Segundo deu a conhecer José Nascimento, a moção reconhece que o Algarve tem sido, ao longo das últimas décadas, um dos principais motores económicos do país, "sustentado, em larga medida, pelo setor do turismo, percurso que deve ser reconhecido e valorizado, constituindo o turismo um ativo estratégico essencial para a região e para Portugal", mas que a forte concentração da atividade económica num único setor tem exposto fragilidades estruturais na região.
A moção regista que a dependência excessiva do turismo contribui para a sazonalidade do emprego e para uma maior vulnerabilidade a choques externos, "como ficou evidente em momentos recentes de crise", dando o exemplo de que "muitos trabalhadores, em particular jovens", enfrentam vínculos precários, instabilidade laboral e dificuldades em construir projetos de vida na região, contribuindo para a saída de jovens qualificados do Algarve, "agravando um ciclo de perda de talento que importa contrariar".
José Nascimento defende que o turismo deve continuar a ser um "pilar central da economia algarvia, mas não pode ser o seu único motor", apontando para a diversificação da base económica da região, reforçando a sua resiliência, promovendo o emprego qualificado e garantindo um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável, indo ao encontro do plano de ação “Algarve 2030” que reconhece a necessidade de diversificação económica como prioridade estratégica, identificando setores como a inovação, a economia do conhecimento, o mar e o agroalimentar como áreas de crescimento.
Em suma, a moção aponta 10 linhas estratégicas que devem ser levadas em conta com vista ao reforço da economia algarvia:
Assumir a diversificação da economia da região como prioridade estratégica nacional;
Reforço do investimento em tecnologia, inovação e economia do conhecimento na região;
Valorização e qualificação dos setores da agricultura, do agroalimentar e da economia do mar, promovendo práticas sustentáveis e cadeias de valor locais;
Incentivo à instalação de empresas e atividades económicas fora do setor turístico tradicional;
Combate à sazonalidade e à precariedade laboral, com a promoção de emprego estável e qualificado ao longo de todo o ano;
Desenvolvimento de políticas públicas que promovam a fixação de jovens qualificados, designadamente através do emprego e do acesso à habitação;
Reforço da coesão territorial, com especial atenção ao interior algarvio;
Promoção e articulação entre o turismo e outros setores económicos, potenciando sinergias e aumentando o valor acrescentado regional;
Aposta contínua e consistente na Cultura e no Património Cultural como fatores-chave do desenvolvimento sustentado e com futuro;
Promoção e aposta na chancela UNESCO como fator de desenvolvimento social, coesão territorial e dinamização económica a partir do Algarvensis.