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Educação: orientar as crianças para a maturidade emocional
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Cada vez se fala mais na maturidade e na falta dela, tal como é muito comum ouvir dizer que “as crianças de hoje, são imaturas até mais tarde”.
 
Afinal, o que se pode fazer para ajudar os mais novos na complexa tarefa de conquistar a maturidade emocional?
 
Em linhas gerais, a maturidade é a base para enfrentar novos desafios, para desenvolver a autoconfiança e a capacidade para nos relacionarmos com os outros. É a maturidade quem nos permite o fortalecimento da personalidade, bem como a preparação para as etapas seguintes. A maturidade está ligada ao bem-estar e à felicidade, assim como à capacidade de valorizar as pessoas e as situações. É um processo contínuo, que se inicia no ato do nascimento e que se prolonga pela vida fora.
 
O tamanho e a estrutura do cérebro, não mudam muito do nascimento até à vida adulta. Mas, as conexões entre os neurónios (sinapses) que se estabelecem, especialmente até aos sete anos de idade, podem fazer diferença no equilíbrio cerebral e, consequentemente, na vida de um indivíduo.
 
É por essa razão que se torna tão importante orientar os mais novos para a maturidade: permitir que desfrutem da vida em pleno!
 
Para desenvolver as funções cognitivas, usam-se jogos de raciocínio, enquanto que, para o desenvolvimento da maturidade, se aposta nas interações socioafetivas qualificadas que vão condicionar a mente a ser mais coerente emocionalmente.
 
É fundamental ter em atenção que, uma criança que tem uma mente emocionalmente saudável não é aquela que não chora, tampouco se frustra ou se irrita, “mas aquela que aprimora, constantemente, a compreensão sobre as próprias emoções”.
 
O psicólogo Marcelo Mendes, da PUC-Campinas (SP) reforça ainda que, “ter essa capacidade significa possuir uma inteligência emocional (QE) sadia, tão importante quanto o quociente de inteligência (QI). Isso significa que não adianta a criança ser intelectualmente capacitada se não sabe lidar com críticas, por exemplo”.
 
Para facilitar a tarefa, o mesmo psicólogo enumerou cinco pontos-chave que ajudam a desenvolver o QE da criança:
 
1. Vínculos afetivos e efetivos – criar momentos de muita qualidade nas relações, de diálogo e escuta ativa. É fundamental estabelecer limites e, também, reconhecer feitos e conquistas.
 
2. Autoestima – não adianta elogiar a criança a toda a hora, muito menos reforçar-lhe as qualidades físicas em demasia. Para uma criança não é essencial que lhe digam que é “linda” ou “bonita”, muito menos que a encham de elogios dizendo que é muito inteligente. O mais importante para a autoestima da criança é o ambiente onde está inserida. A criança tem de se sentir segura, com espaço para arriscar e realizar atividades que lhe permitam desenvolver potencialidades. A autoestima da criança desenvolve-se através das oportunidades e da autonomia. Uma criança é confiante quando não depende da opinião de terceiros para fazer as suas escolhas.
 
Os pais devem valorizar mais o esforço e usar menos o elogio.
 
3. Resiliência – é a capacidade de lidar com problemas e superar dificuldades. Para exercitar essa habilidade, a criança precisa interagir com o outro e entender que nem sempre tudo sairá como o pretendido ou planeado. A criança tem de aprender a gerir a espera, o avanço e o recuo. Faz parte da resiliência a capacidade de ceder quando é necessário.
 
4. Frustrações – é importante que a criança vivencie “choques de realidade”. Aquilo que parece um drama, é a base para o desenvolvimento sadio. Se a criança perde uma atividade porque se atrasou, vai ser mais responsável na próxima situação. O mesmo se passa com o brinquedo que se perdeu ou partiu. Ficar limitada de uma brincadeira em função do mau comportamento, ajuda-a a ser mais cuidadosa noutra situação. A consequência de um comportamento, ajuda a criança a evoluir.
 
Adianta o mesmo psicólogo que, “as frustrações são necessárias para aprender a lidar com o ‘não’ nas situações futuras com as quais a criança se irá deparar”. Mas, não basta dizer “não” à criança. “Ela precisa entender o porquê para adquirir a consciência crítica e, transformar a proibição em aprendizagem.
 
Os pais não se devem preocupar com o facto de a criança chorar, de ficar aborrecida ou menos feliz com essa negação, pois não há outra forma de aprender”. Para que a aprendizagem se consolide, os pais devem inclusivamente sublinhar o sentimento que a criança está a expressar. “Estás aborrecido por teres perdido o jogo, mas faz parte das regras”. Ao mesmo tempo, devem dizer “não podemos comprar-te este brinquedo agora. Sabemos que estás triste, mas não podemos gastar esse dinheiro neste momento”.
 
5. Brincadeira – há angústias e medos que incomodam a criança e que podem ser expressos nas brincadeiras. Esse é também um ponto a favor do ato de brincar na primeira infância. A criança acaba por se confrontar com essa realidade e, aos poucos, vai superando esses obstáculos através dos jogos e demais brincadeiras que estabelece com os outros. Os jogos coletivos são ótimas estratégias para isso, porque desenvolvem o sentido de pertença, o controle da agressividade e o bem-estar, além da aprendizagem do respeito e da opinião do outro. Estes jogos também ajudam na aprendizagem das regras enquanto que expressam a ideia de que, a criança tem de estar disponível para fazer as coisas de forma diferente daquela a que está habituada.
 
Para além do “trabalho de casa” dos pais, também a escola é um excelente alicerce para o desenvolvimento da maturidade, uma vez que, alia o académico ao emocional nas mais variadas tarefas que propõe em todos os níveis de ensino.
 
Os entendidos afirmam  que, as crianças dos últimos trinta anos, apesar de mais ligadas às tecnologias, são mais imaturas devido à menor exigência parental. Quer isto dizer que, os pais podem e devem exigir, que não devem ter medo dos filhos, muito menos de ceder a todos os seus pedidos em função das frustrações que manifestam. Tal como já vimos, a frustração faz parte do desenvolvimento sadio e da própria maturidade!
 
Fátima Fernandes
 
 
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