Conforme explica o Município de Loulé numa nota enviada ao Algarve Primeiro, de entre 23 obras admitidas ao concurso, o júri, integrado por Carlos Albino Guerreiro, Isabel Cristina Mateus (Universidade do Minho) e José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra), decidiu reconhecer A Justa Desproporção, uma estreia de Jonas neste género literário. Uma obra que “ensina a cuidar do pensamento interior”, de acordo com as palavras de Carlos Albino, constituída por “breves peças literárias acessíveis a todo o tipo de leitor”.
Trata-se de um conjunto de “meditações, a maior parte das vezes irónicas, apontamentos de intimidade, notas diarísticas, por vezes achados burlescos, graças e desafios, escritos próprios de quem chega à noite a casa e toma a esferográfica ou o teclado para não deixar que o dia tenha passado sem apontar o que aprendeu ao longo dele”, referiu o porta-voz do júri.
As crónicas de A Justa Desproporção combinam temas e referências diversas, da astrologia às artes e gastronomia, desafiando rotinas, “lugares-comuns, a justa proporção” dos dias. Convocam autores e misturam diferentes registos e sonoridades que vão de Buñuel a Truffaut, de Shakespeare e Dante a Bob Dylan ou Rui Reininho, passando pela música country, soul ou a eletrónica de Jean Michel Jarre.
O próprio autor assumiu, durante a cerimónia, o lado pessoal da obra premiada: “São reflexões desproporcionadas, às vezes só com uma frase, outras vezes com algumas páginas, mas a ideia era expor a minha hipótese de fala-baratismo sem maçar ninguém. Agora, ao transformar isto em livro e ao ser honrado com este prémio, acho que vou maçar mais pessoas”.
José Manuel Mendes, presidente da APE e um dos impulsionadores do galardão destacou a importância deste prémio: “Trata-se de um prémio a vários níveis essencial, não só no elenco daqueles que são atribuídos pela APE, mas também no plano conjunto da vida cultural do país. A crónica é um género muito procurado, aquela que sai nos jornais, a que pode sair em revistas ou ficar mesmo em páginas de computador, suscetíveis de serem integradas depois em livro, onde se associa toda uma infinidade não apenas temática mas formal, e na qual, de forma muito impressiva, se vê aquilo que é a essência de um autor”, frisou. E perspetivando o futuro, reiterou que, apesar da crise profunda da Imprensa, “a crónica não vai acabar, antes pelo contrário, vai reforçar-se”.
Também Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, assumiu o compromisso na continuidade deste prémio e da parceria com a APE. “Queremos reafirmar Loulé na cultura, na iniciativa de projetos como este, e vamos continuar a trabalhar para o futuro. As pessoas estão a ficar formatadas e a criatividade trabalha-se, através de ações como esta”, afirmou o autarca.