Esta apresentação insere-se na rubrica: “LOULÉ na linha do tempo”, a ter lugar no Arquivo Municipal de Loulé Professor Joaquim Romero Magalhães, a 21 de março, pelas 15h00.
Conforme se lê na nota divulgada, fundado em Lisboa por iniciativa do rei D. João II, o Hospital Real de Todos os Santos recebeu os primeiros doentes no início do século XVI. A instituição assumiu um papel central no sistema assistencial português da Idade Moderna, embora a população nele tratada permaneça ainda pouco conhecida.
Esta investigação, inserida num projeto de doutoramento em curso, analisa a composição social, os percursos individuais e a cultura material dos doentes internados. Com recurso a métodos mistos, estudou-se uma amostra de 5.959 doentes e 14.548 bens móveis, privilegiando uma leitura interseccional da vulnerabilidade, a partir dos cruzamentos entre género, pobreza, diferença e trabalho.
Examinam-se as dinâmicas do internamento e a integração dos doentes em redes de mobilidade geográfica e de assistência formal e informal, identificando-se indivíduos provenientes de diversas regiões do reino, incluindo dois naturais de Loulé e 39 oriundos do Algarve. A análise da indumentária destas populações pobres e comuns insere-se na cultura das aparências do Antigo Regime, permitindo discutir processos de vulnerabilização social, distinção, civilidade e hierarquia, bem como o papel da mobilidade geográfica enquanto recurso de sobrevivência das populações pobres.
Luís Gonçalves Ferreira é licenciado (2017) e mestre em História (2019) pela Universidade do Minho. Encontra-se a concluir o doutoramento em História Moderna na mesma instituição, com o projeto “Pobres, doentes e esfarrapados? Indumentária de pobres no contexto assistencial urbano do Porto e Lisboa (séculos XVII e XVIII)”, financiado pela FCT e integrado no Lab2PT.
Os resultados têm sido apresentados em artigos científicos, capítulos de livros e em eventos científicos nacionais e internacionais.