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Costuma descarregar as suas frustrações nos outros?
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É frequente descarregarmos as nossas emoções nos outros, em particular naqueles que nos são mais próximos ou que, de alguma forma, acabam por “receber” essa energia.
 
São muitas as vezes em que, sem nos apercebermos, acabamos por projectar nas outras pessoas os nossos estados de espírito, seja porque algo nos correu menos bem no emprego, num atendimento ou num simples momento de convívio. Tal acontece porque somos humanos e porque não controlamos todos os nossos impulsos, mas nem sempre as coisas correm pelo melhor, já que se podem desencadear conflitos que merecem uma atenção especial.
 
A forma como os outros reagem também pode ser imprevisível e um reflexo do seu estado de alma e, pode-se afirmar que, muitos mal-entendidos resultam precisamente das situações mais simples e mal resolvidas.
 
Se é um facto que não se pode evitar a projecção nos outros, também é verdade que existem muitas formas de ultrapassar esse desconforto com um simples pedido de desculpa e uma conversa que permita esclarecer o sucedido.
 
Para melhor se compreender  a razão pela qual culpabilizamos os outros pelo que nos acontece, ou simplesmente projectamos os sentimentos que nos incomodam naqueles com quem convivemos, vale a pena recorrer à psicologia.
 
Para a maioria dos psicólogos, a projecção “é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s).”
 
Segundo Tavris Wade, “a Projecção Psicológica ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projectados em alguém.”
 
No fundo, a projecção psicológica é uma forma de reduzir a ansiedade, já que permite “a expressão de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a mente consciente não os reconheça.”
 
Um exemplo muito comum dessa projecção é o acto de culpabilizar alguém por algo que nos acontece. Assistimos diversas vezes a esse tipo de projecção, seja em casa, no grupo de amigos ou no emprego.
 
Tal ocorre porque “a mente evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantém os sentimentos no inconsciente e projeta, assim, as falhas nos outros.”
 
Esta teoria foi desenvolvida por Sigmund Freud e posteriormente refinada pela sua filha Anna Freud, acabando por ser entendida por "Projecção Freudiana" em algumas literaturas.
 
Para alguns psicanalistas e psicólogos, a projecção “é um processo muito comum que todas as pessoas utilizam em certa medida.”
 
Para Peter Gay “projecção é a operação de expulsar os sentimentos ou desejos individuais considerados totalmente inaceitáveis, ou muito vergonhosos, obscenos e perigosos, atribuindo-lhes a outra pessoa."Como todos os mecanismos de defesa, a projecção psicológica fornece uma função para que a pessoa se possa proteger de um sentimento que, de outra forma, seria repugnante.
 
Um caso flagrante de projecção é a infidelidade. Um dos parceiros não consegue aceitar que tem pensamentos íntimos relativos a outra pessoa e acaba por acusar o/a parceiro/a de o/a trair quando é de si que parte esse desejo. O mesmo acontece quando não se quer uma determinada situação e não se assume, acaba-se por projectar esse sentimento negativo em alguém. 
 
Não sendo possível evitar a projecção, é desejável que se procure entender os motivos que a suportam ou, pelo menos, tentar resolver os conflitos dela resultantes.
 
São muitas as situações em que, de um momento para o outro, se acaba por dizer algo que o outro não merecia ouvir no “calor de uma conversa ou discussão”. Nesses casos, devemos deixar passar o tempo, para acalmar “os ânimos” de parte a parte e, mais tarde, tentar o diálogo.
 
Se há situações irreversíveis pela sua natureza (nem sempre nos interessa retomar uma relação ou aproximação), há outras cujo arrependimento nos faz sofrer, pelo que devemos tentar o contacto através de uma atitude sincera e profundamente consciente do erro, pois por muito que nos possa parecer difícil, uma boa atitude pode resolver muitos problemas. Se o ser humano é capaz de se proteger quando se sente ameaçado, também reúne forças suficientes para voltar a uma situação em que reagiu impulsivamente e dar um sinal do seu arrependimento (caso sinta mesmo essa necessidade e desconforto para com a sua atitude).
 
Se pensarmos bem no nosso quotidiano, provavelmente a maior parte dos dramas que vivemos são resultantes destes pequenos equívocos que, ao não serem resolvidos no local próprio e com a pessoa envolvida, acabam por ganhar expressão e causar desconforto. E para quê?
 
Se aceitarmos uma falha, mais facilmente a assumimos ao outro e a superamos!
 
Fátima Fernandes
 
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