Sociedade

Covid.19: Isilda Gomes exige «mais respeito de Lisboa para com Portimão»

O concelho de Portimão regressa, na próxima segunda-feira, às regras que vigoravam no continente português antes do atual processo de desconfinamento devido à evolução da Covid-19, segundo anunciou esta quinta-feira o primeiro-ministro.

PUB
 
No Algarve também o concelho de Albufeira não vai passar à fase seguinte do desconfinamento que se inicia no próximo dia 19, por ter duas avaliações sucessivas com mais de 120 casos por 100 mil habitantes, mantendo as restrições que estão em vigor.
 
Relativamente à situação de Portimão, as restrições vão manter-se até à próxima avaliação. Com este cenário, Isilda Gomes convocou uma conferência de imprensa esta tarde onde criticou a forma como é feita a avaliação por parte das autoridades, «atendendo a que os surtos estão controlados, identificados, sem risco de o vírus se espalhar pela população». 
 
A autarca fez questão de informar que, o número atual de casos ativos no concelho é de 129, com uma incidência cumulativa nos últimos 14 dias de 185, em que 757 pessoas estão em isolamento. Quanto à testagem, foi referido que o SNS e os privados testaram 4046 pessoas com PCR, sendo que a testagem em massa foi de 4187 pessoas de Portimão. Dos 185 positivos, apenas 12 foram identificados na testagem massiva e aleatória, «o que comprovou que não há disseminação na comunidade, o que é extremamente importante, com os surtos identificados e sinalizados». Ainda segundo a autarca, a situação no concelho nos últimos 14 dias regista um surto na construção civil, em sentido decrescente e casos na comunidade escolar em sentido crescente. A edil critica que as escolas continuem abertas, quando 25% dos casos positivos se encontram nesta comunidade e 50% nos agregados familiares dos alunos, abrangendo 22 turmas em isolamento, e que as esplanadas e o comércio encerrem.
 
A responsável pela autarquia diz tratar-se de um castigo que é imposto a Portimão e aos portimonenses «é injusto, incompreensível e inaceitável». Isilda Gomes vai mais longe considerando, «uma falta de respeito para com os empresários e para com todos aqueles que trabalham afincadamente para fazer face às dificuldades e não fosse a câmara a suprir muitas carências, obviamente as pessoas ainda estariam pior».
 
Com esta pandemia, a câmara já gastou cerca de 7 milhões de euros entre apoios e despesas, «sendo injusto para quem é responsável, isto porque a maioria dos portimonenses cumpriu tudo o que lhes era exigido». A edil diz que nas últimas horas tem recebido «muitas mensagens de empresários revoltados com esta decisão de Lisboa para com Portimão».
 
Nesse sentido, exige do Governo medidas extraordinárias no combate à pandemia, «medidas que não se limitem a paralisar a vida das pessoas e dos empresários», apresentando um caderno de encargos onde é pedido o reforço efetivo da fiscalização e o aumento de operacionais nas forças e serviços de segurança, assim como na Autoridade para Condições de Trabalho – ACT e na Autoridade de Segurança Alimentar e Económica - ASAE. 
 
«As pessoas que estão confinadas, têm de ser vigiadas e tem de ser dada prioridade no reforço à vacinação através da entrada imediata em funcionamento do Centro Municipal de Vacinação que está pronto desde o dia 3 de março». A edil criticou o facto de a vacinação dos professores decorrer nas escolas, com uma ambulância à porta, defendendo que estes profissionais podiam ser vacinados no Centro Municipal de Vacinação com as devidas condições. Reivindica apoios extraordinários para os setores económicos fragilizados, nomeadamente, o setor da restauração e do pequeno comércio, obrigatoriedade do uso de máscara na via pública e o reforço dos profissionais de saúde para acompanhamento dos positivos, que não têm médico de família.
 
Na mesma comunicação, foi referido que os algarvios merecem mais respeito por parte do Governo. «Como todos sabem, o Algarve contribuía com 4% do PIB nacional no âmbito do turismo, pelo que ninguém compreende o atraso na vacinação na região», exemplificando que «há municípios no país com um quinto da nossa população com o mesmo número de vacinados de Portimão, como é que se pode compreender uma situação destas?», interrogou a autarca, pedindo uma vacinação rápida em Portimão e no Algarve, «se queremos ter turistas». Lembrou ainda que a Alemanha colocou hoje o Algarve na ‘lista vermelha’, «pelo que, temos de reivindicar um Algarve mais seguro no âmbito da pandemia».
 
Em conclusão, admitiu que a expetativa era que o concelho de Portimão se mantivesse como estava na última avaliação e que não regredisse, esperando do Governo uma reação rápida, «porque não se pode tratar as pessoas desta forma», sublinhou.