Ambiente

Ecologistas alertam para risco de megaprojetos eólicos no nordeste algarvio

Foto - Depositphotos  
Um movimento cívico de defesa do ambiente e dos ecossistemas alertou hoje para o risco de megaprojetos eólicos previstos para os concelhos de Tavira e Alcoutim com implicações na biodiversidade e saúde das populações.

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“Megaprojetos eólicos com turbinas de mais de 200 metros de altura põe em risco zona crítica de biodiversidade, saúde das populações e economia local”, avisou hoje em comunicado a Plataforma pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo.

No total, estão previstos para as serras do nordeste algarvio, nos concelhos de Alcoutim e Tavira, dois grandes projetos de hibridização de centrais fotovoltaicas com parques eólicos (Solara4 e Galp), que no seu conjunto poderão implicar a instalação de 48 aerogeradores com mais de 200 metros de altura.

Segundo a plataforma, o processo de consulta pública relativo ao projeto de hibridização da Central Fotovoltaica de Alcoutim com parque eólico (Solara4), a decorrer até 04 de fevereiro, tem “um calendário particularmente apertado para uma decisão com potencial de produzir impactos negativos muito significativos e irreversíveis num dos territórios ambientalmente mais sensíveis do Algarve”.

Só no caso do Solara4, a informação técnica disponível indica um parque composto por 25 aerogeradores, com potência nominal unitária de 6,6 MW (megawatt) e potência total de 165 MWn (potência térmica no reator), explica a organização.

A plataforma afirma que o edifício mais alto de Portugal, a Torre Vasco da Gama, tem cerca de 145 metros e cada aerogerador previsto “ultrapassa largamente essa referência”, com pás superiores a 80 metros.

Segundo a Plataforma pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo, trata-se de equipamentos cuja presença física, dinâmica e sonora se faz sentir muito para além da plataforma de implantação.

“Nos projetos em análise, está prevista a implementação de aerogeradores a algumas centenas de metros de habitações, e outros a menos de 1,5 quilómetros”, afirma este movimento.

Os ambientalistas dizem que a área prevista para estes projetos integra o corredor migratório do Caldeirão e das serras algarvias, “essencial para milhares de aves planadoras” e é também uma região “reconhecida pela elevada importância para a conservação de grandes aves de rapina ameaçadas”, incluindo a águia-de-Bonelli, a águia-imperial-ibérica e a águia-real, entre outras espécies protegidas.

“Organizações com trabalho científico no terreno têm sublinhado que a aprovação de infraestruturas desta dimensão neste contexto representa um risco inaceitável para espécies protegidas e para a integridade ecológica da região”, sustentam.

A associação defende que a consulta pública em curso ocorre num “contexto de preocupação acrescida com a qualidade do debate democrático”, estando a saúde pública e a economia local também em causa.

A plataforma sublinha que “não está em causa a transição energética”, mas sim a localização e o modo de decisão de projetos industriais “com forte expressão territorial, num local que especialistas e organizações ambientais consideram ambientalmente desajustado, quando existem alternativas que resultam de planeamento territorial e evidência científica”.

Segundo a sua página na rede social Facebook, a plataforma “Pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve” é um movimento cívico criado com o intuito de promover ações de intervenção que zelem pela conservação dos valores naturais, culturais e sociais da região, de forma integrada e sustentável.