Dicas

Dicas para quem se preocupa excessivamente

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De acordo com uma publicação da Clínica Saúde e Bem-estar, a preocupação excessiva torna-se um transtorno quando interfere no dia a dia, sendo essencial procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra para melhorar o seu estado de satisfação perante a vida. A preocupação faz parte do ser humano e ajuda a proteger-nos, contudo, quando a mente começa a criar cenários, a ansiedade dispara.

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Os psicólogos alertam para o facto de podermos entrar em exaustão emocional quando permitimos que a mente crie cenários, procure soluções para algo que ainda não aconteceu e que nem se sabe se pode ocorrer, já que entramos numa espiral de negatividade, medo, dúvida e instabilidade pouco positiva para a nossa saúde física e mental.

Há pessoas que se habituaram a estar permanentemente preocupadas com o que têm, com o que não possuem e até com o que pensam vir a ter ou que nem sequer vão conseguir. Fazem-no porque acreditam que podem controlar tudo, mas na realidade não é isso que acontece, alertam os especialistas na área do comportamento humano.

A pessoa que quer controlar e antecipar tudo, acaba por paralisar no encontro de soluções concretas porque só está concentrada na sua perspetiva que, em muitos casos, se afasta da realidade pelo que, desenvolve um medo constante de errar, de ter de confrontar-se com algo que escape ao seu controle, acabando por limitar o seu raio de ação e o encontro de respostas concretas para os problemas que realmente existem e que precisam da sua intervenção. Como consequência, passa a vida insatisfeita, com cobranças elevadas sobre o seu valor e empenho, o que a conduz à ansiedade e à depressão.

As pessoas recorrem à preocupação excessiva porque acreditam que, se o fizerem, estão protegidas para tudo o que lhes possa acontecer, mas isso não é verdade. Estarão é muito mais cansadas porque a vida não responde a um controle excessivo, mas sim, a um maior desapego que, é precisamente o inverso, alertam os psicólogos.

«A vida responde melhor à definição de limites, ao travão que se coloca quando os pensamentos nos invadem e se repetem sucessivamente e quando conseguimos desviar-nos do problema e vê-lo de fora; como se não nos pertencesse». Só dessa forma conseguiremos analisar o que se passa, o que realmente temos para resolver e tentar encontrar as melhores estratégias para superar o que nos incomoda, sublinham os entendidos.

«Aceitar limites não é desistir de si. É justamente o contrário. É reconhecer que não precisa de carregar o mundo inteiro nos ombros para merecer descanso. Que não saber tudo não é fracasso. Que errar não é uma  prova de incompetência, mas de humanidade», registam.

A preocupação constante cria a ilusão de movimento, mas na prática paralisa. A pessoa pensa tanto que deixa de agir. Analisa tanto que perde a clareza. E quanto mais tenta antecipar-se ao futuro, menos vive o presente. O preço disso aparece em forma de ansiedade, irritação, insónia e uma sensação contínua de estar sempre em dívida para consigo mesmo. Só temos liberdade quando entendemos que, algumas respostas só surgem com o tempo e que não temos o controle absoluto da vida; nem da nossa, nem da dos outros.

Admita que, nem tudo depende de si e concentre as suas energias para o que realmente importa, já que, desse modo, estará mais livre, mais consciente e mais apto para ir resolvendo o que lhe surgir. No entanto, tenha em mente que, no que depende de si, efetivamente, deve acautelar os riscos e prevenir danos através de um planeamento, não somente de preocupações que lhe preenchem a mente e que nada concretizam. Faça o melhor para proteger-se, para sentir-se bem, para evitar o que não quer, mas deixe uma margem de manobra para saber mais de si, dos outros e da vida, pois é com essa distância que conseguirá analisar melhor o que o rodeia, recomendam os especialistas.

A vida não exige perfeição. Exige lucidez. E lucidez começa quando deixamos de exigir o impossível e começamos a aceitar os nossos limites, a nossa força, mas também a nossa fraqueza perante aquilo que não depende de nós. Mas se concentrarmos as nossas energias noutros focos, certamente que vamos encontrar sempre motivos para descomprimir, relaxar e viver bons momentos no presente.

Por fim, registe que as pessoas que se preocupam em demasia, apresentam estas características gerais:

• Ruminação Mental: Pensamentos repetitivos sobre problemas e o futuro.

• Controle e Perfeccionismo: Necessidade de controlar situações, procedimentos e regras, comum no transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva.

• Visão Catastrófica: Acreditar que preparar-se para o pior é uma forma de proteção.

As principais causas são: stress prolongado, traumas, predisposição genética, ambientes familiares exigentes ou estilos de pensamento rígidos.

Relativamente aos sintomas, estes dividem-se em físicos e emocionais tais como: Insónia, palpitações, tensões musculares, dores de estômago, dificuldades de concentração, irritabilidade e medo constante.

Como lidar e reduzir a preocupação:

•  Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): A abordagem mais recomendada para reestruturar pensamentos negativos.

•  Técnicas de foco no presente: Meditação, mindfulness e exercícios de respiração para controlar a ansiedade.

•  Limitar o tempo de preocupação: Reservar um momento do dia para pensar nos problemas, evitando a ruminação constante.

•  Ação em vez de pensamento: Focar em resolver questões práticas em vez de apenas imaginar o problema.

• Estilo de vida saudável: Exercícios físicos regulares, boa alimentação e redução de cafeína e álcool.