Ambiente

Algarve tem sete anos para encontrar solução para resíduos ou “o lixo fica na rua”

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O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) alertou hoje para a necessidade de a região encontrar soluções para o destino dos resíduos, sob pena de, em sete anos, os aterros “esgotarem e o lixo ficar na rua”.

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“Daqui a sete anos, se não fizermos nada, o lixo do Algarve fica na rua”, afirmou à Lusa António Pina, defendendo que devem ser estudadas, desde já, alternativas para a deposição e tratamento dos resíduos urbanos produzidos na região.

O presidente da AMAL explicou que os aterros atualmente disponíveis “têm uma capacidade limitada e deverão atingir a sua lotação dentro de cerca de sete anos”, o que obriga os municípios a anteciparem uma solução.

“É preciso começar já a estudar quais são as soluções”, afirmou, apontando três possibilidades: a construção de novos aterros, a transferência dos resíduos para outras regiões ou países, ou a aposta na valorização energética.

O também presidente da Câmara de Faro (PS) reconheceu que existe um caminho a fazer na redução da quantidade de resíduos encaminhados para aterro, mas considerou que esse processo será demorado.

“Com o Algarve, estamos 50% acima da média do país de resíduos que vão para aterro”, salientou, atribuindo parte dessa diferença à forte presença turística na região, que aumenta a produção de resíduos.

Segundo António Pina, os autarcas algarvios “têm solicitado ao Ministério do Ambiente que avance desde já com o estudo das alternativas disponíveis”, para que possa ser tomada uma decisão com antecedência.

“Não podemos ser irresponsáveis de não começar a trabalhar já”, afirmou o autarca, defendendo que “a região precisa de conhecer atempadamente as soluções e respetivas localizações possíveis.”

O presidente da AMAL adiantou que o Ministério do Ambiente está a preparar um estudo sobre soluções e localizações, numa análise que deverá abranger diferentes possibilidades, incluindo novos aterros e unidades de valorização energética.

A União Europeia “é muito contrária a novos aterros”, recordou, acrescentando que a valorização energética dos resíduos “é atualmente uma das hipóteses em análise pelos municípios algarvios”.

O responsável da AMAL reconheceu, contudo, a oposição manifestada por associações ambientalistas à incineração, defendendo que essas organizações devem também apresentar alternativas.

“Temos de ouvir todos e depois tomar decisões”, afirmou, sublinhando que os municípios “estão disponíveis para ouvir propostas” que permitam responder ao problema da capacidade de deposição de resíduos na região.

António Pina insistiu que a responsabilidade de encontrar uma solução cabe aos atuais responsáveis políticos, que não podem esperar até ao limite da capacidade dos aterros para iniciar o processo.

“Não é daqui a sete anos que vamos preparar uma solução”, reforçou, alertando que, “caso não haja uma decisão atempada, o Algarve poderá ficar sem capacidade para depositar os seus resíduos.”

A AMAL defende, assim, que o estudo das alternativas e das respetivas localizações deve avançar com urgência, permitindo aos municípios preparar uma resposta para o período em que os atuais aterros atingirem a sua capacidade máxima.

No sábado, a ministra do Ambiente indicou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com um projeto para a instalação de uma unidade de valorização energética de resíduos na região.

Os atuais aterros em funcionamento no Algarve, em Loulé e Portimão, só têm capacidade para receber resíduos até um período máximo de dois anos, acrescentou, referindo que a região - a que mais resíduos ‘per capita’ produz no país, por os turistas não serem contabilizados para as médias - tem uma produção anual de 400.000 toneladas de resíduos.