Dicas

Dicas para nutrir o corpo e a mente

Foto - Depositphotos  
Existe uma preocupação crescente em alimentar o corpo e a mente para garantir mais saúde e longevidade. Neste artigo dizemos-lhe como.

PUB

De acordo com a dietista-nutricionista Gabriela Uriarte, uma das principais vozes contra a cultura da dieta, existe uma relação profunda entre a alimentação e a saúde mental.

Segundo a especialista, muitas pessoas vivem a alimentação saudável como uma avaliação constante: se comem “bem”, passam; se comem “mal”, reprovam. Contudo, na sua perspetiva, comer bem nada tem a ver com um código ético, devendo antes constituir um plano baseado em hábitos flexíveis. O sentimento de culpa, neste contexto, não melhora o comportamento alimentar – pelo contrário, tende a agravá-lo. “Quando sentimos que estamos a falhar, é comum entrar no ciclo culpa–restrição–compulsão–mais culpa, reiniciando o processo. Isto leva à perda da capacidade de tomar decisões com serenidade, afastando-nos de uma alimentação saudável e sustentável.”

Gabriela Uriarte propõe três princípios fundamentais para viver sem culpas no que se refere à alimentação e para que se possa desfrutar de mais saúde física e mental: ouvir o corpo, procurar a flexibilidade e esforçar-se por perder o medo de determinados alimentos considerados “proibidos”. Só assim é possível recuperar uma relação saudável com a comida, tomar melhores decisões e promover uma alimentação mais equilibrada, tanto a nível físico como mental.

A dietista destaca a importância de nutrir o cérebro e o sistema nervoso, uma vez que a qualidade daquilo que comemos tem impacto no nosso corpo. Mas importa também considerar os benefícios da alimentação saudável para a saúde mental e compreender de que forma influencia o humor, a energia e a autoestima.

A Escola de Saúde de Harvard destaca que, para melhorar a saúde em geral, torna-se imperioso que coloquemos a alimentação no centro das prioridades, já que é através dos alimentos que o corpo obtém a energia de que necessita para realizar as suas funções com qualidade, mantendo o bom humor e o bem-estar geral. Incluir estes alimentos na dieta é a base para a longevidade e a qualidade de vida:

1. Ómega-3 (salmão, sardinha, chia ou sementes de linhaça)

2. Vitaminas do complexo B (carnes de qualidade, frango, ovos, vegetais de folha verde, frutos secos, sementes e leguminosas)

3. Magnésio (frutos secos, sementes, espinafres e abacate)

«A ingestão insuficiente destes nutrientes pode provocar desequilíbrios nos neurotransmissores responsáveis pela manutenção da saúde mental. Mais ainda, a sua deficiência aumenta o risco de ansiedade ou depressão», sublinha a mesma instituição, evidenciando que «o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados pode provocar inflamação e oscilações nos níveis de glicose no sangue, contribuindo para alterações de humor, negatividade e maior risco de depressão».

Por outro lado, dietas ricas em nutrientes – como a Dieta Mediterrânica – favorecem a produção de neurotransmissores como a serotonina, que regulam o estado de espírito, enfatiza a Escola de Saúde de Harvard, destacando a estreita relação entre nutrição e autoestima: “A adoção de hábitos alimentares saudáveis tende a melhorar a forma como a pessoa se sente consigo própria, contribuindo para uma imagem corporal mais positiva e para uma maior consciência de autocuidado.”

Naturalmente que todos podemos “fugir” à dieta de vez em quando, mas o essencial é que tomemos consciência da importância de fazer escolhas saudáveis e desenvolver um estilo de vida que inclua produtos frescos, menor consumo de alimentos industrializados, um bom consumo de água, pouco açúcar e prática regular de exercício físico, e que isso seja um prazer. Cuidar da saúde física e mental é algo que nos diz respeito a todos e, sem pressões ou imposições, deve fazer parte dos nossos hábitos diários, sugerem os entendidos nesta matéria.

É essencial não esquecer também a importância de um sono de qualidade, pois, quando se fala de saúde em geral, o descanso também tem de estar na linha da frente; e cuidar-se carinhosamente, pois só assim a dieta deixa de ser um sacrifício e passa a fazer parte de um estilo de vida voltado para a autoestima, bem-estar e satisfação para connosco próprios e para com a vida.