A localidade de Alcoutim localiza-se na margem portuguesa do Guadiana, a cerca de 40 quilómetros da foz do rio, e ao longo do concelho há várias localidades ribeirinhas utilizadas por embarcações de recreio, mas os proprietários foram avisados de que as descargas no sistema de barragens Alqueva-Pedrógão poderiam provocar o galgamento as margens, disse à agência Lusa o presidente da autarquia, Paulo Paulino.
Os avisos alertam para a possibilidade de o rio ter uma subida significativa do caudal e galgar as margens, sobretudo nos períodos de preia-mar, situação que já aconteceu, mas, até ao momento, “não houve estragos causados pelo aumento do caudal do rio” e “não há danos a registar”, assegurou o presidente da Câmara de Alcoutim.
“Verificou-se realmente um aumento de caudal, desde ontem [quarta-feira}, a partir do final da tarde, com forte impacto no momento da preia-mar, às 02:00 e às 14:00, em que o rio extravasou as margens, mas sem sair do seu registo máximo”, precisou.
Paulo Paulino disse que a Proteção Civil Municipal avisou proprietários de embarcações que estavam nos cais das localidades ribeirinhas de Alcoutim, Laranjeiras e Guerreiros do Rio para as colocarem em locais seguros, num trabalho que foi feito em coordenação com as autoridades marítimas, através da capitania do porto de Vila Real de Santo António.
“Há casos de pessoas que não se encontravam no local, mas estão avisados”, disse o coordenador operacional do Serviço Municipal de Proteção Civil de Alcoutim, João Simões.
O coordenador da Proteção Civil disse que a vigilância vai-se manter nas próximas horas, apesar de ser expectável uma descida do nível do rio, devido a uma menor precipitação, a um período de maré baixa e à redução do volume de descargas feitas a partir da barragem de Alqueva, que, segundo o autarca, pode começar “a partir do final da tarde”.
“Com a chegada da preia-mar, e como não tem estado a chover, pelo menos na zona do sota-vento [este], é natural que o nível do rio desça”, disse o coordenador da Proteção Civil, antecipando uma situação idêntica na próxima semana, para a qual disse estarem previstos novos “incrementos da pluviosidade”.
Após os alertas para as descargas no sistema Alqueva-Pedrógão, as autoridades apelaram à colaboração da população para a adoção de medidas preventivas, como o reforço das amarrações das embarcações ou a sua retirada da água para locais seguros, a deslocação de animais e bens de zonas inundáveis para áreas seguras ou evitar a circulação e permanência nas zonas vulneráveis.
A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território do continente, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo anunciou que vai decretar situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade.