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Benefícios e prejuízos de sair da zona de conforto

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É comum ouvirmos dizer que é muito importante sair da zona de conforto; contudo, é essencial conhecer os benefícios e os prejuízos para que possamos posicionar-nos melhor.

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Tendo por base um apontamento do Provocações Filosóficas, «muitas pessoas acreditam que o simples facto de saírem da zona de conforto parece funcionar como uma receita para o sucesso e a felicidade»; «no entanto, devemos considerar que a zona de conforto pode ser um lugar de equilíbrio e segurança, e que as cobranças modernas e comparações com terceiros podem levar-nos a um ciclo de insatisfação para com a vida e para com as nossas conquistas».

O Provocações Filosóficas regista que «a zona de conforto é um estado psicológico em que nos sentimos seguros e confortáveis na nossa rotina e ambiente familiar. Essa sensação de estabilidade é essencial para a nossa saúde mental e física, já que nos permite lidar com o stress e os desafios quotidianos com mais tranquilidade».

Nesse sentido, «procurar constantemente sair da zona de conforto pode levar-nos a um estado de ansiedade e tensão, que pode comprometer-nos a qualidade de vida e o bem-estar».

Além disso, «as cobranças externas e as comparações com terceiros podem levar-nos a uma busca incessante pelo sucesso e pela realização pessoal, muitas vezes a qualquer custo».

O Provocações Filosóficas destaca ainda o papel das redes sociais que, quando mal utilizadas, podem conduzir-nos a uma comparação excessiva, a um permanente sentimento de impotência devido aos comentários depreciativos, a uma exposição constante, ao medo de falhar e de não corresponder ao que os outros esperam de nós e daí por diante. Quer queiramos quer não, se tivermos o hábito de partilhar a nossa privacidade, acabamos por estar muito sujeitos à aprovação dos demais e a uma necessidade constante de mudar algo em nós e na nossa vida para que nos sintamos em permanente movimento e a enfrentar novos desafios e aventuras, em muitos casos só para receber “aplausos dos outros” e, muitas vezes, contra a nossa própria vontade e necessidade. Também é frequente que muitas pessoas vivam de aparências e numa base superficial só para mostrarem aos outros que estão em constante mudança e que “não estagnaram no tempo”, o que conduz à frustração, ao desconforto e à pouca satisfação para com a vida.

Em contrapartida, quando estamos na zona de conforto, temos a oportunidade de valorizar as coisas simples da vida e de apreciar as nossas próprias conquistas, mesmo que pareçam pequenas. O conforto permite-nos desfrutar de mais tempo de qualidade, estabilidade e bem-estar e de aproveitar mais e melhor o que somos e temos. O conforto ajuda-nos a proteger a nossa privacidade, a estarmos menos expostos aos outros e a aproveitarmos mais os momentos, o que nos leva a um maior estado de felicidade.

O Provocações Filosóficas sublinha ainda que sair da zona de conforto nem sempre é uma tarefa fácil. Muitas vezes, as cobranças externas levam-nos a assumir desafios muito superiores à nossa capacidade, o que pode conduzir-nos ao fracasso e a um aumento da frustração.

«Quando os objetivos são adequados às nossas características e capacidades, pode demorar mais tempo, mas efetivamente permite-nos construir uma trajetória mais segura, estável e que vai ao encontro daquilo que nos proporciona prazer e gratificação, o que naturalmente garante mais aprendizagem e gratificação pessoal», garante o mesmo apontamento.

Deve-se também considerar o facto de que muitas vezes não sabemos o que realmente queremos. A pressão para sair da zona de conforto pode fazer-nos perseguir objetivos que não são realmente importantes para nós, mas iniciamo-los  apenas porque achamos que devemos fazer algo novo e desafiador. Isso pode levar-nos a perder tempo e energia em algo que não nos trará satisfação real, pois a zona de conforto varia de pessoa para pessoa, de acordo com aquilo que cada uma considera mais relevante.

Uma mulher pode realizar-se no casamento, enquanto outra valoriza mais a carreira, por exemplo e, na prática, nenhuma está certa ou errada; simplesmente uma sente-se mais confortável em família e a outra em sociedade. Logo, não faz sentido imitarem-se, mas sim respeitarem que cada uma tem a sua zona de conforto, ou seja, a área de vida onde se sente melhor e mais realizada.

A zona de conforto pode ser vista como um lugar seguro e saudável, onde podemos concentrar-nos nos nossos objetivos e desenvolver-nos como pessoas. Embora seja importante delinear novos desafios e sair da nossa zona de conforto, essa busca deve ser feita de forma consciente e saudável, sem permitir que a nossa vida se torne numa correria constante por novos desafios e conquistas e sem que tenhamos capacidade de gostar do que temos, fazemos e alcançamos; mas é o que acontece em muitos casos e que nos leva a um ciclo de insatisfação constante.

Acima de tudo, é fundamental que cada pessoa respeite o seu próprio ritmo, que faça planos de acordo com as suas habilidades, que esteja disponível para evoluir, aprender e desenvolver-se, mas sempre dentro dos seus limites individuais e não só porque os outros assim o desejam ou tentam impor. Cada pessoa deve sentir-se livre para fazer as suas escolhas, aceitar-se, respeitar-se e devolver o mesmo respeito por quem faz outras opções e segue o seu estilo e ritmo de vida, recomenda o Provocações Filosóficas.

Os especialistas lembram que sair da zona de conforto permite desenvolver o autoconhecimento, acelera o desenvolvimento pessoal e aumenta a resiliência.

No entanto, os prejuízos incluem o risco de exaustão mental, ansiedade e desperdício de energia caso a mudança seja feita sem planeamento ou propósito claro.

De acordo com os investigadores, sair da zona de conforto beneficia:

Neuroplasticidade: As novas experiências estimulam o cérebro a adaptar-se e a criar novas conexões cognitivas.

Autoconfiança: Superar o medo do desconhecido prova que é capaz de lidar com imprevistos, aumentando a sua independência.

Mais criatividade: Sair do piloto automático força a encontrar soluções inovadoras para problemas novos.

Relativamente a prejuízos, os cientistas resumem-nos assim:

Esgotamento: Stress contínuo e tensão constante podem levar à exaustão física e mental, prejudicando o desempenho.

Falsa sensação de estagnação: Trocar a estabilidade por mudanças constantes pode gerar superficialidade e impedir a consolidação de conhecimentos.

Frustração: Mudanças drásticas sem  consciência e preparação podem resultar em erros desnecessários e perda de motivação.

Os especialistas em bem-estar recomendam: «para um crescimento sustentável, em vez de abandonar a rotina de forma caótica, o ideal é expandir a sua zona de conforto gradualmente».