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Como vive a geração que não estuda nem trabalha?
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De acordo com os dados do estudo Education at a Glance 2018, Portugal está em 10º lugar, no ranking de jovens nem-nem, numa lista de 31 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A conclusão é que um em cada sete jovens, dos 15 aos 29 anos, é nem-nem, não trabalha, nem estuda.
 
São jovens que, por norma, são financiados pelos pais, uma vez que não possuem outra fonte de rendimento. Passam os seus dias em casa, ocupados com pequenas tarefas domesticas ou no café com amigos.
 
Na posição dos especialistas na matéria, muitas destas situações são marcadas pelo insucesso escolar, outras pela dificuldade em encontrar emprego e ainda outras em que a falta de esforço e de aceitação das dificuldades da vida, dá lugar a uma rejeição do trabalho e dos estudos. Muitos destes jovens dizem já ter passado, ainda que durante pouco tempo, pelo mercado de trabalho, mas que não gostaram da experiência ou que simplesmente foram despedidos. Por norma, são desmotivados e vêm nos pais o seu suporte de vida mesmo em idades em que assim já não o deveria ser.
 
As dificuldades socioeconómicas das famílias também são uma causa para esta situação de afastamento dos estudos, na medida em que muitos jovens não possuem recursos para poder ingressar por exemplo no ensino superior.
 
Ao Correio da Manhã, a psicóloga clínica Catarina Lucas diz que a maioria destes casos não acontecem por escolha própria. E acrescenta que é nos jovens com menos habilitações que se registam números mais elevados de inactividade. "Talvez isso aconteça porque quanto mais formação o jovem tiver, mais oportunidades surgirão."
 
A mesma psicóloga explica também que, a forma como os currículos são escritos ou enviados prejudica as hipóteses de o candidato ser chamado. "É importante que nos diferenciemos, e isso, às vezes, está nos pequenos detalhes. Quando o jovem não é chamado para um emprego, é importante que faça uma análise sobre os motivos para que isso esteja a acontecer e redefinir a estratégia ou empenhar-se no desenvolvimento de competências em falta e no que o mercado procura."
 
Catarina Lucas adiantou ainda ao CM que, se estes jovens não trabalham nem estudam, a pergunta mais comum será: como é que a geração NEEF se sustenta? Na maioria das vezes, o dinheiro vem dos pais e acrescenta que, perante as dificuldades, os jovens habituam-se à mesada, "Não sei se podemos falar em culpados, mas ao longo dos anos temos assistido a uma tendência para o excesso de protecção dos pais, para um facilitismo através do qual não se aprende a verdadeira dificuldade das coisas. Para a psicóloga, “foi ensinado a esta geração que podem ter tudo sem grande esforço, o que a tornou menos preparada para a adversidade”. Além disso, “foi vendida a ideia de que estudar garantia um bom trabalho, mas quando a altura chegou, não foi o que aconteceu, o que aumenta a frustração e a desmotivação."
 
Perante esta realidade, há muitos jovens que não têm possibilidades de prosseguir os estudos, sejam universitários ou outros que não são financiados pelo IEFP, acabam por terminar a escola quando a mesma deixa de ser obrigatória. Ao não terem um emprego no horizonte, acabam por passar os seus dias sem fazer nada, cada vez mais desmotivados e afastados do mercado de trabalho. Se os pais os continuarem a financiar, mais dificilmente irão ter “de se fazer à vida”, realçam muitos entendidos na matéria, pelo que um ponto importante é os pais os ajudarem não a financiar as suas saídas, mas a construir um projeto de vida que passe pelo seu sustento e autonomia. Aceitar um trabalho como ponto de partida para poder financiar um curso é a estratégia utilizada pelos jovens que não encontram outro tipo de alternativa e, segundo os especialistas, consiste numa excelente oportunidade para conhecer a realidade da vida, as dificuldades da vida real e até para ambicionar estudar e criar novas oportunidades.
 
Os jovens devem manter-se ativos e numa constante procura não só pelo “emprego de sonho”, mas pelo emprego possível para ganhar dinheiro, autonomia e experiência profissional, pois ingressar no mundo do trabalho é o primeiro passo para orientar a vida de qualquer pessoa e para a ajudar a ser mais motivada e confiante.
 
Fátima Fernandes
 
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