A carrinha da Biblioteca móvel de Castro Marim, que ao longo do ano percorre as aldeias na serra algarvia, estaciona durante o verão em praias deste município, fixando-se, em agosto, à entrada do areal da Praia Verde, para disponibilizar livros a quem frequenta a zona balnear.
A agência Lusa visitou o espaço, falou com leitores e trabalhadoras e constatou que o serviço é procurado por muitos veraneantes que aproveitam o tempo disponível nas férias para se dedicar à leitura, sem a preocupação de carregar livros na bagagem.
Mariana Eça, de 37 anos, é de Lisboa, passa férias na Praia Verde e disse à Lusa que, na sua família, são “muito fãs da biblioteca” de verão, uma iniciativa implementada há três anos pela Câmara de Castro Marim.
“Já conhecíamos este projeto aqui da Praia Verde, acho que é um projeto muito importante e incentiva a leitura nas férias. […] Normalmente trazemos um livro por criança, não vimos sobrecarregados, e isto é uma maneira de ir incentivando a leitura, porque só um livro por férias é pouco e eles, acabando o livro, depois passam o resto do verão sem ler”, afirmou Mariana Eça.
Acompanhada pelo filho Mateus, de sete anos, que ainda está a apreender a ler e precisa de apoio de outra pessoa, Mariana Eça reconheceu que a oferta disponibilizada pela autarquia de Castro Marim permite renovar títulos e fazer as crianças “ganharem o gosto” pelos livros, reduzindo tempo aos ecrãs.
“A televisão e os ‘tablets’ são muito mais acessíveis, é preciso também criar algum espaço para que as coisas funcionem. […] Tentamos, em vez de lhes dar ecrãs no restaurante, porque no verão as refeições demoram muito tempo, porque há muita gente, levar um livro” para a mesa, exemplificou.
Joana Santos, com 30 anos, disse à Lusa que “na altura do verão é quando as pessoas têm mais tempo para parar e ler” e é um acerto fomentar a leitura nas férias.
“Incentivar isso ao pé da praia, acho que é ótimo”, afirmou, considerando que o verão, “especialmente para as crianças, é a altura perfeita para incentivar a leitura” e o gosto pelos livros.
Já na casa dos 60 anos, António Pereira classificou o projeto como “uma boa iniciativa, bastante prática”, ao permitir o acesso aos livros sem carregar com eles desde casa.
“Normalmente trazia livros para ler, assim, já não trago, o que é bastante simpático”, contou, salientando que, para uma “pessoa que gosta de ler, é ótimo” não carregar com livros desde Lisboa.
Clementina Castro, uma das trabalhadoras da biblioteca, fez um balanço positivo do projeto e disse que todos os dias há pessoas a dar os parabéns pela iniciativa e a agradecer ter “um serviço destes, num sítio inesperado”.
“Quando viemos, no primeiro ano, não sabíamos o que íamos encontrar e foi logo um impacto muito, muito positivo. E, cada vez mais, está a crescer, porque mantemos os leitores que já fizemos no primeiro ano, que já vêm à nossa procura, e vão chegando novos leitores”, afirmou.
Segundo a funcionária, os utilizadores perguntam a quem pertence, se é público ou privado, e depois “agradecem, dizem que isto, sim, é serviço público, e perguntam quanto custa”, embora o serviço seja gratuito, salientou.
“Há sempre pessoas a vir até à biblioteca” e há leitores que “encomendam livros de um dia para o outro”, disse ainda Elisabete Santos, outra das trabalhadoras, apontando para uma prateleira com uma dezena de títulos, requisitados na véspera, trazidos da Biblioteca de Castro Marim e que aguardavam a entrega aos requisitantes.
A biblioteca está na Praia Verde até ao final de agosto e está aberta de segunda a sexta-feira, durante a manhã. Fora desse período, os livros podem ser depositados numa caixa de madeira instalada para o efeito no local.
As bibliotecas itinerantes são uma das mais reconhecidas marcas da Fundação Calouste Gulbenkian - que completa 70 anos em 2026 -, promovendo a leitura junto da população com menos acesso à educação por mais de quatro décadas.
Em 2002, o projeto foi descontinuado mas deixou lastro até hoje, tendo sido mantido de forma adaptada por dezenas de bibliotecas municipais, com um serviço itinerante que percorre desde zonas balneares a locais do interior do país.