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Cada pessoa decide quando quer sair do sofrimento
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Desde pequenos, aprendemos a transformar a dor em algo sem importância e somos imediatamente incentivados a esquecer e a colocar para um segundo plano aquilo que sentimos.
 
Tal postura perante a realidade, faz com que nos habituemos a menosprezar aquilo que sentimos e que andemos sempre à procura de alternativas para fugir daquilo que nos inquieta.
 
Está provado que esta atitude não é a mais correta, já que essa dor se vai acumulando e que acaba por se soltar num qualquer momento de vida, muitas vezes sem que o esperemos e consigamos antecipar ou evitar.
 
Os especialistas recordam a importância de dar um tempo para fazer o luto, para que depois se possa entrar na fase de aceitação do que nos aconteceu.Muitas vezes, só é preciso ter alguém por perto que nos compreenda, que nos deixe chorar e passar por essas diferentes etapas até que se consiga superar uma situação dolorosa. O segredo é que precisamos desse tempo pessoal, pois a dor é intransmissível e, não é por alguém a querer desvalorizar que se vai sentir menos sofrimento, muito pelo contrário, quando fazemos um desabafo, procuramos compreensão, respeito e conforto, não que nos digam frases típicas de “deixa estar que isso vai passar”.
 
É importante fazer perguntas e assumir que nem todas têm uma resposta, por muito que quiséssemos compreender a razão para que algo nos tivesse acontecido de uma forma tão negativa. Faz parte do ser humano fazer a si mesmo essas questões, tal como é essencial aprender a respeitar o seu tempo emocional para gerir as perdas e os fracassos.
 
Há um tempo para estarmos tristes e, é bom que saibamos isso para minimizar o sentimento de culpa e a sensação de que somos os únicos a passar por algo mais doloroso. Depois, há um tempo para superar, tempo esse que é definido pelo próprio que sente.
 
A dor é uma experiência transversal a todos os indivíduos que, em algum momento das suas vidas a experimentam, mesmo sem a desejarem.
 
O sofrimento irá sempre acompanhar-nos enquanto habitarmos o solo da existência, e o problema não está nele, mas sim na forma como o compreendemos e reagimos.
 
Naturalmente que temos de ultrapassar e, muitas vezes podemos ter de recorrer a apoio psicológico para que o consigamos fazer. Em teoria, não devemos estar em sofrimento mais de 9 dias seguidos, pelo que, quando se ultrapassa essa barreira, é sinal de que estamos a precisar de ajuda para resolver algum problema que nos é doloroso.
 
Ao mesmo tempo, todos os especialistas sabem que, é o paciente quem decide como é que vai ultrapassar a dor e de que forma se irá sentir melhor nesse processo de superação. É por isso que temos esse compromisso para connosco próprios: decidir como e quando vamos sair dessa sensação negativa. É aí que os amigos e familiares podem assumir um papel importante no que se refere à compreensão. É mais fácil entender o motivo e mostrar que se é solidário com aquele momento do que fazer de conta que nada se passou e que o outro vai ter de superar esse drama facilmente, pois isso em nada ajuda e, em muitos casos, ainda é pior e mais desgastante para quem passa pelo sofrimento.
 
Há quem opte por querer acelerar aquilo que tem de passar por um ritmo natural, razão pela qual o otimismo fornecido por algumas pessoas, é encarado com rejeição e afastamento, já que não é desse tipo de apoio que se necessita num momento difícil. Quem sofre entende como gozo essa forma quase leviana de tratar aquilo que lhe causa sofrimento e que é muito sério e importante para si que se supere natural e calmamente.
 
Uma palavra de conforto e procurar entender o que está a afligir aquela pessoa é o mais adequado neste tipo de situações. Depois, é dar-lhe o tempo de que necessita para fazer o seu luto.
 
À medida em que melhora, o sujeito começa a encontrar as oportunidades e a delinear planos e formas de aceitar o que lhe aconteceu. No caso de uma perda de emprego, por exemplo, é comum que a pessoa invista mais em si e que encare essa perda como uma oportunidade para iniciar algo de novo e para se superar.
 
A perda de algo implica a aceitação e a natural transformação dessa dor. No caso da morte de alguém, o luto tem de passar por algumas fases até que se consolide, razão pela qual é tão importante a pessoa saber com quem pode contar para falar desse sentimento. Normalmente pessoas que passaram por situações comuns, conseguem compreender melhor o que se passa.
 
Seja qual for a situação dolorosa pela qual esteja a passar, é importante compreender-se mais e melhor a si mesmo e ter em mente que, ao seu ritmo e de acordo com a sua forma de encarar a realidade, irá ultrapassar essa situação, mas não faça de conta que superou só para agradar aos outros. Respeite o seu ritmo interior e os seus sentimentos e habitue as crianças a fazerem o mesmo processo de autoconhecimento e de respeito pessoal pelo que sentem. Essa é uma forma positiva de encarar a vida e de aprender a lidar com as dificuldades.
 
De nada nos serve fazer de conta que saímos da dor quando a estamos a sentir. Mais cedo ou mais tarde, essa curva que fazemos, vai obrigar-nos a repetir esse momento e, ás vezes, ainda com mais sofrimento. Se souber que sente quando é que está preparado para superar uma situação, terá a segurança necessária para enfrentar um novo desafio, acredite.
 
Fátima Fernandes
 
 
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