Sociedade

Em projeto pioneiro no Algarve, escolas de VRSA apoiam alunos com daltonismo

 
O Município de Vila Real de Santo António está a dar continuidade ao Programa ColorADD nas Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, uma iniciativa que promove a inclusão de alunos com daltonismo e a deteção precoce de alterações visuais. A iniciativa representa um investimento de 4.820 euros, para uma escola mais inclusiva, garantindo que todas as crianças têm acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem.

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A autarquia diz ao Algarve Primeiro que, após uma primeira edição com resultados "expressivos", o projeto avança, ao longo do ano letivo 2025/2026, com reforço de medidas e alargamento a mais alunos do concelho.

Na edição de 2024/2025, o programa abrangeu 290 alunos, permitindo identificar 83 situações de alterações na acuidade visual e seis casos de daltonismo, dados que evidenciam a importância da intervenção precoce em contexto escolar, completa nota do município.

Neste ano letivo, a iniciativa volta a abranger todos os alunos do 3.º ano (219 alunos), assegurando a continuidade dos rastreios visuais, da formação de docentes e da adaptação dos espaços escolares ao sistema ColorADD. As ações estão a ser implementadas em todas as escolas básicas do concelho, em articulação com os Agrupamentos de Escolas D. José I e de Vila Real de Santo António.

Trata-se de um projeto pioneiro no Algarve — "Vila Real de Santo António é o primeiro e único município algarvio a implementar o programa em todas as suas escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico", lê-se na publicação.

O programa tem registado uma forte adesão da comunidade educativa, com elevado envolvimento dos alunos e recetividade dos docentes à utilização do sistema ColorADD como ferramenta pedagógica. "A aprendizagem do código revela-se simples e intuitiva, permitindo a sua aplicação prática em diferentes contextos do quotidiano escolar", explica a autarquia.

O daltonismo é uma condição, maioritariamente hereditária, que afeta a capacidade de distinguir determinadas cores, sendo mais comum na diferenciação entre tons de vermelho e verde. Por se tratar de uma limitação não visível, pode passar despercebida, condicionando o desempenho escolar quando a cor é utilizada como elemento de aprendizagem, como na leitura de gráficos, mapas ou sinalética.

Sem identificação precoce, estas dificuldades podem ser interpretadas como falta de atenção ou desinteresse, com impacto no percurso escolar dos alunos. A introdução do sistema ColorADD — uma linguagem universal baseada em símbolos — permite ultrapassar estas limitações, promovendo maior autonomia, compreensão e igualdade de oportunidades, lê-se na missiva.

Para além da dimensão educativa, o programa reforça a vertente preventiva na área da saúde, ao assegurar o rastreio e o encaminhamento atempado para cuidados especializados.