Economia

Algarve tem “sinais de recuperação” mas há “fatores de incerteza”

 
O presidente da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA), Vítor Neto, afirma que há “sinais de recuperação” económica na região, mas alerta para os “fatores de incerteza” que aconselham a tomar medidas para precaver o futuro.

“Há sinais de recuperação, mas temos de estar vigilantes e não pensar que está tudo resolvido”, disse à agência Lusa Vítor Neto, que representa principalmente as empresas que prestam serviços para o setor do Turismo, o mais importante na região sul do país.
 
O presidente da NERA congratulou-se pela forma como a retoma da atividade nos últimos quatro meses se está a desenrolar, indicando que há “boas perspetivas” de o nível de atividade económica no Algarve se aproximar no final do corrente ano aos níveis de 2019, o ano anterior ao do início da pandemia de covid-19.
 
“Valeu a pena termos resistido e podemos enfrentar o futuro com mais confiança”, afirmou Vítor Neto, que também recordou que o Governo central “tomou medidas positivas no período mais difícil” da crise provocada pela pandemia, como o ‘lay-off’, que apoiou empresas e trabalhadores.
 
O empresário alertou que, mesmo assim, “ainda há muito para fazer”, havendo “problemas de fundo” e a necessidade de criar mecanismos para reanimar as empresas a médio prazo.
 
No curto prazo, Vítor Neto mostrou-se preocupado com as implicações de alguns “fatores de incerteza”, a maior parte deles ligados à evolução da guerra na Ucrânia, como a inflação cada vez mais elevada e o seu impacto nos preços da energia (eletricidade e combustíveis).
 
Segundo ele, o setor também tem de “vigiar” os fluxos de turismo que podem evoluir no futuro de forma desfavorável, dependendo da situação de conflito na Europa oriental.
 
“Temos de insistir junto das autoridades e Governo para tomarem medidas de uma forma imediata e, sobretudo, preparar o futuro, nomeadamente com um investimento em energias renováveis”, disse o presidente da NERA.
 
Vítor Neto defendeu que as empresas têm de ser mais sustentáveis e passarem a utilizar energias mais amigas do ambiente: “Não é só sobrevivência, também temos de ganhar forças para enfrentarmos o futuro”, disse.
 
Numa perspetiva de médio/longo prazo também alertou para a necessidade de resolução de problemas como a da falta de mão-de-obra, que é nacional e intersetorial.
 
Lusa