Muitos trabalhos de investigação demonstram que, as relações conflituosas afetam o bem-estar emocional, reduzem a qualidade de vida e até a longevidade.
Pessoas que estão muito expostas a interações tóxicas ou negativas, acabam por sofrer de um profundo desgaste físico e emocional que, em muitos casos, pode tornar-se crónico.
Tal acontece devido ao aumento do cortisol – a hormona do stress que coloca o corpo num estado de alerta permanente. O resultado é cansaço mental, ansiedade e dificuldades em encontrar o equilíbrio emocional.
Um estudo do Harvard Study of Adult Development mostra que, em oposição, as relações saudáveis, onde existe apoio, compreensão, amizade sincera e afeto, funcionam como “um verdadeiro escudo protetor para a saúde mental”.
Assim, as pessoas que se rodeiam de boas energias, que reservam um tempo e um espaço diário para estarem consigo mesmas, que procuram pessoas com quem é possível estabelecer ligações positivas, que partilham a vida com alguém que as entende, respeita e aceita, conseguem obter níveis significativos de gratificação e de amor à vida.
Estar na presença de pessoas que nos proporcionam tranquilidade e bem-estar, liberta-nos de tensões, ajuda-nos a recuperar a paz interior e o equilíbrio, ao mesmo tempo em que permitem que estejamos bem, estáveis e tranquilos, o que, de acordo com este estudo de Harvard, contribui para uma maior saúde física e mental, o que se pode observar numa maior qualidade de vida e longevidade.
O estudo Harvard Study of Adult Development regista a importância de estabelecer limites claros em relações desgastantes e não permitir que o outro os ultrapasse e reduzir o contacto com pessoas conflituosas e que nos desgastam. Isto «não significa que tenhamos de isolar-nos, mas sim, que nos protegemos e que decidimos quando e se queremos estar na sua companhia» porque, com essa opção, preparamo-nos para aquele momento da forma mais adequada e que menos nos prejudique.
Um outro passo essencial para manter o equilíbrio e o bem-estar é diferenciar as relações positivas das negativas para que possamos tomar decisões e investir mais ou menos de nós de modo a que não nos afetem tanto. Também é fundamental que sejamos nós a decidir o tempo que estamos dispostos a dar a esse tipo de relações e que as vejamos sempre com desapego, já que, de outro modo, seremos muito mais afetados emocionalmente, pois essas pessoas só gostam de envolver-se em discussões, trocas acesas de palavras e acusações, críticas constantes, humilhações e depreciações.
Não menos importante é admitir que, mais vale ter poucos amigos, mas “bons” do que muitos que nos prejudicam e afetam a qualidade de vida, aquilo de que gostamos e o que somos.
A ciência resume as consequências de mantermos interações conflituosas para que possamos proteger-nos:
Impacto Fisiológico: Conflitos frequentes ativam respostas crónicas de stress, podendo resultar em pressão arterial elevada, fadiga, e maior risco de problemas cardiovasculares.
Saúde Mental e Emocional: A exposição a discussões contínuas gera cansaço mental, ansiedade, irritabilidade e, a longo prazo, pode contribuir para o esgotamento emocional (burnout).
Ciclo de Cortisol: Relacionamentos inconsistentes ou hostis fazem com que o corpo liberte adrenalina e cortisol, mantendo o organismo em alerta, o que pode levar a uma tensão viciante.
Conflitos Familiares: Ambientes familiares marcados por falta de diálogo, críticas ou dificuldades financeiras funcionam como geradores crónicos de ansiedade e tensões, afetando inclusive o desenvolvimento de crianças.
Registam os cientistas que, o ser humano precisa de conexões seguras. Quando o ambiente de convívio (seja casa ou trabalho) é pautado por insegurança, falta de respeito ou agressões verbais, o cérebro interpreta essa instabilidade como perigo, desencadeando a resposta de "luta ou fuga".
Para melhorar a convivência é essencial que tomemos decisões conscientes, que aprendamos a regular e a gerir as nossas emoções, que saibamos dialogar e não gritar, acusar ou humilhar e optar sempre por relações prazerosas.
Evitar contactos frequentes com pessoas que nos provocam mal-estar é também um contributo para a nossa saúde em geral, bem como definir os contactos essenciais com pessoas que nos afetam de algum modo.
Ao tomarmos consciência desses impactos destrutivos,certamente que controlamos melhor as nossas emoções, que definimos o tempo para estar com quem nos magoa e, naturalmente que também podemos optar por cortar o contacto se sentirmos essa necessidade.
Rodear-se de pessoas que o respeitam, compreendem e demonstram sinceridade e afeto é sempre a melhor sugestão dos especialistas que reforçam a importância de procurar apoio quando não conseguimos resolver a situação.