O chamado Brain Dump, ou “despejo mental”, envolve um conjunto de estratégias que têm o intuito de ajudar-nos a libertar a mente do excesso de informação que impede que nos organizemos, que pensemos com clareza e que sejamos mais funcionais.
Comece por dedicar dois minutos a escrever tudo o que lhe passa pela mente, sem uma preocupação com a lógica ou com o conteúdo. Escreva simplesmente tudo o que lhe passar pela cabeça.
Segundo a ciência, esta técnica ajuda a libertar rapidamente a mente e a sentir um poderoso alívio associado a uma maior capacidade de concentração, de separação do que é essencial e do que é supérfluo, enquanto que reduz o stress e a ansiedade. Tal acontece porque, quando mantemos uma preocupação ativa, uma ruminação, um pensamento constante em algo, acaba por desgastar a mente e por manter sempre o cérebro em estado de alerta porque precisa de proteger-nos desse perigo. Ao escrevermos no papel o que nos sobrecarrega, desliga-se o foco nessa preocupação e começamos a funcionar normalmente e com ideias para ultrapassar o que nos preocupava, explicam os entendidos.
Nessa folha de papel pode colocar os seus medos, compromissos, ideias soltas, lembretes e pensamentos repetitivos, já que não se trata de uma forma de organização mental, mas sim, um despejo de tudo o que não nos faz falta e que está a impedir-nos de desfrutar das nossas capacidades e habilidades mentais.
Os especialistas asseguram que, a escrita descontraída e com este intuito de “limpeza”, «é uma ferramenta simples, acessível e surpreendentemente eficaz para quem vive com a cabeça sempre cheia».
Na mesma sequência, para tranquilizar a mente acelerada, use técnicas de respiração profunda, pratique mindfulness e meditação, faça exercícios físicos, envolva-se em hobbies relaxantes como ler ou pintar, reduza o tempo de ecrã, estabeleça uma rotina de sono e, se necessário, procure ajuda profissional de um psicólogo para aprender a gerir o stress e a ansiedade, pois a organização e pausas ativas também são cruciais.
Pode então começar assim:
Respiração diafragmática:
Inspire pelo nariz contando até 4, segure a respiração contando até 2, expire pela boca contando até 6. Repita por alguns minutos.
Foco no presente:
Direcione a atenção para os seus sentidos – sinta os pés no chão, a postura, o ar. Enquanto desvia a atenção, retira o foco dos pensamentos que o invadiam.
Movimento consciente:
Beba água lentamente ou faça uma caminhada focando-se nos seus movimentos para desacelerar os pensamentos.
Música:
Ouça música clássica ou sons da natureza com batidas lentas (cerca de 60 bpm) para acalmar o cérebro.
Toque no seu corpo:
Os especialistas afirmam que, tocar no nosso próprio corpo quando estamos com muita ansiedade, acalma-nos. Experimente simplesmente segurar na sua própria mão durante alguns minutos e verá que a apresentação do trabalho ou tarefa que tem pela frente lhe corre muito melhor porque, ao tocar-se, sente-se confiante e seguro, acredita em si e perde o medo.
Hábitos para o dia a dia:
Meditação e Mindfulness: Práticas que ajudam a acalmar a mente e a focar-se no que importa.
Exercício Físico: Liberta endorfinas e reduz o stress.
Hobbies e Pausas: Pinte, leia, cuide de plantas ou faça qualquer atividade que não exija raciocínio e que lhe proporcione prazer.
Desligar-se: Reduza redes sociais e tecnologias, especialmente antes de dormir, para diminuir a sobrecarga de informação.
Rotina de Sono: Crie um ambiente tranquilo e tenha horários regulares para dormir e acordar.
Alimentação: Mantenha uma dieta equilibrada e evite o excesso de cafeína e álcool.
Por fim, registe que, quando experimenta estas mudanças e, mesmo assim, não consegue desacelerar a mente, peça ajuda ao seu médico de família, a um psicólogo ou psiquiatra, pois é essencial que cuide de si, que aprenda a gerir as suas emoções e, acima de tudo, que aceite que não consegue controlar tudo, mas que pode pensar nas situações de modo a evitar muitos problemas e dissabores. Por exemplo, o leitor sabe que, se não organizar bem o seu dia, não conseguirá cumprir tudo aquilo a que se propõe. Se acumular tarefas, certamente que não dará conta de tudo, se beber demasiado, não deverá conduzir e evitar um acidente, se não estudar uma matéria, dificilmente terá uma boa classificação num teste. Isto é o que depende de nós e o que podemos controlar – é a nossa responsabilidade sobre o nosso comportamento no dia-a-dia. Com esta postura responsável, verá que evita muitos dissabores e que vive mais consciente e tranquilo.
Se estiver menos tempo no ecrã, não vai acabar o dia com a sensação de cansaço extremo, confuso, desgastado e sem motivação porque fez outras atividades e cumpriu as suas tarefas de modo responsável. No fundo, é transformar a culpa em responsabilidade para evitar aquilo que é possível e que nos prejudica.
A vida moderna está repleta de situações que podem provocar ansiedade. Por vezes, pode ser benéfica para responder a um determinado desafio. Mas em muitos casos, a intensidade destes episódios é negativa e paralisante. A melhor forma de lidar com estas situações é antecipá-las e aprender a controlá-las através da respiração. Mas se as crises se prolongarem no tempo, então é importante pedir ajuda especializada, recomendam os especialistas.