Constituído por cerca de uma dezena de organizações de defesa do Ambiente, o grupo considerou, em comunicado, que está na hora de agir, porque, sem a criação de uma reserva natural, a “Lagoa dos Salgados continuará desprotegida” e só com esse estatuto, “de âmbito nacional”, se pode “prevenir mortes de animais e fazer gestão integrada desta área”.
As associações lamentaram que, recentemente, tenham aparecido “peixes, caranguejos e aves mortas — entre as quais espécies protegidas como colhereiros, íbis-pretas, garças e patos — na ribeira de Alcantarilha, no concelho de Silves”, e relacionaram esta ocorrência com “baixos níveis de oxigénio na água” e “elevadas temperaturas”, que contaminam a água.
“Mais uma vez, perante temperaturas elevadas e baixos níveis de água, assistimos às consequências da falta de uma gestão proativa de um dos mais importantes sistemas húmidos no litoral algarvio”, alertaram, frisando que “episódios semelhantes têm sido registados em zonas húmidas próximas”, e o problema deve ser encarado de forma conjunta.
“O que aconteceu na ribeira de Alcantarilha não é, por isso, uma surpresa, mas sim mais um alerta para a necessidade de haver uma gestão integrada de todo este território. Estas situações são o resultado de uma gestão reativa, que se tem limitado a intervenções pontuais para resolver emergências, pelo que é necessária uma mudança de abordagem focada na prevenção e na gestão proativa para o bom estado de preservação destes ecossistemas”, apelou.
As associações argumentaram que uma reserva natural tem uma “abordagem de proteção integrada” e é importante olhar para as “zonas húmidas, dunas e áreas agrícolas enquanto ecossistemas integrados”.
“Quatro anos à espera da criação da Reserva Natural da Lagoa dos Salgados”, lamentou o grupo de associações ambientalistas, recordando que a criação da reserva natural foi “prometida” há quatro anos e representaria “um passo importante para assegurar a preservação desta importante zona húmida”.
A área em causa tem mais de 400 hectares, abrange a ribeira de Alcantarilha, no concelho de Silves, a poente, a Lagoa dos Salgados, na ribeira de Espiche, no concelho de Albufeira, a nascente, assim como o sistema dunar e as áreas agrícolas envolventes, caracterizou.
O grupo lembrou também que o projeto esteve em consulta pública entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, contou com “mais de 800 participações” e teve um “amplo apoio de cidadãos, organizações ambientais, empresas e entidades nacionais e internacionais”.
“A classificação como Reserva Natural de âmbito nacional foi então considerada a tipologia adequada precisamente pela relevância dos valores naturais presentes, cuja importância não se limita à região algarvia”, realçou, criticando que, passados quatro anos, a reserva ainda não tenha sido criada e os problemas se repitam.
“A classificação como Reserva Natural não impediria, por si só, todos os fenómenos associados a períodos de seca, temperaturas extremas ou baixos níveis de oxigénio. Mas permitiria fazer aquilo que hoje continua a faltar: prevenir, monitorizar e gerir o sistema como um todo”, justificou, reiterando a importância desse instrumento legal para a proteção da área natural e a criação de um modelo de gestão integrado.
Compõem o grupo de associações A Rocha, Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve, WWF Portugal, Associação Vita Nativa - Conservação do Ambiente, Liga para a Proteção da Natureza, Quercus, Sociedade Portuguesa de Botânica, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e a ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável.