Uma equipa de cientistas suecos assegura que, qualquer tratamento só é eficaz quando incluímos movimento e vida ao ar livre, a ponto de, muitos médicos recomendarem caminhadas, passeios em contacto com a natureza, viagens e momentos de descompressão associados à prática de exercício físico para tratar problemas de saúde mental.
Também a Cuf evidencia que, a deslocação para fora da cidade, para fazer uma caminhada, sair para a rua - particularmente para espaços verdes e em contacto com a natureza - traz enormes benefícios ao bem-estar físico e mental e ajuda a prevenir doenças e a recuperar de problemas de saúde. Ambientes desagradáveis e artificiais podem provocar ansiedade, tristeza e desânimo, o que pode contribuir para aumentar os batimentos cardíacos, a pressão arterial e a tensão muscular, com alterações na resposta imunitária. Já durante o contacto com a natureza, o estímulo auditivo, visual e sensorial em termos gerais leva a alterações positivas no estado de humor e nos sistemas nervoso, endócrino e imunitário. Há inclusivamente quem defenda que estamos “programados” geneticamente para procurar árvores, plantas e água de rios ou lagos, regista um artigo da grupo de saúde.
A Universidade de Exeter divulgou em 2019 um estudo que concluiu que duas horas por semana em ambiente de natureza são suficientes para aumentar a sensação de bem-estar e de boa saúde. Foram analisadas quase 20 mil pessoas e os investigadores não notaram diferença pelo facto de ser num jardim público urbano ou numa floresta, nem se as duas horas eram cumpridas de uma vez só ou repartidas ao longo dos dias. O tempo era o fator determinante e passar mais do que duas horas por semana ao ar livre tinha efeitos ainda melhores.
A Cuf destaca que, Biofilia é o termo que representa a aproximação à natureza. O conceito abrange desde a procura do contacto com outros seres vivos à incorporação da natureza na arquitetura e na gestão do espaço, interior ou exterior, público ou privado.
Em termos de benefícios do contacto com a natureza, a publicação realça a melhoria do bem-estar físico e mental, porque:
Incentiva a prática de exercício físico
A caminhar ou a fazer desporto, o contacto com a natureza ajuda a manter a forma física. Melhora a respiração e a resistência muscular e o exercício físico praticado permite gastar calorias e controlar o peso corporal.
Estimula a produção de vitamina D
A exposição ao sol promove a produção de vitamina D, essencial para que o organismo absorva melhor minerais como cálcio ou fósforo. Bastam alguns minutos por dia, principalmente no inverno.
Ajuda a reduzir a ansiedade
Substituir o ruído dos carros pelos sons de pássaros, da água ou do vento é relaxante. Os níveis de serotonina sobem, o que aumenta por sua vez a sensação de energia positiva e de atenção.
Melhora a respiração e a visão
O ambiente de uma sala fechada tem efeitos negativos nos pulmões e na respiração. E os ecrãs da TV, computador ou smartphone, para trabalho ou entretenimento, esforçam os olhos. Passar tempo ao ar livre tem um efeito reparador.
Melhora o sono
O contacto com a luz do sol, principalmente de manhã, ajuda a equilibrar o relógio biológico interno, favorecendo um sono mais completo durante a noite.
Contribui para manter a socialização
Se para algumas pessoas estar sozinho na natureza é o ideal, para outras pode ser um motivo para fortalecer os laços sociais. Combinar uma caminhada com amigos ou visitar alguém durante um percurso reforça a sensação de comunidade.
Aumenta a autoestima
O propósito que se encontra no exterior - seja uma caminhada, um passeio de bicicleta, ou atividades de jardinagem - dá uma sensação de “dever cumprido”, de tempo bem passado.
Reforça a concentração
Concluir uma tarefa é mais fácil após uma caminhada na natureza. O exercício físico ajuda, mas o contacto com árvores e plantas também. Um estudo em crianças com défice de atenção notou diferenças entre o efeito de um passeio no jardim e um percurso totalmente urbano.
Promove uma boa imunidade
A luz solar dá mais energia às células T, que ajudam a combater infeções. E o “ar puro” não é só uma ideia - as árvores e plantas libertam fitoncidas, que também reforçam a imunidade do nosso corpo.
Estimula a criatividade
Tal como ajuda a concluir tarefas, passear ao ar livre também tem efeito na criatividade e na inspiração. Os estímulos da natureza, mais relaxantes, ajudam a recentrar a atenção de forma equilibrada.
A Cuf sublinha que, são notórias as vantagens de passar algum tempo todos os dias, ou pelo menos algumas vezes por semana, em espaços abertos, verdes. Quanto mais livre de poluição e de ruído melhor, mas um pequeno conjunto de árvores e relva com bancos de jardim pode ser suficiente para melhorar o bem-estar. E mesmo sem contar com os benefícios diretos de estar na natureza para o nosso organismo, o próprio afastamento - bastam alguns minutos - de outros locais e de situações que possam afetar a nossa saúde já é um ganho. “Prescrever” tempo na natureza é algo que os médicos sempre fizeram como complemento a determinados tratamentos, seja de doenças e traumas ou para questões de saúde mental. Hoje em dia vivemos muitas vezes em situações de ambientes fechados, iluminação artificial e exposição ininterrupta a ecrãs, pelo que caminhar em florestas, parques e outros espaços verdes pode ser o melhor “suplemento vitamínico” ao nosso alcance, recomenda o mesmo grupo de saúde.