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É a carência afetiva que nos inquieta

É a carência afetiva que nos inquieta
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13-06-2018 - 21:55
Muitas vezes não compreendemos as causas do sofrimento psicológico e que se refletem no físico, isto porque andamos tão ocupados e concentrados no materialismo que nem paramos para analisar sobre aquilo que realmente nos afeta.
 
Tal como uma dor física nos causa transtornos, também as chamadas “dores da alma” nos causam mau-estar; uma instabilidade talvez ainda maior que a dor física identificada, tudo porque essas dores parecem inexplicáveis e mais difíceis de compreender.
 
São muitos os dados que nos mostram o quanto a saúde psicológica é determinante para o bem-estar geral do ser humano, pelo que, não é por acaso que existe um sem número de teorias que sugerem a meditação, o mindfulness e, todo o conjunto de terapias que estimulem o pensamento, a descompressão e o relaxamento.
 
Perante esta realidade, é fundamental que reservemos algum tempo do nosso dia para podermos refletir acerca do que nos possa estar a causar sofrimento, o que em muitos casos, não passa de mal entendidos, de solidão, de ansiedade, de acumulação de tarefas ou de responsabilidades.
 
Muitas vezes, uma boa conversa é o suficiente para que se encontre alguma leveza e um alívio dessas dúvidas e inquietações que desestabilizam todo o organismo.
 
Um esclarecimento, a resolução de um problema ou a simples localização e interpretação do que se passa podem ajudar a melhorar e a predispor o indivíduo para um estilo de vida mais alegre e gratificante.
 
O facto de se tentar fazer uma paragem diária vai ao encontro da tese que defende que todos os dias precisamos de afeto. Não é por acaso que se diz que um abraço por dia melhora a saúde, que o beijo é um antidepressivo natural e que os casais que vivem em harmonia têm mais saúde e longevidade. É porque não precisamos de uma atividade orientada por mês, precisamos de cultivar hábitos diários de compensação dessa carência afetiva.
 
Ao mesmo tempo, devemos ter em conta a importância de dialogar e de assumir que nos faz bem à saúde. Falar descontraída e desinteressadamente ajuda-nos a encontrar novas linhas de orientação e alternativas. Esta técnica acaba por ser mais produtiva do que o hábito do mero desabafo em que parece que há sempre condicionalismos ao que se diz e ao que se ouve, pois existe uma intenção, um encontro marcado para falar de um assunto específico.
 
A psicoterapia é uma importante aliada, mas tal como referimos acima, existe uma intenção, uma formalidade que nem sempre se aplica, pois não iríamos andar em consultas todos os dias, mas sim quando se justifica. Falamos sim da conversa que vai fluindo ao sabor do momento; aquele tipo de discurso que se enquadra num contexto e em função das pessoas que estão presentes.
 
Não há um desabafo claro ou intencional, mas sim uma libertação de ideias que se trocam com outras pessoas.
 
Cada um fala de si ou de qualquer tema sem uma intenção direta de alcançar um objetivo e, como resultado, encontram-se sempre pontos que nos podem ajudar a colmatar a carência que sentimos, pois na maioria das vezes, só temos necessidade de sentir o outro, de sentir que alguém se interessa por nós, que gosta de estar e de conversar connosco. Tal acontece porque somos todos carentes de afeto e de atenção.
 
Seja pela nossa infância, pelo nosso percurso, pela forma como desenvolvemos o nosso pensamento e personalidade, ninguém é suficientemente forte para dizer que não precisa destes momentos de carinho, de compreensão e de conquista do bem-estar. Naturalmente que esta é a simplicidade do ser humano que se vai afastando das nossas atuações, daí ser assinalada como uma carência, pois todos precisamos de sentir estas emoções, mas temo-nos habituado a fazer de conta que não.
 
Como resultado, surge um inúmero conjunto de doenças e um sofrimento que parece inexplicável. Surge o isolamento porque se desconfia de tudo e de todos, surge a solidão porque se deixa de acreditar nos outros, surgem, problemas mentais porque se perdeu o interesse em conversar sem ser nas redes sociais ou por telefone e, no final das contas, acumulamos doenças e vamos ao médico para poder conversar.
 
É fácil compreender como poderíamos tratar muitas doenças ou melhor, preveni-las, bastava que olhássemos para nós e que assumíssemos que, a carência nos leva a vícios, que nos desestabiliza, que nos entristece e nos faz perder a esperança.
 
A carência faz com que estejamos cada vez mais ligados ao materialismo e a procurar interesses nesse sentido para fugir dos confrontos. A carência leva-nos a uma incompreensão de nós mesmos, já que temos de fazer de conta que somos fortes e que não precisamos de ninguém. A carência leva-nos ao egoísmo infeliz e revoltado que nos faz adoecer.
 
Sabendo que a carência acarreta estas e outras consequências, devemos encontrar formas de nos compensarmos, nomeadamente tentarmos ser mais livres para connosco próprios e para com os outros. Minimizar os preconceitos que nos empurram para a solidão, validar o ser humano como pessoa e não pelo que possui, aproveitar as ocasiões para conversar e não para discutir, valorizar cada momento como único e especial e, compreender de uma vez por todas que, a maior parte das nossas doenças se deve ao rigor e à exigência que temos para connosco próprios a ponto de não nos permitir chegar aos outros.
 
É fácil encontrar alguém para conversar sobre banalidades, o problema é que em pouco tempo, já estamos a exigir algo mais. Sejamos mais simples e descomplicados em prol da nossa saúde! Façamos de uma conversa trivial um alimento de um dia ou de uma situação. Em pouco tempo teremos muitos, muitos mais momentos descontraídos e libertos de tensões e preconceitos.
 
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