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Benefícios de escrever à mão

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A ciência afirma que escrever à mão acarreta um conjunto de benefícios para o cérebro que não devem ser descurados.

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Desde melhorar o foco a fortalecer as vias cognitivas, escrever à mão proporciona benefícios neurológicos que a tecnologia moderna não consegue substituir, lê-se num artigo de Vitória Traverso, publicado no National Geographic, em 2025.

Estudos subordinados ao tema mostram que escrever à mão ativa diversas regiões do cérebro, melhorando a capacidade de retenção da memória e a função cognitiva.

Ao longo da última década, os teclados e os ecrãs têm substituído silenciosamente a escrita nas nossas rotinas quotidianas, desde as salas de aula às reuniões de trabalho. Algumas escolas do mundo até já deixaram de ensinar a escrita cursiva.

Contudo, vários estudos mostram que escrever à mão oferece benefícios cognitivos que as ferramentas digitais não conseguem substituir. “Em termos estatísticos, a maioria dos estudos sobre a relação entre a escrita e a memória [incluindo estudos realizados no Japão, na Noruega e nos EUA] mostram que as pessoas se lembram melhor das coisas que escreveram à mão do que num computador”, diz Naomi Susan Baron, professora emérita de linguística na American University in Washington D.C. e autora de diversos trabalhos de investigação.

Melhorando a capacidade de retenção da memória e os resultados da aprendizagem, a arte da escrita pode ter um impacto significativo na forma como absorvemos e retemos a informação.

As vantagens de escrever à mão podem ser parcialmente atribuídas à participação de vários sentidos no processo da escrita, adianta o artigo da National Geographic.

“Segurar uma caneta com os dedos, encostá-la a uma superfície e deslocar a mão para criar letras e palavras é uma habilidade cognitivo-motora complexa que requer muita atenção”, diz Melissa Prunty, professora de terapia ocupacional na Brunel University London, que investigou a relação entre escrever à mão e a aprendizagem. “Os estudos demonstraram que este nível mais profundo de processamento, que envolve transformar sons em letras, contribui para as capacidades de ler e soletrar nas crianças”, diz Prunty.

Os adultos também beneficiam da natureza laboriosa de escrever à mão. Um estudo com 42 adultos que estavam a aprender árabe concluiu que os participantes que aprendiam as letras escrevendo-as à mão conseguiam vocalizar melhor as letras recém-aprendidas do que as pessoas que aprendiam os novos caracteres dactilografando-os ou simplesmente observando-os.

“Achamos que os resultados podem ser parcialmente explicados pelo facto de escrever à mão ativar diferentes vias para o mesmo conceito”, diz Robert Wiley, professor de psicologia na Universidade da Carolina do Norte Greensboro e co-autor do estudo. Ele explica que aprender uma nova palavra implica associar um símbolo abstrato a informação visual, motora e auditiva. “Escrever à mão pode ativar mais ligações nessas diferentes dimensões, comparado com dactilografar”, afirma.

Através de inquéritos realizados a 205 jovens adultos na Europa e nos EUA, Baron descobriu que muitos alunos diziam ter mais concentração e melhor memória quando escreviam um texto utilizando um instrumento de escrita em vez de pressionando teclas num teclado, o que sugere que o sentido do tacto desempenha um papel fundamental na forma como absorvemos a informação.

O facto de utilizarmos os nossos sentidos nos poder tornar melhores aprendizes pode ser contra-intuitivo, mas atividades como o toque e o movimento ativam as mesmas zonas do cérebro que participam na aprendizagem e na memorização, diz Lisa Aziz-Zadeh, professora no Brain and Creativity Institute da University of Southern California. “O cérebro humano desenvolveu-se para processar informação sensorial e motora ao longo da evolução”, diz, “e essas mesmas regiões do cérebro de processamento sensorial e motor estão agora envolvidas nos níveis mais altos da cognição.”

Para compreendermos melhor como os nossos sentidos influenciam a nossa cognição, podemos pensar no cérebro como uma rede rodoviária, diz Audrey van der Meer, professora de neuropsicologia da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. As redes cerebrais das crianças são como trilhos ténues e serpenteantes numa floresta, afirma. Com experiência e prática, esses trilhos podem transformar-se em vias rápidas que ligam diferentes partes do cérebro, transportando a informação de forma rápida e eficiente.

Segundo a especialista: “Continuar a escrever algumas coisas à mão é um exercício muito bom para o cérebro”. “É o equivalente a fazer obras de manutenção numa estrada movimentada”, pelo que, em seu entender, as escolas devem manter a escrita cursiva nos seus currículos e os adultos devem fazer um esforço por utilizar essa arte diariamente, resume o apontamento da National Geographic.