Dicas

Cuidados a ter quando usa as redes sociais

Foto - Depositphotos  
As redes sociais reúnem vantagens e desvantagens na sua utilização, pelo que é preciso saber tirar partido do seu melhor.

PUB

As redes sociais são um meio para encurtar distâncias entre amigos, colegas, conhecidos e familiares, uma fonte diversificada de informação, de acesso a serviços e de contactar também com desconhecidos, mas também representam um risco quando não sabemos limitar o seu tempo de utilização, quando não questionamos aquilo que lemos e acabamos por acreditar em tudo o que nos aparece e, não menos importante: o palco onde desfilam “as vidas perfeitas, o mundo de sonhos, os casais maravilhosos, as melhores relações de amizade do mundo” e daí por diante.

Nesse sentido, é importante que aprendamos a tirar partido do melhor destas plataformas digitais de modo a que sirvam os nossos interesses sem que nos deixemos absorver por tudo o que tenta envolver-nos, muitas vezes contra o que somos, sentimos e acreditamos.

Como o nosso cérebro é plástico (neuroplasticidade), deixa-se influenciar pelo que faz e pela informação que recebe de forma repetida, logo, facilmente mudamos de opinião ou colocamos em causa quem somos, sendo fácil imitar aquilo que observamos de forma mais ou menos passiva.

A questão é tão complexa que tem dado lugar a inúmeros trabalhos de investigação e à tomada de posição de especialistas nas mais variadas áreas, sobretudo no que se refere ao comportamento dos jovens nestas plataformas digitais.

De acordo com um apontamento da psicóloga Rita Antunes, «a forma como as novas gerações sociabilizam é extremamente diferente das gerações passadas. A sociabilização é atualmente independente da distância ou do isolamento físico, mas a presença nas redes sociais é cada vez mais indispensável para a inclusão nos grupos de jovens. É nelas que se organizam festas ou eventos, que se discutem trabalhos de grupo, que se acertam pormenores de organização na escola, etc.

Devemos, contudo, estar alerta para alguns riscos e problemáticas que são emergentes e têm estado associadas ao crescimento das redes sociais».

O artigo desta especialista publicado na página da CUF destaca ainda a forma como os jovens vivem as redes sociais sem que passem algum tempo de qualidade ausentes dos colegas e amigos.

Rita Antunes alerta então para a necessidade de desfrutar de períodos de sossego, sem ecrãs, sem ligações, uma vez que se torna fundamental que estejamos connosco próprios, em família, em contacto com a natureza, reservar um tempo para refletir, para ouvir o nosso “eu interior”, limitando a interação com o exterior, neste caso, com os ecrãs, e deixa alguns cuidados a adotar no uso das novas tecnologias.

As redes sociais estão presentes constantemente, com notificações e mensagens a chegar a cada instante; a solicitação é permanente e há cada vez menos espaço para os momentos de solidão e sossego que são fundamentais para processos de introspeção, o estudo, a leitura, o sono.

O sono é uma preocupação crescente; vários estudos demonstram que existe um défice de sono nos adolescentes das sociedades modernas, com graves consequências para a saúde, desenvolvimento e rendimento escolar. A presença do telemóvel no quarto, ligado e "online" nas redes sociais, atrasa muito a hora a que os jovens adormecem, mesmo que se deitem cedo, de acordo com as indicações dos seus pais. De pouco serve irem para a cama às 22:00 se estão a trocar mensagens ou a comentar publicações nas redes sociais, no seu telemóvel, até à uma ou duas da manhã, regista a mesma psicóloga do grupo CUF.

Uma outra preocupação crescente é o cyberbullying. É um tipo de bullying particularmente grave e poderoso. O bullying online tem o potencial de chegar à totalidade dos amigos e/ou familiares da vítima, está online 24h por dia e muitas vezes é difícil de apagar após publicação e partilha. É fácil perceber que as consequências podem ser desastrosas, podendo levar ao isolamento social, absentismo escolar, depressão e, em raros casos extremos, ao suicídio, alerta.

O uso massivo da internet e redes sociais tem ainda o potencial de levar ao desinteresse por outras atividades tão fundamentais como as atividades sociais "ao vivo" ou o desporto, aumentando o sedentarismo e reduzindo a atividade física com as múltiplas consequências tão conhecidas para a saúde (obesidade, hipertensão arterial, risco cardiovascular, etc.).

Recentemente tem-se reconhecido a problemática da dependência destas novas tecnologias (videojogos ou internet e redes sociais), que constitui uma doença séria com múltiplas consequências como isolamento social, depressão, perturbações do sono ou absentismo escolar, regista a mesma especialista destacando a importância de os pais estarem mais atentos, participativos e à altura de orientarem os filhos para um estilo de vida mais saudável: com tempo para a tecnologia e tempo de qualidade em família, consigo mesmos, a realizar uma atividade prazerosa.

Segundo os especialistas a que o Algarve Primeiro teve acesso, é preciso regulamentar, desde cedo, o tempo diário de utilização dos ecrãs para evitar a dependência digital, mas também a perda de interesse por tarefas do quotidiano. Nesse sentido, os pais devem promover iniciativas atrativas, que não têm de envolver custos, mas que envolvam os mais novos (atividades gratuitas promovidas pelas bibliotecas e câmaras municipais, associações), idas ao parque, à praia, realizar leituras expressivas em voz alta e em família, apostar nos jogos de tabuleiro, atividade física em família, dançar, fazer refeições em família, viagens quando possível e daí por diante. Torna-se essencial esta insistência porque está provado que, só com os ecrãs, cada vez mais os jovens perdem o interesse pelo dia a dia, pela realidade em seu redor e, acima de tudo e ainda mais preocupante: por si mesmos.

Recomendam os especialistas que, quando os pais detetarem que a situação está fora do seu controlo, devem procurar ajuda especializada: médico de família, psicólogo ou psiquiatra, uma vez que a tendência será para agravar-se.

Naturalmente que suprimir o contacto com as redes sociais não é solução nem faria qualquer sentido nos tempos atuais, em que os jovens nascem com a tecnologia, mas a chave é regulamentar, limitar o tempo diário de ecrã e proporcionar atividades alternativas. Os especialistas reforçam que é necessário e urgente  dar um passo atrás e aprender a organizar os nossos dias de modo a termos tempo para tudo. Os pais devem apostar em iniciativas divertidas dentro e fora de casa e incentivar os filhos à prática desportiva ou de uma qualquer modalidade que implique estar fora dos ecrãs e contactar com o mundo real e não há desculpas para adiar. É preciso agir enquanto ainda é tempo, sublinham.