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A mudança “tem mais que se lhe diga!”
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No início de cada ano, é comum ouvir expressões como: “vou começar uma nova etapa de vida!”, “a partir de agora nada vai ser como antes!” ou mesmo “estou disposto/a a mudar!”, mas até que ponto estas expressões correspondem a um desejo pessoal?
 
Na posição de muitos psicólogos da Universidade de Mannheim que realizaram diversos estudos sobre o tema, a mudança não é uma opção/escolha do sujeito, mas uma imposição social; uma influência do meio de pertença e uma necessidade de responder a modelos de comportamento.
 
Quer isto dizer que, “uma pessoa não gosta, não quer, nem faz qualquer intenção de mudar o que quer que seja na sua personalidade, simplesmente acaba por não conseguir alimentar essa posição devido ao papel dos outros na sua vida e à consequente necessidade de adaptação a situações novas.”
 
E tudo começa desde cedo, “se os pais não exigirem e não incentivarem, uma criança não evolui: não desperta para a necessidade de aprender, de desenvolver a sua maturidade e de se responsabilizar pelos seus atos, sem esquecer o respeito pelos outros. É confortável seguir um padrão ou modelo de vida.” Contudo, “o próprio organismo exige modificações e adaptações a novas realidades.”
 
Esta posição acaba por contrastar com as habituais “promessas” de alteração de conduta ou de pensamento, pois não é assim tão linear uma mudança. “Dentro do sujeito não existe força suficiente para mudar o que quer que seja. É a vida (através dos outros) que impõe essas condições nos diversos estágios de desenvolvimento, bem como nos desafios que apresenta.”
 
Partindo deste pressuposto, “só muda quem é impulsionado a fazê-lo por qualquer motivo. Normalmente é uma necessidade maior; uma alteração na forma como os outros lidam connosco e com as nossas caraterísticas.”
 
Em suma, a mudança pessoal resulta de uma necessidade social, pelo que, quem resiste a essa alteração, acaba por não fazer parte da dinâmica do grupo a que pertence e a acumular perdas e solidão.
 
Não é por acaso que “a sociedade instituiu uma idade para alcançar determinados objetivos de vida. São esses ‘incentivos’ que fazem com que as pessoas se sintam orientadas e motivadas para seguir um determinado caminho. A idade escolar, a maioridade, o casamento, são alguns exemplos disso.
 
Um percurso sem exigência dá lugar ao desvio e à desorientação, uma vez que não se conseguem cumprir as metas sugeridas e integrar o grupo de pertença.
 
Essas etapas são alinhadas com as capacidades que o ser humano dispõe em cada fase de vida, pelo que, para além de indicadores, acabam por facilitar as escolhas e o posicionamento no percurso de vida.
 
Por muito dura que possa parecer esta visão da realidade, os especialistas afirmam não ter encontrado outras explicações para a mudança ao longo dos anos tendo por base muitos trabalhos científicos realizados.
 
Segue-se o facto de muitas pessoas resistirem à mudança pelo conjunto de medos que vão acumulando ao longo do seu percurso e pela falta de estímulos externos que as conduzem a estados de depressão, ansiedade e fobias resultantes dessa incapacidade de lutar contra o medo.
 
Por sua vez, esse medo refere-se à imaginação; o sujeito visualiza as dificuldades que poderá sentir com uma mudança na sua vida e não consegue ter força interior para enfrentar o desconhecido.
 
São muitos os casos que implicam um apoio psicológico, já que, alterações como estado civil, maternidade, mudança de casa, de cidade ou de bairro constituem verdadeiros dramas que não se conseguem ultrapassar individualmente e que requerem um acompanhamento.
 
Se a imaginação prejudica a coragem para arriscar, também é a falta dela que impede uma atitude, pois para mudar é preciso acreditar nas vantagens e benefícios que se vai encontrar e isso requer capacidade de as idealizar e visualizar. A tomada de consciência da mudança é o seu principal alicerce.
 
Sabendo que o ser humano tem uma maior predisposição para se concentrar no plano negativo, é fundamental estimular o positivo, num trabalho que pode ser demorado, mas cujos resultados compensam. “A psicoterapia é, na maioria dos casos, o método mais eficaz para lidar com o problema.”
 
É de anotar que, o medo é saudável, uma vez que constitui um mecanismo de defesa e reflete conhecimento. Sabendo que algo é perigoso não se arrisca, no entanto pode ser um impedimento quando levado ao extremo e limitar a capacidade de ação do sujeito. É disso que se fala quando nos referimos a resistência à mudança: alterar o nosso território de segurança pessoal. “Tal tem de acontecer igualmente de forma segura e que nos permita estabilidade, o que exige conhecimento prévio e a tal imaginação para ponderar os riscos e aquilo que se pode conquistar de positivo com essa procura de novidade.”
 
Se há quem tema a mudança, também há quem arrisque demasiado em função de uma postura mais distanciada da realidade dos factos. Nestes casos, o sujeito não pondera a mudança interior, mas sim o encontro de novos estímulos que podem condicionar qualquer tipo de mudança. Uma relação extraconjugal por exemplo, não traduz uma mudança, mas sim acrescentar algo ao que se tem. O sujeito acaba por manter um casamento e acrescentar um novo foco de atenção.
 
O divórcio implica mudança quando se fecha a porta do relacionamento anterior e se desperta para as caraterísticas de uma nova pessoa. O sucesso de uma nova relação depende de ambas as partes. Uma que não aceita o modelo anterior e a outra que apresenta o seu novo modelo de vida. 
 
O próprio senso comum explica que ocorre aqui uma mudança, tal como acontece com um novo emprego ou aceitar um desafio mais arrojado de vida que implica adaptações.
 
 
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