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Como a auto-observação pode ajudar a melhorar a imagem que tem de si mesmo
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Como o próprio nome indica, a auto-observação é uma técnica utilizada para permitir ao indivíduo que se conheça melhor e que tenha uma imagem mais positiva acerca de si mesmo.
 
Segundo Philippa Pery, este processo pode ser efetuado com um psicoterapeuta, numa relação dois a dois, ou o sujeito pode elaborar sozinho o seu processo através por exemplo da escrita de um diário, da prática de exercício físico ou meditação.
 
Qualquer atividade que permita ao sujeito o encontro consigo mesmo é positiva para realizar este processo, em que se pretende precisamente que ocorra “a leitura” do pensamento.
 
A base da auto-observação é permitir que a pessoa se conheça, identifique as suas emoções e consiga sintonizar-se consigo mesma.
 
No seu livro Como manter a sanidade mental, Philippa Pery apresenta um conjunto de benefícios desta técnica que, apesar de já ser utilizada há muito tempo, continua a dar provas de ser muito importante para o desenvolvimento pessoal.
 
A escritora e psicoterapeuta sugere que se dedique um tempo diário a responder a questões tão simples como: O que é que eu estou a sentir agora? Por que é que me sinto assim? O que posso fazer para melhorar esta situação? Como é que me poderia sentir melhor? Uma vez que, na maioria dos casos, podemos estar desalinhados com o nosso próprio pensamento e a necessitar de nos organizarmos.
 
Estas questões permitem que saibamos se estamos bem numa determinada situação, já que as respostas nos ajudam a encontrar a nossa posição pessoal.
 
É preciso ter em conta que, a auto-observação é um caminho que capacita o ser humano a ter uma maior percepção do seu estado emocional. Para fazer esse movimento é preciso uma disposição interior, um desejo de avançar no autoconhecimento e a vontade de despertar uma autoimagem positiva de dentro de si mesmo e fazê-la florescer.
 
Para isso, temos de identificar o que estamos a pensar e a sentir. Temos de ir ao fundo de nós e permitir descodificar o que realmente achamos de uma determinada situação quando, muitas vezes só participamos nela porque fomos convidados ou porque as outras pessoas vão lá estar. Saber a razão pela qual gostamos mais de chá do que de café, por que preferimos um lugar a outro, uma companhia a outra, é fundamental para nos sentirmos mais seguros e confiantes, pois isso implica conhecimento de nós mesmos e uma maior capacidade de nos responsabilizarmos e de decidirmos.
 
É esta tomada de consciência daquilo que gostamos e do que não gostamos que dá sentido à nossa vida, ao nosso equilíbrio e bem-estar e, só sabemos o que se está a pssar connosco se nos reservarmos no direito de ler o nosso pensamento e os nossos sentimentos.
 
A prática da observação de si mesmo oferece muitos ganhos e, por meio dela, é possível conectar-se melhor com a sua essência, na medida em que, ao conhecermos as nossas emoções, torna-se mais fácil distinguir se estamos com raiva ou “raivosos”, sustenta a mesma autora, assegurando que, é muito diferente sentir raiva face a uma determinada situação ou estar raivoso face a tudo. É este exercício de esclarecimento que se pretende com a auto-observação.
 
À medida que construímos este hábito diário de nos auto observarmos, percebemos a facilidade com que nos posicionamos nas situações, o crescimento pessoal que possuímos e a enorme capacidade de darmos resposta aos nossos problemas. As relações com os outros melhoram significativamente, uma vez que não perdemos tempo e energia com conflitos, e encontramos com mais facilidade um estado de equilíbrio e de bem-estar.
 
Estar em sintonia com aquilo que somos na realidade, possibilita a conexão com o “eu maior” (que também podemos chamar de grandeza interior), pois quando reconhecemos que o único responsável por tudo o que acontece na vida somos nós próprios e que temos a responsabilidade de alterar aquilo que é possível e que nos é acessível, enfrentamos a realidade com outra força pessoal, determinação e apreço por nós próprios.
 
Philippa Pery reforça a importância de celebrarmos aquilo que conquistamos, já que essa é uma forma de nos reforçarmos e de sentirmos que efetivamente somos capazes. Ao mesmo tempo, essa celebração permite aumentar a autoconfiaça e dar-nos motivação para fazer melhor na fase seguinte.
 
A mesma especialista salienta ainda que a auto-observação nos afasta das obsessões na medida em que nos permite alargar horizontes e vermo-nos em várias perspetivas, o que também é um ganho. Em vez de andar sempre a repetir comportamentos e a não conseguir obter resultados, esta psicoterapeuta sugere que se ouça a nossa voz interior e que se interprete a diversidade de opções que temos ao nosso dispor. Podemos anotar algumas delas e explora-las no nosso diário ou fazendo pontos de interesse numa folha de papel, mas o importante é que partamos sempre de dentro para fora.
 
Ao mesmo tempo, importa salientar que, o caminho para edificar uma autoimagem positiva é construído com muito cuidado, amor-próprio, autoaceitação e mudança interior, aquela que se reflete no comportamento externo. Portanto, quando a pessoa reajusta a sua visão sobre si mesma, é quando um sentimento positivo em relação a ela própria se torna realmente aparente. É a partir daí que, o mesmo ganha uma forma sólida e consistente, ajudando a melhorar a imagem que temos de nós mesmos.
 
Este autodesenvolvimento ajuda a formular uma descrição confiante de si, aniquilando as crenças limitadoras e assumindo as ideias fortalecedoras que nos ajudam a reconhecer o melhor de nós próprios, a potencializar as nossas habilidades, competências, dons e talentos a florescer no seu melhor em todos os sentidos.
 
Fátima Fernandes
 
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