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As principais dúvidas e medos dos adolescentes

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Conheça a importância de gerir o peso das decisões e o medo de falhar na adolescência.

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Henrique das Neves, psicólogo clínico, apresentou, num artigo das Farmácias Portuguesas, as principais dúvidas e medos dos adolescentes que conduzem «ao peso invisível das escolhas».

Programas sobrecarregados, testes constantes, rankings e exames nacionais reforçam a ideia de que cada nota dos jovens define o seu futuro. A competitividade entre colegas e a obsessão por médias elevadas transformam o ambiente escolar num espaço de avaliação contínua e de comparações.

Em Portugal, quase metade dos adolescentes apresenta sinais de depressão e, para muitos, a escolha académica tornou-se uma fonte constante de ansiedade, afirma Henrique das Neves.

A pressão começa cedo. Ainda no 9.º ano já se fala em médias, saídas profissionais e «o que dá dinheiro». Aos poucos, o entusiasmo por aprender dá lugar ao medo de não corresponder às expectativas. A vida escolar, que devia ser um espaço de descoberta, transforma-se numa corrida cronometrada onde não há tempo para errar, alerta o psicólogo no mesmo artigo.

O mundo digital trouxe oportunidades reais e entusiasmantes – desde programadores de videojogos a especialistas em marketing de influência e criadores de conteúdos nas redes sociais. Mas a forma como estas carreiras são apresentadas cria um enviesamento perigoso: o sucesso parece rápido, fácil e acessível a todos. Para um adolescente, ver colegas ou desconhecidos ganharem milhares de seguidores, viajarem pelo mundo e receberem patrocínios pode gerar a sensação de estar atrasado ou a falhar. Esta comparação constante ignora o trabalho invisível, a instabilidade financeira e a curta duração de muitas destas carreiras. O resultado é uma pressão silenciosa para corresponder a padrões irrealistas – mais um fator que fragiliza a saúde mental, destaca o mesmo especialista.

Muitos jovens sentem ainda que não estão apenas a decidir o seu futuro, mas também a corresponder às expectativas ou aos sonhos que os pais não realizaram. «Escolhe algo seguro, como eu queria ter feito» ou «Não repitas os meus erros» são frases frequentes que, mesmo ditas com amor, podem gerar culpa, medo de desiludir e sensação de inadequação. Esta cobrança silenciosa aumenta a ansiedade e alimenta a ideia de que o sucesso e a felicidade dependem exclusivamente do cumprimento dessas expectativas, em vez de respeitar os interesses e o ritmo de cada adolescente.

Segundo Henrique das Neves, há formas de aliviar este peso:

Falar e escutar com atenção: conversas diárias sem julgamento, validando sentimentos;

Gerir a ansiedade: exercícios de respiração, atenção plena e pausas no estudo;

Reforçar a autoestima e autonomia: valorizar o progresso e não apenas as notas, permitindo decisões graduais;

Limitar as redes sociais: definir horários de desconexão e de reflexão sobre os conteúdos consumidos;

Apoio escolar e orientação vocacional: mostrar que mudar de curso ou carreira é normal;

Ambiente familiar positivo: promover rituais de conexão e um espaço seguro para o esclarecimento de dúvidas;

Atenção profissional: procurar ajuda especializada sempre que necessário.

Também é importante reconfigurar a narrativa em torno do ensino superior. Um curso não define uma vida inteira. Hoje, as carreiras são flexíveis e muitos profissionais reinventam-se várias vezes. Mostrar aos jovens que podem explorar caminhos diferentes e que mudar de rumo é possível pode libertá-los do medo paralisante de que o erro fica para sempre.

A adolescência é um terreno fértil – precisa de cuidado, não de pressão. E cada adulto atento pode ser a diferença entre um colapso e um recomeço. Porque, no fim, o que mais conta não é escolher o curso certo, mas criar um ambiente onde cada jovem possa, primeiro, escolher ser saudável e feliz, sublinha o mesmo psicólogo.