O objetivo passa por mitigar a falta de médicos, garantindo a continuidade do Serviço de Urgência Básica de Albufeira 24 horas por dia e todos os dias do ano.
Durante a sessão que decorreu esta tarde no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o presidente do conselho de administração da ULS Algarve referiu que o acordo dá uma resposta "efetiva" ao que o organismo já tinha manifestado "e que foi prontamente acolhida pelo executivo municipal".
Tiago Botelho assinalou que a questão da habitação é importante para os profissionais do Serviço de Urgência Básica, como para todo o universo de profissionais que prestam serviço nas unidades de cuidados de saúde primários que se confrontam com uma realidade que existe no país. O responsável enfatizou "que não é fácil a quem vem pontualmente prestar serviço a Albufeira poder fazê-lo, tendo que se sujeitar aos preços da hotelaria, que são muito variáveis e nesta altura do ano elevados, como é evidente, e isso é bom para a economia da região, mas pedir a um profissional de saúde que venha desempenhar serviço aqui, durante alguns dias ou, muitas vezes, em turnos de 24 horas, sujeitando-se aos preços da hotelaria, significaria deixar na pernoita o valor do rendimento que viria a auferir por vir trabalhar cá", explicou.
Com a disponibilização de alojamento para médicos em Albufeira por parte do Município, Tiago Botelho fala de "uma alavanca" para manter o Serviço de Urgência sempre dotado de médicos, mas também para ajudar os "especialistas" que fazem o atendimento complementar em Medicina Geral e Familiar a pessoas que ainda não têm médico de família no Centro de Saúde ao fim de semana, e que poderão aceder ao alojamento temporário.
O responsável ressalvou que a Câmara de Albufeira não tinha obrigação de concretizar esta resposta, "a qual por nós é muito bem recebida, porque estamos a trabalhar todos para o bem do serviço público".
Para o autarca de Albufeira, a solução encontrada "é apenas o primeiro passo" para resolver o problema da atração de médicos, referindo que o profissional de saúde, além do seu ordenado, quer também habitação, boas condições de trabalho e ter creche para os filhos, sendo esta uma solução que os municípios têm ao seu alcance para atrair mais profissionais para a região. Rui Cristina vincou que Albufeira é o segundo maior destino turístico do país e o primeiro do Algarve, "e quando chega o verão isto acaba por ser um pouco caótico pelo facto de termos milhares de turistas e, com isso, a necessidade de termos cuidados de saúde primários reforçados. Este protocolo vem nessa senda de continuarmos a ter aqui um médico nesses cuidados primários; gostaríamos de ter o segundo, mas o Município está cá para colaborar".
O edil chamou ainda a atenção para as cerca de 18 mil pessoas no concelho que não têm médico de família, apelando à ULS Algarve para que continue a atrair mais profissionais para a região, reconhecendo que o último concurso em que foram contratados 15 novos profissionais de Medicina Geral e Familiar é um reforço.
À margem da sessão, Rui Cristina disse ao Algarve Primeiro que, "se nós não providenciássemos este alojamento municipal, o que iria acontecer é que não iríamos ter médicos para atender as pessoas".
Ainda na área da saúde, há outro objetivo em cima da mesa que se prende com a instalação em Albufeira de uma Unidade de Saúde Familiar Modelo C, que permite a gestão por entidades do setor privado ou social, mediante contratualização pública. "Como já nos apercebemos, o SNS tem muitas limitações ao nível de ordenados e a Unidade de Saúde Familiar, por ser uma unidade mista, pode ser uma cooperativa ou privada onde os médicos recebem por objetivos, ou seja, vai ter uma maior atratividade destes profissionais". Da parte da ULS Algarve há essa disponibilidade para abrir concurso para uma nova USF; no entanto, o Município, como forma de agilizar o processo, irá tentar arranjar um espaço para a nova unidade de saúde.
O autarca deixou ainda a promessa de que até ao final do mandato haverá, "com ou sem fundos europeus", um novo centro de saúde concluído ao serviço da comunidade. "Para requalificarmos o atual centro de saúde, temos de construir o novo primeiro, e a partir daí podemos requalificar o atual, mas confirmo: é um ímpeto deste executivo acabar o novo até ao final deste mandato", assegurou.