O episódio do condutor de 35 anos, com 1,29 g/l de álcool no sangue, que ignorou as ordens da GNR e investiu contra peões e agentes em Albufeira, tendo sido detido, «esconde um padrão que não pode ser reduzido à imprevisibilidade de um indivíduo, mas sim à previsibilidade de uma impreparação coletiva», salienta Rodrigo Borges de Freitas, presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP Algarve, numa nota divulgada.
O centrista entende que a «imprevisibilidade do indivíduo não pode servir de álibi para a previsibilidade da vulnerabilidade de um espaço que, há décadas, sabe ser um dos principais polos de concentração pedonal e de diversão noturna do concelho».
Recorda que, em junho de 2026, um atropelamento com fuga em Albufeira vitimou mortalmente uma mulher e deixou um homem gravemente ferido. Em dezembro de 2025, outro atropelamento com fuga deixou um jovem de 18 anos gravemente ferido. Agora, a 25 de agosto de 2026, «dezenas de pessoas foram novamente atingidas na Oura».
Rodrigo Borges de Freitas considera que, apesar de a hotelaria de Albufeira receber excelentes avaliações pela qualidade dos seus serviços, «são cada vez mais os turistas que, apesar dessa qualidade, dizem não ter intenção de regressar em breve ao destino».
Na sua perspetiva, «quando a experiência dentro do hotel é excelente, mas a experiência fora dele é marcada por insegurança, o destino perde competitividade», nota, questionando se o dispositivo de segurança é, ou foi, «suficientemente robusto» quando milhares de pessoas se concentram numa zona de diversão noturna, se as barreiras físicas existentes são adequadas aos riscos atuais e se os acessos estão «efetivamente blindados» nos períodos críticos.
Questiona ainda se existe capacidade para impedir, «de forma inequívoca», a entrada de uma viatura numa zona pedonal cheia e, «sobretudo, por que razão se espera sempre pela ocorrência para melhorar aquilo que já se sabia poder acontecer».
Na nota, o responsável do CDS-PP lembra que a Europa e também Portugal «dispõem de modelos consolidados para zonas de vida noturna ou de grande concentração de pessoas, com pilaretes retráteis, barreiras de alta resistência, controlo físico de acessos, sistemas de leitura de matrículas, reforço de patrulhamento e planos operacionais adaptados aos horários e à densidade pedonal».
Defende que a Rua da Oura deverá assumir «definitivamente» a sua vocação de grande avenida pedonal de Albufeira, «tornando-a numa zona segura para quem vive, para quem trabalha e para quem a visita».
O dirigente considera ainda que «um destino turístico de referência não é aquele que tem mais gente, mas aquele que sabe receber muita gente com qualidade, segurança e organização».
Para Rodrigo Borges de Freitas, a intenção não é criar alarmismo, mas sublinhar «uma preocupação fundada com a segurança e a sustentabilidade do destino», que, segundo afirma, não se limita a Albufeira e se estende a todo o Algarve, «onde padrões semelhantes de criminalidade, acidentes e insegurança têm sido registados». Aponta, assim, para uma discussão pública «feita com factos e não com perceções, para que as soluções sejam eficazes e duradouras».