Para quem não pode estar um dia inteiro quase ausente de tarefas, é importante que aprenda a fazer pausas ao longo do dia , pois, de acordo com os especialistas, são excelentes oportunidades de restabelecimento físico e mental.
Segundo os psicólogos, o tempo em que estamos sem fazer nada, ajuda-nos a ser mais criativos, a encontrar soluções para os problemas, a construir alternativas a um dilema, a aliviar tensões e a descobrir potencialidades dentro de nós.
As pausas são essenciais para o bem-estar físico, psíquico e emocional, especialmente neste estilo de vida acelerado em que nos encontramos, sem tempo para desfrutar, apreciar, valorizar e até olhar para dentro de nós.
É nos momentos de ausência de atividades que podemos “desligar-nos” do mundo, dos ecrãs, dos muitos estímulos que nos rodeiam diariamente e parar. Ouvir o nosso “eu” interior, escutar os sons da natureza, olhar o céu, o mar, imaginar, idealizar, organizar, dando forma a outras habilidades que guardamos dentro e que, com a agitação diária, acabam por ficar soterradas.
A paragem ajuda-nos também a reorganizar os pensamentos, as emoções e a dormir melhor e com qualidade, daí ser essencial valorizar um dia por semana em que não tenhamos compromissos, em que façamos acima de tudo o que nos apetece, que nos faz bem, permitindo-nos escolher aquilo de que gostamos e rejeitar o que nos incomoda. É aí que se fazem grandes descobertas a nosso respeito e onde reside a nossa paz interior.
Para os psicólogos, o “dia da preguiça” é um verdadeiro ato de autocuidado e resistência, sem metas ou obrigações, apenas presença. O descanso genuíno pode manifestar-se das mais variadas formas e não tem de existir uma regra, pois acabaria por ser uma imposição e por dar continuidade à exigência diária. O dia da preguiça é exatamente o oposto: é estar connosco próprios, com quem nos apetece estar e como desejamos.
A título de curiosidade, o Dia Internacional da Preguiça celebra-se a 7 de novembro e tem o intuito de lembrar a importância de descansar, abrandar e até ser um pouco preguiçoso para atingir um certo equilíbrio e bem-estar individual. Não fazer mesmo nada pode ser uma excelente maneira de contrabalançar a natureza acelerada da vida moderna, recarregar energias, chegar a novas ideias ou ser mais produtivo, afirma um artigo da Una Seguros.
Os horários preenchidos e a tendência para ocupar cada momento do nosso dia a dia com trabalho e atividades fazem-nos muitas vezes esquecer da importância de parar. E quando temos algum tempo de inatividade, recorremos frequentemente a dispositivos eletrónicos para preencher essa lacuna.
Mas vários estudos apontam para que tirar tempo para não fazer nada e deixar a mente vaguear podem ser fatores decisivos para uma melhor saúde mental e, consequentemente, aumentar a produtividade e a criatividade, alertam os especialistas no mesmo artigo.
Os períodos em que não se faz nada não devem ser confundidos com preguiça ou falta de vontade. E apresentam alguns benefícios, como:
• Ajudar na resolução de problemas
As pausas melhoram a capacidade de pensar logicamente, de resolver problemas e de tomar decisões.
• Estimular a criatividade
Quando a mente vagueia, é mais provável que possa ocorrer uma ideia inovadora. Afinal de contas, a Lei da gravitação universal do cientista Isaac Newton foi inspirada depois de ter observado uma maçã a cair, enquanto passeava num pomar.
• Melhorar a aprendizagem
Ouvir uma longa palestra ou ler um livro durante horas, por exemplo, podem sobrecarregar a mente. Fazer uma pausa proporciona ao cérebro tempo para processar, consolidar e armazenar a informação que recebeu
• Aumentar a produtividade
Realizar pausas melhora a concentração e a atenção, potenciando a eficiência e a produtividade quando se regressa a uma tarefa.
• Inspirar mudanças
Tirar tempo para refletir pode desencadear a procura de um sentido mais amplo sobre as nossas ações. Uma pausa pode levar a ver mais para além das tarefas diárias. E a tomar decisões sobre novos caminhos e objetivos para a vida.
• Melhorar o estado de ânimo
Todos podemos sentirmo-nos sobrecarregados com o trabalho, a escola ou as responsabilidades familiares. Descansar a mente ajuda a regular as emoções e permite encontrar prazer na ociosidade ou a saborear uma experiência.
Embora não exista uma receita rígida e rápida para saber quando ou com que frequência fazer uma pausa, é importante reconhecer os sinais de que precisa de uma. O hábito intencional de fazer um intervalo mental pode mudar a sua vida. Por isso, habitue-se a reduzir as distrações tecnológicas, como computadores, smartphones ou televisões.
Faça pausas diárias, criando os seus próprios rituais. Por exemplo, fazer passeios matinais, sentar-se em silêncio enquanto bebe a sua chávena de café matinal ou olhar pela janela no intervalo do trabalho. Acima de tudo, permita-se fazer pausas – encare estes momentos como uma parte essencial do seu autocuidado, sugere a publicação da Una Seguros.
Registe ainda que, as crianças também precisam de um tempo diário ausente de tarefas e de obrigações e, por que não fazer essa pausa em família e deixar que a criatividade anime o momento? Afinal, não temos de estar sempre carregados de regras e de obrigações. Faz muito bem deixar “deslizar” a imaginação, sentir o que nos apetece fazer e desfrutar de uma refeição mais demorada, de umas gargalhadas, de uma boa conversa, de uma história criativa e lida em voz alta. Chame também os jovens para essa pausa e veja o quanto também eles vão sentir-se mais livres, felizes e descontraídos e, não custa nada, é só uma questão de incluir esse espaço no nosso plano diário.