que querem

Pessoas que não sabem o que querem
Pessoas que não sabem o que querem  
Foto Freepik
Manter uma relação com uma pessoa cheia de dúvidas, insegura, medrosa e imatura não é uma tarefa fácil.

Por norma, são pessoas de ambos os sexos que não desenvolveram a habilidade de olharem para si mesmas criticamente, de interpretarem o que sentem, de tomarem consciência dos seus limites, mas também das suas potencialidades e acabam por viver num enorme vazio emocional, sem saberem o que querem, mas sempre a pedir aprovação, elogios e apoio para tudo.
 
Como não reúnem uma boa autoestima, estão sempre prontas para receber o que os outros têm para lhes dar, mas são pouco reconhecidas porque consideram sempre insuficiente o que recebem, pelo que se tornam muito ingratas, vitimizam-se em demasia e acabam por aborrecer aqueles com quem convivem ou tentam estabelecer uma ligação.
 
É-lhes árdua a tarefa de manter um compromisso saudável, uma relação estável e duradora porque estão sempre inseguras e não sabem se devem ou não arriscar um novo desafio ou exigência, pelo que igualmente são consideradas pessoas pouco confiáveis e instáveis.
 
Quem convive com estas pessoas acaba por desesperar porque investe tempo, energia, sentimentos genuínos, compreensão, palavras de incentivo, mas pelo seu enorme vazio emocional e imaturidade, não conseguem preencher-se e receber o que lhes é dado.
 
Segundo a ciência, a satisfação tem de residir dentro de nós próprios e só depois é que devemos procurar os outros para nos acrescentarmos, pelo que, ao fazerem o processo inverso, estas pessoas acabam por andar sempre à procura de alguém que as faça felizes, que lhes retire o muito sofrimento em que vivem e que, quase “em jeito de milagre”, lhes ofereça um mundo ideal. Ao não conseguirem o impossível, sentem-se cada vez mais frustradas, infelizes e insatisfeitas consigo mesmas, com os outros e com a vida.
 
É comum que estes indivíduos tenham recebido uma educação pouco baseada no rigor, na exigência e na disciplina, que tenham andado como que “à deriva” e que, quando chegam à idade adulta não sabem assumir responsabilidades, prioridades e tirar partido das suas potencialidades, levando a que se tornem pessoas muito dependentes dos outros e, naturalmente que, muito amargas e injustas com quem as quer ajudar.
 
É importante reter que, quando alguém quer saber para onde vai, tem necessariamente que saber de antemão aquilo de que está a fugir, sob pena de não conseguir sair do lugar, nem construir algo. Nesse sentido, nenhum de nós deveria entrar numa relação de maior intimidade sem conhecer-se, sem saber quem é e aquilo que procura no outro, pois caso contrário, estará sempre a colecionar frustrações e a não conseguir perceber a razão pela qual as suas relações não ganham consistência e não são um reflexo de felicidade e de bem-estar.
 
Quando alguém quer construir uma vida em conjunto, procura essencialmente uma convivência baseada no respeito, na compreensão, na cedência, nos limites e nos acordos que permitam que o amor ganhe expressão e que perdure no tempo, mas isso requer uma tomada de posição, responsabilidade pessoal, empatia e capacidade de ouvir o outro e de estar disponível para dialogar abertamente sobre todos os assuntos. Quando tal não acontece, a base é frágil e não estão reunidas as condições para assumir um compromisso, alertam os especialistas em terapia de casal.
 
Segundo Sandra Murray, professora de psicologia da Universidade de Buffalo e especialista em relacionamentos amorosos, os cônjuges que se caracterizam pela clássica insegurança pessoal podem vir a ser verdadeiros sabotadores psicológicos. Não só isso, este tipo de dinâmica onde existe alguém que nunca sabe exatamente o que quer, que não investe de forma clara no próprio compromisso e que duvida de tudo e de todos, define um tipo de realidade bastante comum, mas que muitos parceiros não estão dispostos a aceitar.
 
De acordo com a mesma autora, um dos motivos que leva a que muitas pessoas procurem uma parceria amorosa insegura e instável é o facto de terem vivido uma infância dolorosa, baseada num apego inseguro e evitativo, em muitos casos, com violência de algum tipo ou de terem passado por uma relação amorosa com um narcisista, um agressor ou alguém que lhes provocava muito receio e violência.
 
A expectativa de estar com alguém aparentemente mais dócil, compreensivo, pacífico, leva a que muitas pessoas se envolvam com uma pessoa insegura, medrosa, instável e que arrisca pouco, mas o que aparentemente é uma fonte de segurança e de paz para quem viveu muitos medos, acaba por ser um tormento quando se percebe que a pessoa é mesmo assim, que não vai mudar nem ser capaz de assumir responsabilidades e desafios adultos, explica.
 
Realça a mesma cientista que, as pessoas que não sabem o que querem também não possuem capacidade de entrega e de amar, o que faz cair por terra a ilusão de que ter ao nosso lado alguém tímido, inseguro e medroso é sinónimo de compreensão e de afeto. «Estas pessoas não possuem capacidade de dar o que quer que seja porque estão sempre á espera é de receber e, depois como não desenvolveram habilidades emocionais, acabam por nem sentir, muito menos preocupar-se com os outros».
 
É preciso ter em conta que, ninguém consegue mudar alguém a não ser a vontade da própria pessoa que, ao sentir-se mal com a sua conduta e infelicidade, pode querer dar um rumo diferente à sua vida, pelo que não vale a pena acreditarmos que somos heróis ou salvadores de uma pessoa insegura, instável e medrosa. Podemos sim encaminhá-la para pedir apoio e, em alguns casos, participar no processo e recuperar a relação porque esta pessoa necessita de um tratamento, de uma orientação, de integrar um processo de autoconhecimento, de valorização pessoal, de tomada de consciência de si mesma, de encontro da autoestima para depois poder aceitar-se e assumir-se tal como é e decidir o que não quer ser, alertam os especialistas.
 
Estas pessoas precisam de trabalhar as emoções, de aprender a reservar um tempo diário para si mesmas, de modo a desenvolverem uma boa autoestima, uma base de confiança pessoal, de equilíbrio e bem-estar. Só dessa forma é que vão encontrar valor dentro de si próprias para poderem também valorizar os demais e estabelecer relações de qualidade.
 
O processo é demorado, requer paciência, apoio e compreensão, mas tem de ser o próprio a passar por ele, a querer realizá-lo e a dar um sentido á sua vida. Só assim é que uma pessoa aprende o que deve ser, o que quer ser e para onde quer ir, concluem os cientistas.
 
Já agora registe que, uma relação deve basear-se na responsabilidade de parte a parte, na capacidade de diálogo, que cada elemento saiba o que quer dar e receber do outro, que se conheça bem a si mesmo e que saiba para onde quer ir com quem ama. O amor verdadeiro requer  crescimento e enriquecimento pessoal de parte a parte para que ambos beneficiem de bons momentos, de liberdade e de bem-estar e deve ser sábio para reunir habilidades para enfrentar os desafios da vida que possui muitos obstáculos e dificuldades.