De acordo com o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, esta expressão popular utiliza uma metáfora: a «tempestade» representa um grande desastre ou aflição, enquanto o «copo de água» simboliza uma situação insignificante.
A ideia baseia-se na impossibilidade física de ocorrer um fenómeno meteorológico gigante dentro de um recipiente minúsculo, mostrando o contraste evidente entre o drama criado e a realidade do problema, explica o Ciberdúvidas.
Existem inúmeras situações em que reagimos de forma exagerada a cenários que não o justificam, sendo uma prática comum, por exemplo, no trânsito, numa discussão, ao ralhar com os filhos, numa discussão mais acesa com o cônjuge e até numa situação em que derramamos uma chávena de café e isso parece ser um drama.
Para evitar manter esse comportamento de forma recorrente, os especialistas deixam algumas dicas valiosas: parar, respirar fundo e avaliar se a situação merece toda essa energia e descarga emocional, muito embora saibamos que, em muitas situações, é complexa a tarefa e que requer treino para que nos consigamos controlar e modificar esse comportamento, alertam os entendidos nesta matéria.
Naturalmente que nem sempre conseguimos avaliar as nossas reações, sobretudo quando o stress e a ansiedade quase nos dominam, mas a técnica de parar, respirar fundo e analisar se estaremos a exagerar é sempre um bom ponto de partida.
Na mesma sequência, os especialistas recomendam a respiração profunda como forma de baixar o nível de stress e dar tempo ao corpo para relaxar. A regra do tempo também constitui uma importante mais-valia quando estamos alterados, uma vez que nos permite estabelecer uma distância entre o que está a acontecer e as emoções que sentimos. A chave é perguntar-nos se o que está a passar-se terá alguma importância daqui a cinco ou dez anos. É certo que a resposta negativa vai ajudar-nos a acalmar a mente e o corpo, asseguram os entendidos.
Ainda nas linhas de orientação dos especialistas está a necessidade de identificar os gatilhos: reparar se essa reação desproporcional costuma acontecer quando está mais cansado, quando dormiu ou se alimentou mal, quando está preocupado com alguma coisa ou com sobrecarga de atividades.
Aceite as emoções sem culpa: é fundamental reconhecer o que se está a passar e o que sente, mas tente avaliar se vale mesmo a pena dedicar tanta energia e atenção à situação. É normal que nos sintamos frustrados, aborrecidos e até dececionados com algo, mas também é essencial tentar encontrar alternativas a esse estado e procurar novas respostas para alterar o pensamento. O segredo é evitar transformar o sucedido numa “catástrofe total”, por muito que a situação seja importante para si, aconselham os entendidos na área da psicologia.
Segundo o endocrinologista austríaco Hans Selye, “Não é o stresse que nos mata, mas sim, a nossa reação a ele”. Nesse sentido, é importante encontrar estratégias que nos ajudem a reduzir esses estados de exaltação.
O Instituto Bem do Estar diz que “os problemas reais começam a surgir quando reagimos muito mais do que as circunstâncias o justificam”, no entanto, devemos perdoar-nos pelas vezes em que nos exaltámos e tentar fazer algo melhor, e isso conquista-se tomando consciência de que podemos “perder a cabeça” e a razão quando nos confrontamos com alguns cenários específicos. Reconhecê-los ajuda-nos a reduzir a intensidade das “explosões”, regista o mesmo instituto, alertando para o facto de poderem existir problemas associados às pessoas que reagem de forma desproporcional ao que lhes acontece.
Há pessoas que pensam demais no que lhes ocorre, que se vitimizam, lamentam a sua sorte quando algo não corre como gostariam e, segundo o instituto Bem do Estar, "isso só agrava o problema, limita a felicidade e a gratificação perante a vida e não permite que nos sintamos bem e relaxados”.
Ao identificarmos os gatilhos, mais facilmente conseguimos controlar as emoções e perceber o que nos conduz a reações exageradas. Para tal, é crucial reservarmos um tempo para analisarmos o que motiva essas reações, como nos sentimos nesses momentos, o que queríamos fazer e que não fizemos ou o contrário e depois tentar encontrar novas respostas para os mesmos acontecimentos. Só assim poderemos evitar passar pelo mesmo, alerta o mesmo instituto.
Por fim, devemos ter em conta que, nem sempre a vida corre como gostaríamos, que as pessoas nem sempre fazem aquilo que desejávamos e que imprevistos e obstáculos vão fazer sempre parte dos nossos dias.
Assim, devemos proteger-nos de muitas energias que recebemos nos vários momentos e um dos segredos é não encarar as situações como um ataque pessoal ou algo que só nos acontece ou que “fazem sempre de propósito para nos prejudicar”. Ao deixar “passar ao lado” o que nos dizem, damos tempo à análise e à reação mais contida e ponderada e, no fim de contas, a maior parte do que se passa em nosso redor, e até connosco, nada tem a ver com a pessoa que somos, mas sim com o que o outro pensa de si mesmo.