Sociedade

Covid-19: Transporte público rodoviário intermunicipal no Algarve mantém oferta

 
A oferta de transportes públicos rodoviários intermunicipais no Algarve mantém-se idêntica durante o período de confinamento, o mesmo acontecendo com a oferta em Faro, mas táxis e empresas de ‘transfers’ reduzem a frota ou recorrem a ‘lay-off’.

Com a entrada em vigor de um novo período de confinamento no país, devido à pandemia de covid-19, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) afirmou à Lusa que no serviço público de transporte rodoviário de passageiros no Algarve a previsão “é manter a oferta de 85% do serviço público relativamente ao que era pré-covid, até ao final do mês de janeiro”.
 
António Pina revelou que em março de 2020 “houve uma redução de 30%” na oferta, situação que foi sendo alterada “ao longo do resto do ano” e recuperou até aos “85%”, valor que a entidade responsável pela gestão do serviço público de transporte rodoviário de passageiros no Algarve pretende manter.
 
O autarca adiantou que a medida será avaliada “tendo em conta a procura pelo transporte público”, podendo rever a oferta do serviço.
 
Sendo a AMAL, antes da pandemia, havia uma oferta de 100 carreiras rodoviárias intermunicipais, que foi reduzida para 80 na temporada 2020-21, havendo, no entanto, um reforço nas que são usadas por estudantes, para se sejam cumpridas as indicações da Direção-Geral da Saúde.
 
As carreiras urbanas na capital algarvia também não sofrem qualquer alteração neste novo período de confinamento.
 
À Lusa, a administradora da Próximo – Transportes Urbanos de Faro afirmou que “em abril houve uma redução de 40% na oferta”, que foi retomada a “100% em setembro, com o início das atividades escolares" e que “agora vai ser mantida”.
 
“O nosso passageiro é acima de tudo a população estudante, mantendo-se as atividades letivas, nomeadamente da universidade, não faz sentido suprimir a oferta”, frisou Susana Deus.
 
A responsável revelou que espera, ”naturalmente, uma quebra de passageiros”, já que muitas pessoas vão ficar em teletrabalho, mas reforçou que não podem “deixar de servir os estudantes”, que representam uma “fatia muito grande” dos utilizadores da rede Próximo.
 
Susana Deus notou que a procura por este serviço de transporte sofreu uma quebra de “80% entre março e setembro”, valor que reduziu para “60% entre outubro a dezembro”, em relação aos mesmos meses de 2019.
 
Já nos táxis, “metade da frota poderá ficar parada a partir de segunda-feira”, revelou à Lusa o presidente da Rotaxi, uma das maiores cooperativas algarvias, indicando que poderá ser necessário fazer uma escala para garantir “serviços para hospitais e consultas” e outros serviços como a “entrega de comida dos restaurantes”.
 
Representando cerca de 200 táxis entre Vila Real de Santo e Vilamoura, Francisco Pereira recorreu à experiência do confinamento de 2020 para indicar que “50% da frota parou por iniciativa própria”.
 
“Vinham para a rua e não tinham serviço e a despesa era superior ao que iriam conseguir”, realçou.
 
Quanto a previsões para os próximos meses, o dirigente sustentou que “pior não pode ser”, revelando que desde março têm trabalhado “25% do que era normal”.
 
Outro ramo afetado pelo novo período de confinamento é o de serviço de 'tranfers', que viu “reduzida em 75%” a sua atividade, como revelou à Lusa o sócio gerente da Sunline Transfers.
 
Luís Mascarenhas indicou que na época alta chegam a empregar “26 pessoas”, valor que “reduz no inverno”, mas com a pandemia, nesta altura, já eram “só cinco, que vão entrar agora para 'lay-off'”.
 
Dos “21 carros” da frota, costumam “passar para 10 no inverno”, mas este ano apenas “quatro estão a trabalhar e esporadicamente”, adiantou, dando como exemplo que “há serviço” para este sábado, mas depois “vai haver três ou quatro dias sem serviços”.
 
O empresário confessou que têm estado a fazer “um esforço muito grande” para “aguentar” a empresa e ter as “contas em dia”, mas assumiu que terão de recorrer ao 'lay-off', por “não compensar estar a pagar um ordenado e fazer apenas um ou dois serviços”.
 
A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.994.833 mortos resultantes de mais de 93 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
 
Em Portugal, morreram 8.543 pessoas dos 528.469 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
 
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.