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“Deixar ir” também é uma prova de inteligência
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Muitas vezes pensamos que temos de lutar até ao fim, que temos de ter um foco e seguir contra “ventos e marés” rumo ao que se pretende, mas é importante ter em conta que, “deixar ir” e aceitar a realidade e que algo não nos pertence, também é uma prova de inteligência e não de fraqueza.
 
Nem tudo o que queremos nos é acessível, pelo que, quando nos apercebemos de que os nossos objetivos não são realizáveis, é um ato de coragem ser capaz de analisar, encontrar alternativas e perder de vista aquilo que parecia ser o mais importante do mundo. Esta “regra aplica-se a tudo na nossa vida, sendo que as relações amorosas ganham sempre mais expressão e interesse neste contexto. Ainda assim, ser capaz de mudar de emprego e “deixar ir” aquele que nos parecia para a vida, também é um ato de coragem a par de mudar de rumo, escolher uma nova profissão, deixar um hobby e daí por diante. Nem tudo tem de ser como gostaríamos e, aceitar isso, é uma prova de grandeza e de caráter.
 
Segundo uma publicação de "A Mente è Maravilhosa", é o tempo que nos ajuda a compreender a importância de deixar ir, por muito que isso nos seja difícil. “Deixamos passar pessoas, lugares, sentimentos , sonhos, desejos” e, isso não é “uma prova de fraqueza”, mas sim “uma marca de crescimento pessoal”. A mesma publicação evidencia que, “por muito que nos custe deixar ir, temos de aceitar que nem tudo está destinado a ser”.
 
Deixar ir, na realidade, “é parte da roda da vida”, aquela na qual cada passo que damos adiante serve para deixarmos para trás o que não já pode ocupar o nosso presente, o que nos magoa ou o que acaba “por enferrujar” as engrenagens da nossa felicidade.
  
Segundo a mesma publicação, viver nostalgias pontuais é enriquecedor e inspirador, “mas reviver de forma perpétua as recordações e as coisas que já deixamos ir e estão no passado, longe de permitir o crescimento”, na verdade é um obstáculo e impede o caminho, “como pedras que uma vez ou outra causam dor e sofrimento”.
 
A "Mente é Maravilhosa" sugere que nos devemos libertar para podermos avançar e, para isso, é preciso assumir o que já se viveu, conservar aquilo que “é bom de guardar”, analisar e decidir qual o melhor caminho a seguir; “aquele por onde se abrem oportunidades de equilíbrio”.
 
Deixar ir certas coisas para que outras melhores cheguem a nós, é o segredo para uma vida mais sadia, livre e feliz, pois afinal não poderíamos transportar todo o nosso passado, temos sempre de tomar decisões e fazer as melhores escolhas.
 
A mesma fonte recorda que, em algumas ocasiões o que deixamos ir já foi algo em que confiamos em certo momento, e que em muitos casos nos fez felizes. “Alegrias, amor e esperança do antes explicam a dor do depois”, e também “a dificuldade em compreender que é melhor se desprender da pessoa ou da situação”.
 
Até o que foi bom no passado, de repente pode deixar de fazer o bem, pode passar a trazer sofrimento, e até quem disse gostar de si,  “pode deixá-lo ir dia a dia um pouco mais, como quem vai cada dia arrancando uma pétala da flor até deixá-la apenas com os seus espinhos”.
 
Na realidade, não é fácil assumir o que nos dizem tantas vezes, de que a vida é deixar-se levar, permitir-se fluir, sem resistência. Como é que isso se consegue? As pessoas precisam de segurança no dia a dia, e precisam também de alguém que permaneça de forma estável e segura, pelo que será sempre essa a melhor solução: contar com aquilo que realmente temos e não com o que poderá surgir. Para isso, muitas vezes, é preciso deixar ir as ilusões, aqueles que já nos magoaram e “apostar novas energias” em quem nos faz acreditar em algo melhor. O velho ditado diz que se esquece um amor encontrando outro e, talvez essa expressão faça sentido. Só quando agarramos algo novo e melhor é que aceitamos deixar o passado e aquilo que nos causava sofrimento. Pode acontecer isso com outro centro de interesse qualquer, mas será muito maior a tarefa de deixar ir quando não se tem nada em troca.
 
Segundo a mesma publicação, deixar ir “é um ato de valentia e autoconhecimento”.
 
A "Mente é Maravilhosa" reafirma que “é necessário saber perceber onde estão os nossos limites e o que queremos ‘de verdade’ para nós mesmos”.
 
“Somos conscientes de que ninguém tem a felicidade garantida na palma da sua mão”, pelo que, “temos o direito de entrelaçar os nossos dedos em determinado momento noutra mão que nos encha de emoção e que, de algum modo, nos ofereça bem-estar”.
 
Segundo a mesma fonte, se esse companheiro ou companheira com quem entrelaçamos a nossa mão acaba por nos levar para o caminho da infelicidade, “é necessário sair daí e procurar o nosso caminho”. Isso deve ser feito ainda que exista o amor, porque, apesar do carinho e da paixão, “nem todas as relações são sábias, nem todos os amores entendem a linguagem do respeito”.
 
Uma boa autoestima e uma atitude forte que defenda a nossa própria dignidade “será sempre o que nos guiará para longe dessas situações, que nos ajudará a não nos imobilizarmos quando submetidos ao sofrimento”.
 
Neste sentido, a mesma publicação também realça que, “amadurecer também é deixar ir quem não quer ficar”, muitas vezes estamos a prender quem só está à espera de uma oportunidade para se libertar, mas que não assume e fica à espera que o outro tome a decisão.
 
Deixar ir ajuda-nos a ser mais felizes porque “quem se apega ao passado escraviza os seus pensamentos, a sua mente, o seu coração e a sua alma”. O ontem não se pode apagar, nem editar, nem ao menos podemos esquecê-lo facilmente. Não podemos mudar as pessoas, nem obrigá-las a estimar-nos como desejamos, mas podemos afirmar o nosso amor próprio e seguir outro caminho, por muito difícil que possa parecer. Na realidade, a nossa mente faz sempre a dificuldade maior do que realmente é. Durante algum tempo adiamos a separação de algo por considerarmos que é muito complexa mas, aos poucos, percebemos que, afinal, não foi assim tão doloroso como poderíamos pensar ou como fizemos “o filme inicial”.
 
A "Mente é Maravilhosa" alerta que,  há aspectos da nossa vida que para serem superados precisam, primeiro de ser aceites, pelo que o autoconhecimento ajuda muito nessa tarefa delicada. Em muitos casos, uma ajuda preciosa é a psicoterapia, uma vez que, nesse processo ocorre uma tomada de consciência importante daquilo que se quer, do que se tem e do que gostaríamos de conquistar. Noutros casos, há quem se consiga libertar dos pesos do passado encontrando as suas próprias respostas e soluções, ainda que seja mais difícil.
 
Devemos ter em conta que, amar também é deixar ir “porque é quase sempre o amor que causa maior sofrimento”. A "Mente é Maravilhosa" realça que, “só quando aceitarmos que algumas coisas não estão destinadas a ser, é que somos capazes de mudar de linha de orientação e de nos libertarmos delas para podermos encontrar novas formas de felicidade.
 
Deixamos partir algumas coisas para estarmos mais disponíveis para podermos receber outras. Como ninguém nasce com “um manual de instruções”, a vida processa-se de tentativas e erros, de chegadas e de partidas. Encarar a vida com essa naturalidade, é estarmos prontos para aceitar que há coisas que nos pertencem, enquanto que outras teremos de deixar partir para que novas nos possam surgir.
 
“Viver é provar, tocar, iniciar, arriscar-se e também enganar-se”, e é aí que devemos saber que, não devemos encher o coração com ira, muito menos a mente com rancor. Devemos, segundo a mesma fonte, saber deixar ir e entender que se trata de “uma arte que deve ser feita de forma pacífica e sem raiva”. Só desta forma nos permitiremos “ser livres, descobrindo que dia após dia a dor se faz muito menor”.
 
Para deixar ir o primeiro passo que deve ser dado “é aprender a aceitar”:Em resumo, a mesma publicação redige que, “devemos aceitar que toda e qualquer experiência vale a pena porque é vida vivida, porque quem nega e esquece não assume, não cura e não aprende”. É necessário aceitar o ocorrido e entender que deixar ir também é crescimento.
 
Fátima Fernandes
 
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