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Consegue colocar-se no lugar do outro?
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Esta capacidade de assumirmos que não conseguimos nem ler pensamentos, nem “adivinhar” o que vai na cabeça do outro é importante, mas isso não invalida que não consigamos sentir o que ele sente perante uma situação que lhe é dolorosa e que até podemos já ter sentido.
 
Tentar evitar que os outros sofram pelas nossas ações é sempre um objetivo a ter em conta quando de nos colocarmos no lugar de outra pessoa se trata.
 
Tal como somos capazes de cuidar de um bebé pela doçura que qualquer recém-nascido tem quando chega ao mundo e, percebemos que precisa dos nossos cuidados, atenção e carinho, estamos à altura de identificar sensações negativas ou positivas que podemos causar às outras pessoas, por isso podemos evitá-las.
 
Qualquer um de nós sabe que, ao dizer a uma pessoa obesa que “ela está muito gorda”, a vai ferir, tal como uma mãe sabe que, se não procurar entender o seu filho, ele vai ficar triste e desiludido. Também sabe que, se não lhe mostrar carinho, ele o vai procurar noutra pessoa.
 
Basicamente todos sabemos as consequências dos nossos atos, mesmo sem que tenhamos sentido essa realidade em nós mesmos. Lá dizem os entendidos que “não precisamos de sentir na pele todas as realidades para as conseguirmos imaginar”. Não precisamos de estar detidos para perceber que a privação da liberdade é algo que nos incomoda, por exemplo.
 
Todos sabemos o quão negativo é tecer alguns comentários depreciativos ou acentuar aquilo que mais incomoda no outro, razão pela qual pensamos antecipadamente naquilo que podemos ou não dizer às outras pessoas. Isso ajuda-nos a elaborar melhor o pensamento e a linguagem, pois no fundo, todos queremos ser aceites e que gostem de nós.
 
Muitas vezes, fazemos o bem, evitando fazer mal, ou seja, mais vale o silêncio do que um arrastar de conflitos ou trocas de palavras violentas.
 
Não temos de enfrentar todas as situações e ainda menos dizer tudo o que nos passa pela mente. Quando nada temos a dizer, mais vale um silêncio de compreensão.
 
Colocarmo-nos no lugar do outro é tão simples quanto pensar no que podemos causar a alguém com o que dizemos ou fazemos. Há um velho ditado que diz “Não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam” e, é disso mesmo que se trata.
 
Depois, ao convivermos mais de perto com outra pessoa, vamos compreendendo aquilo que a pode magoar. É nossa missão evitar tocar nesses pontos sensíveis se queremos manter algum tipo de relação com essa pessoa, pois ao “chocarmos de frente” com aquilo que a perturba, estamos a perder a sua companhia em cada encontro.
 
No fundo, é colocarmos o nosso lado emocional a funcionar e tentar sentir um pouco da realidade do outro enquanto estamos na sua presença, sabendo que, ninguém recebe de bom grado uma crítica destrutiva ou um comentário infeliz, não é verdade?
 
O que nos torna “melhores pessoas” é mesmo o desenvolvimento dessa empatia, dessa capacidade de procurar o melhor do outro ao mesmo tempo que damos o nosso melhor.
 
Isto não quer dizer que não se possa falar de coisas mais “chatas”, quer dizer que devemos encontrar as melhores palavras para dizer as coisas piores, isso é que nos torna mais evoluídos e capazes de lidar com mais pessoas. Se o outro se sente gozado e ofendido, certamente que nos vai devolver “na mesma moeda”, se pelo contrário, se sente bem connosco, vai querer renovar os encontros.
 
Acredito que, quanto mais pensarmos no que o outro possa sentir, mais receberemos esse cuidado por parte de alguém, pelo que defendo a importância de travar os impulsos e colocar a mente a funcionar porque as relações humanas precisam desse cuidado, desse alimento e desse respeito.
 
Muitas vezes só falta compreender as coisas simples e, tenhamos a garantia de que, é nelas que reside a felicidade, a capacidade de estabelecer relações duradouras e de recebermos mais momentos positivos da vida.
 
Fátima Fernandes
 
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