Política

BE Algarve fez balanço das Legislativas afirmando-se como a terceira força política

A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda/Algarve, reuniu no último sábado em Faro, para fazer o balanço dos resultados das eleições legislativas de 6 de outubro.

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O partido lamenta o elevado nível de abstenções registado no Algarve – 54%, referindo em nota de imprensa que «as forças políticas não foram capazes de inverter esta tendência, o que demonstra que há muita gente descontente e desiludida e, até, desinteressada em participar num dos atos cívicos da maior relevância – o voto popular».
 
Para o Bloco «os poderes públicos e, em particular, o último governo, que representava uma certa esperança de governação à esquerda, falhou em muito no Algarve», frisando o facto do PS não ter conseguido a maioria absoluta a nível nacional, tendo o BE contribuído para isso.
 
No mesmo balanço concluiu-se que não obstante ter ganho as eleições na região, com um pouco mais de 1 milhar de votos relativamente a 2015 e conquistado mais 1 deputado, neste caso à CDU.«É preciso ter em conta que o PS venceu as eleições no Algarve, mas apenas com cerca de 17% dos eleitores inscritos (considerando 54% de abstenção e 4,6% de votos brancos e nulos)».
 
Mais há direita o Bloco entende que a derrota do CDS e do PSD demonstra que «os algarvios não esquecem os negros anos dos tempos da troika, e cujas nefastas consequências ainda perduram no Algarve».
 
Se a direita perdeu peso, o BE considera que a região ficou mais pobre à esquerda, com a não eleição do deputado da CDU. 
 
Com uma percentagem regional de 12,3% - a mais alta do Bloco a nível nacional nestas eleições – representa também uma «pequena variação negativa» face a 2015, confirmando ser a terceira força política no Algarve e no país.
 
Apesar de não ter conseguido conquistar uma segunda deputada, assume ter alcançado «o objetivo principal» de manter a representação parlamentar, explicando que o governo da “geringonça” reforçou o PS, mas não contribuiu para o avanço eleitoral do Bloco, penalizando «duramente» a CDU. 
 
Ao manter o deputado João Vasconcelos na Assembleia da República, (eleito pelo Círculo Eleitoral de Faro), o Bloco assume que «será o grande referencial das reivindicações, aspirações e lutas do Algarve e das suas populações, apresentando-se como a principal força de esquerda na região».
 
A nível regional, os bloquistas dizem que irão bater-se pelos compromissos que assumiram no seu programa eleitoral, para com o Algarve: mais investimento público, responder positivamente à emergência climática (com destaque para a sustentabilidade dos recursos hídricos, descarbonização  dos modos de transporte e produção de energias alternativas), pugnar por serviços públicos de qualidade (melhoria do SNS, dotar os hospitais públicos dos recursos necessários, construção do novo Hospital Central e médicos de família para todos os utentes), por mais e melhor mobilidade (abolir as portagens na Via do Infante, requalificar a EN125 na sua totalidade, com o resgate da concessão entre Olhão e Vila Real de Santo António, e modernização da ferrovia regional), por trabalho com direitos (combate à precariedade, 35 horas de trabalho semanal para todos, melhores condições de trabalho e salários dignos),  e desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para todos (onde se destacam os apoios à pesca artesanal, o direito à habitação para toda a gente, a defesa intransigente das minorias, a aposta na diversificação económica regional e a luta pela criação da Região Administrativa do Algarve).
 
No próximo dia 23 de novembro está prevista uma visita ao Mercado de Olhão pelas 10h00 e um plenário distrital de aderentes, em Faro, pelas 15h00 com a presença da Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins. No dia 7 de dezembro irá ocorrer um debate na Biblioteca Municipal de Tavira, pelas 15h00, sobre a “Sustentabilidade Hídrica no Algarve”.