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Como saber quem é a “pessoa certa”?
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É muito comum utilizarmos esta expressão que, na maioria dos casos se prende com a dimensão afectiva e que acaba por assumir diversas proporções, sobretudo ao nível do oculto porque se acredita que, não somos capazes de saber o que mais se nos encaixa.
 
Tememos não escolher a pessoa certa para a nossa vida; desconhecemos se existe algum tipo de informação que nos possa facilitar a tarefa e, são muitas as vezes em que acabamos por nos resignar pelo medo do erro. 
 
Por outro lado, há quem recorra ao oculto como única fonte de sabedoria, tudo porque não há tempo para um encontro com o nosso “eu” interior e com as indicações que essa energia nos pode transmitir. 
 
É importante ter em conta que, uns mais que outros, todos possuímos o dom de saber decidir a nossa vida, simplesmente nem sempre estamos seguros dessa ideia, muito menos atentos aos sinais que o nosso organismo nos transmite. 
 
É nesse sentido que, o recurso ao “além” parece tranquilizar muitas pessoas, sobretudo quando as orientações são positivas, mas ao mesmo tempo, permanece uma sensação de que “os outros” é que nos comandam as vontades, os desejos e os sentimentos. 
 
Para quebrar esta ideia de que, são os outros que têm poder para nos orientar o percurso, é bom que tenhamos em conta que, só recebemos ajuda, se soubermos aquilo de que necessitamos, pelo que, o mesmo se passa na escolha da pessoa certa: se nos conhecermos suficientemente bem, saberemos quem melhor se encaixa nas nossas qualidades. 
 
Afinal, parece que não é assim muito complicada a tarefa de conhecer a “pessoa certa” para a nossa vida, o problema é que se interiorizou que temos de fazer um conjunto de escolhas e tomar decisões importantes quando temos uma determinada idade e, na realidade, o nosso organismo pode não estar preparado para assumir essa responsabilidade, muito menos pode não estar à altura de distinguir o certo do errado para si. 
 
Também se alimenta a ideia de que “o amor tem de ser suado e superar um conjunto de batalhas”, sem esquecer que se defende muito a ideia de que “o sentimento se descobre de fora para dentro” quando é justamente ao contrário: a partir das características de cada pessoa é que se encontra o potencial de identificação com os demais, nas mais variadas relações que não só de amor. 
 
Efectivamente, cada pessoa deverá “dar-se ao luxo” de fazer as escolhas para a sua vida quando se sente preparado seja para o namoro, casamento escolha da profissão, parentalidade e daí por diante, pois caso contrário, viverá sempre com a sensação de que nada sabe acerca de si mesmo e dos seus sentimentos. 
 
Depois, a intuição de que todos dispomos é um alicerce fundamental, pois se estivermos bem connosco próprios, mais facilmente saberemos o tipo de ligação que gostaríamos de ter com esta ou com aquela pessoa, pois nem todos os homens se encaixam numa mulher, nem todas as mulheres se encaixam num homem, tudo porque as necessidades de cada indivíduo variam consoante a sua educação, formação, crenças, desejos, aspirações futuras e, até com o grau de simplicidade ou de complexidade com que encaramos a vida. 
 
De facto, a intuição baseia-se em dados simples e muito claros, mas a nossa mente tende a complicar as situações devido à aprendizagem, ás vivências alheias e, sobretudo ao conjunto de estigmas que vai acumulando. 
 
Quando se quer obter uma resposta sincera por parte do nosso “eu” interior é fundamental que nos libertemos de tudo o que nos desvie da isenção e da capacidade crítica, pois só assim poderemos olhar para uma pessoa ou situação e aferir se a mesma se enquadra no nosso formato e modelo de vida. 
 
Claro que se conseguíssemos realizar esta tarefa com alguma facilidade, não precisaríamos de viver muitos conflitos para sermos felizes, muito menos entrar em situações que, em nada se coadunam com a nossa identidade. 
 
Encontrar a pessoa “certa” implica somente sabermos aquilo que nos faz bem e as qualidades que procuramos no outro, mesmo que isso demore algum tempo e que seja um processo individual, pois ninguém nos conhece melhor que nós próprios. 
 
Depois, cada etapa de vida deve ser experimentada nesta base de liberdade para sentir, sabendo que se pode sempre muar o rumo, mas que não o devemos alterar nas primeiras dificuldades, sob pena de nos arrependermos e de colocarmos em causa o que somos e sentimos.
 
Fátima Fernandes
 
 
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