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Afinal, o que nos traz mais felicidade, os amigos ou o casamento?
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Na obra “Simplesmente feliz” de Stefan Klein, são apresentados os principais requisitos para a felicidade humana e a melhor forma de encontrarmos esse estado de bem-estar mais vezes.
 
Para este escritor alemão, precisamos de diversidade para sermos felizes, mas acima de tudo, precisamos de relações de qualidade para que possamos desfrutar de melhores momentos. No fundo, temos de encarar a vida como um conjunto de interesses e desafios a que vamos dando resposta, sabendo sempre que, a felicidade e a infelicidade existem dentro das nossas cabeças e que, o ideal é nos descartarmos daquilo que nos impede de sermos mais felizes.
 
Não podendo evitar a infelicidade, podemos simplesmente acentuar os momentos mais positivos para que possamos ser mais felizes, é a posição de Klein que acrescenta a importância de dar ao nosso cérebro o maior número possível de momentos positivos, mas de forma saudável.
 
Para tal, pode ser importante sair da festa no momento em que registamos os melhores momentos com os nossos amigos, em vez de ficarmos para a despedida e para a tristeza que isso nos pode desencadear. São simples truques que nos permitem alimentar mais momentos felizes do que infelizes.
 
Para Stefan Klein, os amigos são essenciais quando nos trazem momentos de prazer, de alegria e nos permitem viver emoções positivas; mais do que negativas. O mesmo se passa com um relacionamento. Se este for saudável e positivo na maior parte das vezes, estamos numa relação equilibrada e isso gera muitos mais momentos de felicidade. Se temos uma relação que nos sufoca, que nos acorrenta e que nos faz infelizes, então mais vale estarmos sozinhos.
 
Na prática, o escritor realça que, a relação amorosa saudável, é a base de vida para o ser humano. A partir desse suporte que nos faz felizes, precisamos de conviver com outras pessoas para que possamos acrescentar essa felicidade e bem-estar.
 
Está provado que, as relações sociais de qualidade aumentam a longevidade, razão pela qual se colocam os amigos em boa linha de conta, mas se essas relações forem tóxicas, acabam por ser tão prejudiciais como o consumo de tabaco para o nosso organismo. Nesse sentido, é essencial compreender que devemos apostar na nossa qualidade de vida e tempo de qualidade com quem amamos e que, ao longo do tempo, podemos ir construindo relações positivas com conhecidos. A alguns podemos chamar amigos, a outros colegas e daí por diante. O mais importante não  é ter um nome para designar alguém, mas sim a qualidade da relação que se consegue estabelecer com outra pessoa.
 
Podemos gostar muito de conversar com um desconhecido na paragem do autocarro e isso não quer dizer que a relação tenha de evoluir para uma amizade. O mesmo se passa com a nossa parceria amorosa que pode e deve ser o nosso melhor amigo; a pessoa em quem confiamos e com quem somos capazes de abrir o nosso coração.
 
O amigo é aquela pessoa com quem se mantém uma relação no tempo, com quem se partilha algo de nós em troca do que o outro nos pretende dar. De uma forma descontraída, as pessoas partilham emoções em alguns momentos, sem que isso constitua uma imposição ou obrigação. É uma relação diferente de todas as outras, mas igualmente baseada no respeito, na compreensão e no prazer de estar com essa companhia. O amigo acrescenta-nos, pois caso contrário, não é amigo.
 
Muitas vezes confunde-se o papel das pessoas na nossa vida, o que leva a conflitos, cobranças e ao mau-estar nas relações, por isso, é importante simplificar. É essencial desfrutar do prazer de conviver com esta ou com aquela pessoa sem uma grande preocupação com o “ter de ser amigo”, já que essa pressão acaba por minar as relações. O facto de queremos à força colocar um rótulo para dizermos que temos amigos, acaba por retirar uma boa parte da qualidade da relação que estamos a viver ou que poderíamos viver com essas pessoas.
 
Nesse sentido, é essencial procurarmos relações de qualidade e não deixarmos entrar todas as pessoas na nossa vida só porque queremos ter muita gente em nosso redor. Temos de partilhar o que somos com pessoas que nos devolvam algo comum, sob pena de não conseguirmos alimentar essa relação e por a mesma se tornar tóxica. Nem todas as pessoas são compatíveis connosco, razão pela qual, nem todos gostam de nós, nem nós gostamos de toda a gente. Saibamos respeitar-nos uns aos outros e permitir que a cumplicidade naturalmente se instale ou determine o desfecho de uma relação, assim de forma livre e descontraída. Não temos de ter inimigos por não sermos amigos de alguém. Temos de valorizar mais os pontos positivos dos nossos amigos e desligarmo-nos do negativo de quem não gostamos ou não queremos para nossa companhia.
 
Fátima Fernandes
 
 
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