Saúde

Álvaro Bila afirma que mortes de utentes em espera no hospital Portimão são graves

Álvaro Bila, presidente da Câmara Municipal de Portimão
Álvaro Bila, presidente da Câmara Municipal de Portimão  
Foto - CM Portimão
O presidente da Câmara de Portimão, Álvaro Bila, afirmou hoje que os casos de alegadas mortes por falta de atendimento no Hospital da cidade são de “extrema gravidade” e exigem “medidas urgentes” para garantir o seu normal funcionamento.

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Em causa estão as mortes de dois utentes que recorreram ao Hospital de Portimão e terão perdido a vida sem que tivessem chegado a ser atendidos, em episódios que a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve determinou a abertura de inquéritos internos para averiguar em que circunstâncias se deram e apurar responsabilidades.

“O que está a ser conhecido sobre o Serviço de Urgência do Hospital de Portimão é de extrema gravidade. Depois da morte de um homem de 87 anos, alegadamente após 12 horas de espera, surge agora um segundo caso: um doente que terá estado cerca de 24 horas sem observação médica. A isto juntam-se as denúncias dos enfermeiros sobre graves problemas de organização e funcionamento do serviço”, contextualizou o autarca, em comunicado.

O presidente da Câmara de Portimão manifestou as suas condolências às famílias, expressou a sua solidariedade com “todos os profissionais de saúde que trabalham diariamente sob enorme pressão” e rejeitou aceitar que esta seja a normalidade, “nem que a população fique sem respostas” no hospital de Portimão.

“Um hospital existe para cuidar e salvar vidas. A falta de meios, de organização ou de coordenação não pode pôr em risco a segurança dos doentes. As denúncias dos enfermeiros têm de ser levadas a sério. Os profissionais têm de ser ouvidos”, defendeu o autarca.

Álvaro Bila pediu por isso ao Conselho de Administração da ULS do Algarve e ao Ministério da Saúde que se apurem responsabilidades nos casos denunciados e se “tomem medidas urgentes para garantir o normal funcionamento do Hospital de Portimão”, anunciando que vai pedir uma reunião urgente à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e à administração da ULS do Algarve.

Na quarta-feira, a Unidade Local de Saúde do Algarve (ULS do Algarve) anunciou a instauração de um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de um homem que aguardava atendimento no Serviço de Urgência de Portimão.

Também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) confirmou à Lusa que vai instaurar um inquérito para apurar as circunstâncias da morte, na madrugada de quarta-feira, do homem de 87 anos, após cerca de 10 horas de espera no Serviço de Urgência do Hospital de Portimão.

Após uma longa espera, o utente não respondeu à chamada, por volta das 04:00, e foi depois encontrado pelos enfermeiros "inconsciente na sala de espera", explicou o presidente da ULS do Algarve.

Numa resposta enviada hoje à Lusa, a ULS do Algarve confirmou a receção de uma exposição interna sobre o funcionamento da urgência do hospital de Portimão e anunciou que “todas as situações que foram aí descritas originaram a imediata abertura de um inquérito interno” para apurar os factos e responsabilidades.

A ULS considerou ser “precipitado tecer mais considerações” sobre esta matéria enquanto não são apurados os factos e referiu que existe uma “permanência prolongada de utentes nos hospitais por motivos de natureza social” que dificultam o acesso de outras pessoas aos serviços.

“Como medida e resposta operacional, para aliviar o espaço destinado a estes doentes no Serviço de Urgência, nomeadamente na área de decisão clínica, foi solicitado aos Diretores de Departamento e aos Diretores de Serviço de várias especialidades que agilizem a transferência destes utentes para as enfermarias dos respetivos serviços”, anunciou a ULS, que procura assim “mitigar o problema” dos casos sociais nas urgências.