Sociedade

Aeronave que caiu no aeródromo de Portimão realizava o primeiro voo do dia

Foto - Depositphotos  
A aeronave que se despenhou no sábado no aeródromo de Portimão durante a operação de recolha de uma manga de publicidade, causando a morte ao piloto, único ocupante, realizava o primeiro voo do dia, indicou hoje a investigação.

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O dado consta de uma nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), hoje divulgada e a que a agência Lusa teve acesso, dando conta de que, após a descolagem, o aparelho sofreu movimentos de quedas das asas, perdeu rapidamente altitude e caiu na pista de nariz em baixo.

O GPIAAF sublinha que o piloto, de 28 anos, “estava devidamente autorizado e certificado para realizar o voo”, acrescentando que que o mesmo libertou a manga antes de a aeronave colidir com o solo.

“As evidências apontam para que os equipamentos/materiais usados para rebocar a manga não estão de acordo com as especificações dos fabricantes, contudo não se pode, nesta fase, afirmar que tenha tido relação com o acidente”, frisa a investigação.

Sobre a história do voo, o GPIAAF relata que na manhã de sábado, uma equipa constituída por um piloto e um ajudante iniciaram os preparativos para mais um dia de trabalho aéreo de reboque de mangas publicitárias ao longo da costa algarvia a partir do aeródromo de Portimão, distrito de Faro.

Enquanto o ajudante preparava a primeira manga, o piloto preparou a aeronave, abastecendo-a com 84 litros de combustível e, pelas 09:17, colocou o motor em funcionamento, tendo-o desligado cerca de 10 minutos depois para permitir a operação de paraquedismo que decorria em simultâneo naquele aeródromo.

Pelas 09:38, o motor foi novamente acionado e a aeronave, modelo Cessna 150F, prosseguiu para a pista de onde descolou às 09:44.

“Às 09:46 a aeronave realizou a recolha da manga seguida de um movimento típico de nariz em cima, engatando com sucesso a manga no gancho. Em sequência e com muito baixa velocidade e altitude, a aeronave realizou um movimento de queda da asa direita seguido de queda abrupta da asa esquerda assim como uma atitude pronunciada de nariz em baixo, perdendo rapidamente altitude”, diz o GPIAAF.

A aeronave ficou destruída, mas todos os componentes foram encontrados próximos do local da colisão com o solo.

O GPIAAF explica que a investigação aberta vai debruçar-se, entre outros aspetos, sobre a condição de aeronavegabilidade da aeronave com análise dos seus componentes críticos, nomeadamente do motor.

O enquadramento e procedimentos operacionais da missão de trabalho aéreo de reboque de manga do operador, incluindo a análise dos materiais e equipamentos usados na operação, e a formação do piloto, a sua experiência de voo na operação, o acompanhamento e suporte prestado pelo operador no aeródromo de Portimão, vão ser outros aspetos a investigar.

Além disso, a investigação vai também verificar a supervisão pelas autoridades de certificação do operador e seus prestadores de serviço de manutenção, relativamente às suas práticas e cultura de segurança da organização, em conformidade com a regulamentação europeia em vigor.

Fonte do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve informou, no sábado, que o alerta foi recebido pelas 09:50 e enviou para o local um dispositivo de 20 operacionais, com oito veículos, entre elementos dos Bombeiros de Portimão, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da GNR, mas não foi possível evitar a morte do piloto, de 28 anos.