Em declarações à Lusa, o Capitão do Porto de Vila Real de Santo António e Tavira, Sérgio Pardal, afirmou que, apesar de o nível da água ter descido "um bocadinho", as ocorrências "ainda não pararam".
"Temos estado a fazer um trabalho contínuo de assistência às embarcações que estão fundeadas ao longo do rio, na sua maioria veleiros”, descreveu.
O também comandante local da Polícia Marítima, adiantou que no final de quinta-feira estavam contabilizadas 18 embarcações assistidas por se encontrarem à deriva e com problemas em fixar-se no fundeadouro.
"Durante a última noite foi auxiliada mais uma e, esta manhã, outras quatro, o que totaliza 23 embarcações assistidas", precisou hoje à Lusa o Capitão do Porto de Vila Real de Santo António.
Sérgio Pardal acrescentou que durante a manhã foi retirada uma pessoa de um dos veleiros, sem que se tenham registado feridos.
"Até ao momento, não há nenhum ferido grave, nem ferido ligeiro", garantiu.
Segundo o responsável, os problemas afetam sobretudo embarcações fundeadas ao longo do Guadiana, algumas com pessoas a bordo e outras vazias, que acabam por ficar à deriva devido "à forte corrente e aos troncos, canas e lixo que se acumulam nas amarrações".
"Esses detritos prendem-se nas amarras das embarcações e dificultam que as mesmas se mantenham em segurança, na zona de fundeadouro", explicou.
Quando isso acontece, adiantou, várias embarcações "vão à garra ou à deriva", o que leva os proprietários ou pessoas de outras embarcações próximas “a pedir apoio, por poder constituir perigo para a navegação”.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.