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Diferenças entre empatia e contágio emocional
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A maior ou menor facilidade com que comunicamos uns com os outros, é definida pela empatia, razão pela qual se afirma que, as relações empáticas são as mais interessantes e produtivas, ainda assim, é importante reter que, também o contágio emocional assume um papel relevante nas relações humanas e que, não sendo a mesma coisa, acaba por complementar a empatia.
 
Em primeiro lugar, importa recordar que, o contágio emocional ocorre sempre que existe uma interação com uma ou mais pessoas.
 
Este contágio emocional acontece nas mais variadas situações e, não depende do grau de proximidade que se consegue estabelecer entre as pessoas. Numa relação amorosa, num contexto profissional, numa sala de aula ou num jogo de futebol, é fácil constatar o poder deste mecanismo que se ativa quando ocorre uma libertação emocional capaz de influenciar os outros.
 
Dúvidas houvesse, um “golo” consegue fazer estremecer uma multidão, tal como um grito na rua ou uma sonora gargalhada numa esplanada.
 
De acordo com Daniel Goleman, “cada um de nós é, em grande parte, responsável pela forma como os sentimentos das pessoas com as quais interagimos diariamente nos afetam, tanto a nível positivo como negativo”.
 
Para que se perceba a base deste funcionamento, o mesmo especialista alerta para “o poder contagiante das emoções”.
 
Qualquer um de nós já sentiu esta influência positiva ou negativa no seu estado de espírito em qualquer momento do dia. Ao entrar num táxi e ser recebido com um sorriso, naturalmente que a viagem será muito mais agradável, sem esquecer que, é comum ocorrer a devolução dessa simpatia.
 
O mesmo acontece com um “por favor” ou “obrigado” numa determinada circunstância.
 
Pode-se então afirmar que, “as emoções, apesar de serem invisíveis, são contagiadas como se fossem um vírus, e fazem isto através da troca subterrânea em cada um dos nossos relacionamentos, percebendo-as como negativas ou nutritivas”.
 
Na posição de Daniel Goleman, “o contágio emocional é um processo imperceptível e subtil que acontece constantemente, no qual são emitidos sinais emocionais que afetam as pessoas ao nosso redor”.
 
Há muito que a ciência se interessou pelo tema, sendo sempre atual tentar compreender o que se passa nas relações com os outros.
 
São cada vez mais os entendidos que afirmam que, “a transmissão de emoções é um processo primitivo e inconsciente que age como uma sincronia e nasce da nossa própria sobrevivência”.
 
O processo envolve diversos mecanismos, podendo-se afirmar que, os sujeitos vivem como que um “bailado de emoções” para se sintonizarem uns com os demais. Entre a química que se transmite através da expressão facial, passando para as lágrimas, ou expressões mais agressivas, é difícil ser indiferente ao que os outros nos transmitem.
 
Como nada é perfeito na natureza, tal como há pessoas que se deixam contagiar com maior ou menor facilidade pelas emoções, também existe o lote de quem lhes consegue ser indiferente. Nesses casos, falamos dos psicopatas, a quem uma lágrima não causa qualquer comoção.
 
Daniel Goleman também enaltece as pessoas hipersensíveis que, “são como esponjas emocionais capazes de absorver qualquer toque emocional que aconteça ao seu redor”.
 
Mas, afinal como ocorre o contágio emocional?
 
Na posição de Daniel Goleman, tudo está ligado ao cérebro. É um grupo de neurónios que funciona quase como que um
 “wifi neurológico” para se conectar com outros cérebros. Nessa conexão ocorre uma passagem de informação entre o que nós observamos nos outros e aquilo que transmitimos. Trata-se dos neurónios espelho.
 
Um exemplo dessa conexão ocorre quando nos emocionamos a ver um filme dramático ou não conseguimos ser indiferentes à tristeza de outra pessoa. Pela positiva, também nos podemos deixar contagiar por uma gargalhada vinda da mesa do lado!
 
Daniel Goleman explica que, “quando os neurónios espelho se ativam, colocam em funcionamento os mesmos circuitos cerebrais que aqueles que estão ativos na pessoa que observamos. Desse modo, é possível sentir uma emoção como própria, mesmo que não a estejamos a executar. É uma sintonia perfeita que nos pernmite acompanhar diretamente a situação”.
 
No que se refere à empatia, “embora tenham alguns pontos em comum e em algum momento um se sirva do outro, não são a mesma coisa”.
 
O mesmo investigador diferencia: “sentir empatia, é ser capaz de se colocar no lugar do outro, sem perder de vista os próprios sentimentos. No caso do contágio emocional, é praticamente impossível ser indiferente à emoção que o outro nos transmite”.
 
Para o mesmo especialista, “a empatia é uma arte que a maioria das pessoas não é capaz de desenvolver”.
 
Por outro lado, “o contágio emocional significa sentir como próprias as emoções dos outros e não saber como se desprender delas, sofrendo as suas consequências”.
 
Para compreender a diferença, Daniel Goleman clarifica, “a empatia é como mergulhar na água e o contágio emocional é como beber um copo de água. A primeira experiência leva-noa a conhecer e compreender o comportamento deste fluido e a segunda passa a fazer parte de nós”.
 
Naturalmente que, para se sentir empatia, é necessário deixar-se contagiar emocionalmente em algum momento, no entanto, não se pode depender das emoções que o outro transmite, sob pena de se perder a autonomia”.
 
Conhecendo as diferenças, tudo se torna mais fácil, uma vez que, como já foi referido, cada um de nós é responsável pela influência que os comportamentos e sentimentos dos outros assumem em nós. Nessa medida, podemos “decidir” se queremos deixar-nos arrastar por aquilo a que assistimos ou simplesmente tentar compreender alguém com quem conseguimos estabelecer empatia, sem perder de vista a nossa identidade.
 
Na prática, “é o desligar” de situações ao nosso redor para que nos possamos sentir livres delas.
 
No caso da empatia, esta acaba por melhorar substancialmente a qualidade das relações, mas não é possível estabelecê-la com muitas pessoas. Também aí teremos de fazer uma escolha em prol daquilo que nos é mais agradável a positivo desenvolver.
 
 
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