Periodicidade: Diária | siga-nos | seja fã
PUB
 
É a carência afetiva que nos inquieta
Imprimir Partilhar por email
Muitas vezes não compreendemos as causas do sofrimento psicológico e que se refletem no físico, isto porque andamos tão ocupados e concentrados no materialismo que nem paramos para analisar sobre aquilo que realmente nos afeta.
 
Tal como uma dor física nos causa transtornos, também as chamadas “dores da alma” nos causam mau-estar; uma instabilidade talvez ainda maior que a dor física identificada, tudo porque essas dores parecem inexplicáveis e mais difíceis de compreender.
 
São muitos os dados que nos mostram o quanto a saúde psicológica é determinante para o bem-estar geral do ser humano, pelo que, não é por acaso que existe um sem número de teorias que sugerem a meditação, o mindfulness e, todo o conjunto de terapias que estimulem o pensamento, a descompressão e o relaxamento.
 
Perante esta realidade, é fundamental que reservemos algum tempo do nosso dia para podermos refletir acerca do que nos possa estar a causar sofrimento, o que em muitos casos, não passa de mal entendidos, de solidão, de ansiedade, de acumulação de tarefas ou de responsabilidades.
 
Muitas vezes, uma boa conversa é o suficiente para que se encontre alguma leveza e um alívio dessas dúvidas e inquietações que desestabilizam todo o organismo.
 
Um esclarecimento, a resolução de um problema ou a simples localização e interpretação do que se passa podem ajudar a melhorar e a predispor o indivíduo para um estilo de vida mais alegre e gratificante.
 
O facto de se tentar fazer uma paragem diária vai ao encontro da tese que defende que todos os dias precisamos de afeto. Não é por acaso que se diz que um abraço por dia melhora a saúde, que o beijo é um antidepressivo natural e que os casais que vivem em harmonia têm mais saúde e longevidade. É porque não precisamos de uma atividade orientada por mês, precisamos de cultivar hábitos diários de compensação dessa carência afetiva.
 
Ao mesmo tempo, devemos ter em conta a importância de dialogar e de assumir que nos faz bem à saúde. Falar descontraída e desinteressadamente ajuda-nos a encontrar novas linhas de orientação e alternativas. Esta técnica acaba por ser mais produtiva do que o hábito do mero desabafo em que parece que há sempre condicionalismos ao que se diz e ao que se ouve, pois existe uma intenção, um encontro marcado para falar de um assunto específico.
 
A psicoterapia é uma importante aliada, mas tal como referimos acima, existe uma intenção, uma formalidade que nem sempre se aplica, pois não iríamos andar em consultas todos os dias, mas sim quando se justifica. Falamos sim da conversa que vai fluindo ao sabor do momento; aquele tipo de discurso que se enquadra num contexto e em função das pessoas que estão presentes.
 
Não há um desabafo claro ou intencional, mas sim uma libertação de ideias que se trocam com outras pessoas.
 
Cada um fala de si ou de qualquer tema sem uma intenção direta de alcançar um objetivo e, como resultado, encontram-se sempre pontos que nos podem ajudar a colmatar a carência que sentimos, pois na maioria das vezes, só temos necessidade de sentir o outro, de sentir que alguém se interessa por nós, que gosta de estar e de conversar connosco. Tal acontece porque somos todos carentes de afeto e de atenção.
 
Seja pela nossa infância, pelo nosso percurso, pela forma como desenvolvemos o nosso pensamento e personalidade, ninguém é suficientemente forte para dizer que não precisa destes momentos de carinho, de compreensão e de conquista do bem-estar. Naturalmente que esta é a simplicidade do ser humano que se vai afastando das nossas atuações, daí ser assinalada como uma carência, pois todos precisamos de sentir estas emoções, mas temo-nos habituado a fazer de conta que não.
 
Como resultado, surge um inúmero conjunto de doenças e um sofrimento que parece inexplicável. Surge o isolamento porque se desconfia de tudo e de todos, surge a solidão porque se deixa de acreditar nos outros, surgem, problemas mentais porque se perdeu o interesse em conversar sem ser nas redes sociais ou por telefone e, no final das contas, acumulamos doenças e vamos ao médico para poder conversar.
 
É fácil compreender como poderíamos tratar muitas doenças ou melhor, preveni-las, bastava que olhássemos para nós e que assumíssemos que, a carência nos leva a vícios, que nos desestabiliza, que nos entristece e nos faz perder a esperança.
 
A carência faz com que estejamos cada vez mais ligados ao materialismo e a procurar interesses nesse sentido para fugir dos confrontos. A carência leva-nos a uma incompreensão de nós mesmos, já que temos de fazer de conta que somos fortes e que não precisamos de ninguém. A carência leva-nos ao egoísmo infeliz e revoltado que nos faz adoecer.
 
Sabendo que a carência acarreta estas e outras consequências, devemos encontrar formas de nos compensarmos, nomeadamente tentarmos ser mais livres para connosco próprios e para com os outros. Minimizar os preconceitos que nos empurram para a solidão, validar o ser humano como pessoa e não pelo que possui, aproveitar as ocasiões para conversar e não para discutir, valorizar cada momento como único e especial e, compreender de uma vez por todas que, a maior parte das nossas doenças se deve ao rigor e à exigência que temos para connosco próprios a ponto de não nos permitir chegar aos outros.
 
É fácil encontrar alguém para conversar sobre banalidades, o problema é que em pouco tempo, já estamos a exigir algo mais. Sejamos mais simples e descomplicados em prol da nossa saúde! Façamos de uma conversa trivial um alimento de um dia ou de uma situação. Em pouco tempo teremos muitos, muitos mais momentos descontraídos e libertos de tensões e preconceitos.
 
Fátima Fernandes
 
50 dicas mais lidas

Educação: o que não se deve (de forma alguma) fazer a uma criança

(87398)

Pais são responsáveis pelo mau comportamento dos filhos

(37157)

Há pessoas que (só) falam mal dos outros. Saiba porquê.

(19224)

Sabe o que é Síndrome de Húbris? É a doença do poder!

(14018)

Não podemos viver sem amor

(11994)

O que se esconde atrás da traição feminina?

(10997)

A mentira: um mal necessário

(9156)

As pessoas tristes são as mais egoístas!

(9051)

Idade não traduz maturidade

(8839)

“Bom português”:sabe como/quando utilizar ás, às e hás?

(8339)

Afinal, há sexo no local de trabalho! – estudo mostra realidade desconhecida

(8287)

Educação: orientar as crianças para a maturidade emocional

(8028)

Os principais erros que os pais cometem com os filhos adolescentes

(6812)

Afinal, os amigos não são para sempre!

(5718)

Vamos ler os rótulos dos alimentos?

(5599)

É Demissexual?

(5349)

Mulheres só descobriram prazer sexual na década de 80

(5298)

Ignorância: a maior doença da Humanidade

(5163)

“Os pais não são ‘os amigos’ dos filhos”

(5104)

A “ciência” do aperto de mão

(4721)

Abraços melhoram a memória e o bem-estar físico

(4711)

Casais juntos 24 horas por dia – mais risco de desgaste?

(4671)

Violência doméstica: a família tem de re(agir)

(4652)

Amor:Como ultrapassar a “crise dos 7 anos”?

(4532)

Os filhos precisam de mais tempo dos pais!

(4477)

“Bom português”: sabe utilizar a vírgula?

(4468)

O poder das ervas aromáticas

(4435)

Vamos fazer a leitura dos pés?

(4346)

“Ou mudamos a educação ou o mundo vai afundar” – Claudio Naranjo

(4246)

Há cada vez mais pais com medo dos filhos. Porquê?

(4229)

Escola: o que não se deve dizer/fazer aos filhos

(4172)

A família é a base do sucesso escolar

(4134)

Rejeição dos pais deixa marcas para a vida

(4060)

Beleza não é sinónimo de felicidade - estudo

(4050)

Ansiedade: o problema psiquiátrico da atualidade

(4050)

Portugal: o país onde as crianças são “únicas e especiais”

(4025)

Descubra “o poder curativo” da praia

(4024)

Oito “segredos” para ser bom pai

(4015)

Descubra os “segredos” das pessoas mais felizes do mundo

(4012)

O que muda na mulher aos 40?

(3951)

“Ser fixe” na adolescência é sinal de alerta para o futuro

(3846)

“Crianças que não brincam, ficam doentes” – Mário Cordeiro

(3821)

Pais inseguros “desenvolvem” filhos instáveis

(3743)

Desenho: uma forma de expressão essencial ao desenvolvimento

(3645)

“Discussões fazem mal à saúde”

(3639)

Está a preparar o seu filho para o mundo?

(3624)

Como estimular a inteligência nos bebés

(3616)

A mudança interior aumenta a esperança de vida

(3555)

A inveja: um ponto contra a auto-estima

(3533)

O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade?

(3531)
PUB
 
MAIS LIDA ONTEM
Caso de Covid-19 em Lagos está ligado a emigrante português

Caso de Covid-19 em Lagos está ligado a emigrante português

ver mais
 
 
  
PUB
  
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Startup de Loulé produz mil zaragatoas por dia fornecendo Algarve e Baixo Alentejo

Startup de Loulé produz mil zaragatoas por dia fornecendo Algarve e Baixo Alentejo

ver mais
 
Covid-19:A importância do apoio psicológico na fase de confinamento

Covid-19:A importância do apoio psicológico na fase de confinamento

ver mais
 
 Câmara Municipal de Vila do Bispo adquire retroescavadora

Câmara Municipal de Vila do Bispo adquire retroescavadora

ver mais
 
 
 
 
Allô Pizza Escola de Condução C.C.S Loja das Taças Restaurante Os Arcos
» Sociedade» Click Saúde» Desporto» Economia
» Política» Figuras da nossa Terra» Fichas de Leitura» CX de Correio